Turquia – 5° dia – As grandes maravilhas turcas do mundo antigo


Nesse dia acordamos absurdamente cedo, pois a idéia era chegar em Éfeso no máximo às 8h da manhã (dali a alguns dias eu precisaria rever o meu conceito de absurdamente cedo). Tomamos nosso café da manhã no mesmo local que foi servido o jantar, e novamente o serviço e a comida foram ruins. Sério, houve um momento em que o pão tinha acabado, e ficou uma fila imensa para esperar chegar a próxima leva e cada um poder se servir. A pouca variedade de comida simplesmente não combinava com o hotel, apesar de combinar com o cheiro horroroso de cigarro do nosso quarto.

Pegamos então o nosso ônibus (era sempre o mesmo, com o mesmo motorista, Selim – uma simpatia que ainda fornecia água geladinha no ônibus por um preço amigável) e fomos para Éfeso. Agora vou fazer uma pequena pausa, só para explicar que nada se compara a Éfeso. Tudo o que já tínhamos visto até então (e eu havia avisado o maridão disso, pois fui a Éfeso em 97) não chega aos pés de Éfeso. Talvez o Egito, mas o Egito é em outra escala, e mesmo assim não tem uma cidade inteira para visitar. Pois é, é isso mesmo, Éfeso é uma cidade-museu. Ela foi abandonada e ficou escondida debaixo da terra por muitos séculos.

Para melhorar, nela ficava uma das 7 maravilhas do mundo: o Templo de Ártemis, que hoje está completamente destruído, tendo sobrado apenas 1 pilastra de pé e mais nada. Além disso, ela é conhecida por ser mencionada na Bíblia, no livro do Apocalipse, como uma das 7 igrejas da Ásia.

O que sobrou do Templo de Ártemis, uma das 7 maravilhas do mundo antigo
E só para ter uma idéia de como esse sítio arqueológico é grande, Éfeso, no seu auge, chegou a abrigar 250 mil pessoas, sendo a segunda maior cidade do mundo nessa época. Não é pouca coisa! Mas a cidade perdeu importância, conforme o seu porto deixou de existir, ao ser assoreado pelo rio Caístro.

Éfeso é habitada hoje em dia pelos gatos, que são uma atração a parte!
A visita a Éfeso começa por uma larga avenida (até o chão é original), por onde se vê diversos tipos diferentes de templos, e alguns prédios mais diferentes, como um banheiro público, usado pelos nobres. No meio dessa avenida tem um portal que é conhecido como portal de Hércules, pois tem uma estátua da figura mitológica esculpida em suas pilastras. Dizem que quem consegue passar pelo portal colocando as mãos nas suas duas extremidades ao mesmo tempo terá um pedido atendido. Confesso que eu nem tentei, mas o Caike conseguiu facilmente.

A Avenida já quase no final...
Caike no Portal de Hércules
No final dessa avenida tem uma praça, que é onde fica a Biblioteca de Celso, uma das maiores atrações de Éfeso! A fachada ainda está de pé, e é uma das coisas mais lindas do mundo! E de frente para a biblioteca aproveitamos para tirar uma linda foto em grupo com o pessoal do tour! Era na mesma praça também que ficava o bordel da cidade... em uma das outras ruas que chegam lá há até mesmo um anúncio gravado na pedra do calçamento louvando a beleza das suas mulheres... provavelmente o anúncio mais antigo do mundo da profissão mais antiga do mundo (mas infelizmente essa rua estava em restauração e não pudemos ver ao vivo).
A praça com a biblioteca de Celso ao fundo!
Atravessando mais um arco, chegamos numa grande área aberta, onde há mais uma avenida, dessa vez sem prédios visíveis, além do teatro... esse sim é a maior atração da cidade museu! Com espaço para 25 mil espectadores, o teatro é simplesmente gigantesco! Ele é tão grande que é preciso ficar numa boa distância para poder enquadrá-lo numa foto!

O arco que dá para o anfiteatro
A vista do alto da arquibancada do teatro
O tamanho do monstro!
Agora como foi a minha segunda visita a Éfeso, uma das minhas maiores diversões durante a visita (além de me deslumbrar novamente com o lugar e me divertir com os gatinhos que habitam as ruínas) foi ver a cara do Caike! O assombro dele era lindo de ver!

Mas ainda bem que fizemos essa visita de manhã cedo, pois as ruínas de Éfeso ficam lotadas depois de certa hora da manhã, além do calor tornar a visita infernal depois das 10h, pois não há sombra! E como as pedras são todas brancas (incluindo o piso original), o calor todo reflete em cima da gente... a garrafinha de água se mostra essencial! Ainda mais porque não há fontes nem lojinhas no museu a céu aberto.

Mas na lojinha do lado de fora do museu eu me senti na Grécia! Um monte de estátuas gregas lindas... aproveitei para aumentar a minha coleção, é claro.

Saindo de Éfeso, fizemos uma parada numa loja de um dos produtos mais tradicionais da região: o couro. E não é um couro qualquer! Sabe aquelas marcas de alta costura das mais caras que você puder imaginar? Pois bem, elas todas fazem as suas peças de couro nessa região da Turquia, pois é nesse local que se produz um dos couros mais finos leves e resistentes do mundo! Coisa chique mesmo. Só que indo direto na fábrica as coisas saem bem mais baratas. Mas isso é só em comparação com os preços praticados na Europa e nos EUA, porque nada ali é realmente barato não.

A visita foi extremamente divertida, pois fomos recebidos com um DESFILE de moda, com direito a bloquinho para você marcar o número das peças que você gostou para ver melhor na loja depois. O desfile foi bem bonitinho, com direito a coreografia marcada com a trilha sonora e tudo, além da participação especial de turistas escolhidos na hora. Turista para se divertir mesmo precisa saber pagar mico com um sorriso no rosto :-)

Pelo menos a visita foi bem tranqüila, pois eles só recebem um ônibus de turismo por vez...

Pois se Éfeso estava cheio, nada me preparava para a atração seguinte: a casa da virgem Maria. A visita em si é bem chatinha, pois não há nada para ver a não ser uma casa construída em cima do suposto local onde a virgem passou os seus últimos anos, que tem uma capelazinha (a história de como se “descobriu” a localização dessa casa pode ser encontrada na história de AnnaCatarina Emmerich). Tem também uma fonte de água que dizem ser benta (a lojinha do local até vende essa água engarrafada em potinhos fofinhos de diversos tamanhos – nós inclusive compramos um para a mãe do Caike, mas trocamos a água pela água da fonte só para garantir) e uma parede imensa onde as pessoas prendem pedaços de papel com pedidos para a virgem. Para se ter uma idéia da falta do que fazer, o que o Caike mais gostou da visita foi uma cisterna do século I.
A cisterna do século I
Apesar da visita ser sem graça para não-católicos, os cristãos pareceram gostar muito, havia inclusive um grupo acompanhado de um padre que estava fazendo uma missa ao ar livre. Além disso, no local há um restaurante bem legalzinho, com uma comida honesta. E como não tínhamos muito que fazer, aproveitamos para almoçar com calma, o que foi bom.

Nosso almoço na Casa da Virgem
Saindo da Casa da Virgem, fomos para Pamukkale, que também é conhecida como o Castelo de Algodão. Lembra do Hospital de Pérgamo? Os doentes rejeitados pelo hospital peregrinavam para esse local, que é uma grande estrutura gerada por erupções vulcânicas e por fontes termais ricas em cálcio. O nome é auto-explicativo quando se vê o lugar...

O Castelo de Algodão
Com suas rochas extremamente brancas e piscinas naturais que se seguem em cascata, a montanha parece mesmo feita de algodão. Segundo a guia toda a estrutura é natural, mas um engenheiro do grupo duvidou muito disso! Natural ou não, a vista é deslumbrante! E a água das piscinas é uma delícia de quentinha!

Aproveitando a água quentinha...
Agora, Pamukkale é mais uma prova de que a Turquia e o Brasil são muito parecidos, pois no momento a atração está passando por uma revitalização delicadíssima, porque há alguns anos suas fontes e piscinas ameaçaram a secar completamente! Sabe por quê? Porque construíram alguns resorts nessa região que resolveram desviar as nascentes naturais que abasteciam o Castelo de Algodão para usar nas suas piscinas particulares. Triste, né? Quando se descobriu a razão pela qual Pamukkale estava secando foi uma comoção nacional! E os resorts foram devidamente demolidos. Porém o estrago já estava feito, e agora geólogos e engenheiros estão tentando reverter o processo, o que inclui o fechamento de metade das piscinas ao público.

Mas demos sorte, pois pegamos a maioria das piscinas abertas ao público cheias (o que não acontecia desde o ano passado segundo a nossa guia). E pudemos desfrutar das águas termais misturadas com o pó de cálcio, que geram uma espécie de laminha que é muito gostosa de passar na pele (e dizem que ainda faz bem). As primeiras piscinas foram mais difíceis de visitar, pois o chão é cheio de pedrinhas e dói andar descalço (não pode entrar de sapatos, nem chinelo), porém as piscinas seguintes são bem mais fáceis de visitar, pois o chão vão ficando cada vez mais “amigável” conforme se desce a estrutura.

A laminha...
Além disso, em Pamukkale tem as ruínas de outra cidade grega importante: Hierápolis. Não chegamos a visitar as ruínas com calma, apenas passamos por elas para chegar ao Castelo de Algodão, vimos o anfiteatro de longe, mas demos um pulinho da Antique Pool, que é uma piscina pública, onde se paga entre 20 e 30 liras turcas (entre 20 e 30 reais) para entrar na água. O legal dessa piscina é que ela foi construída em cima das ruínas, então você pode simplesmente nadar entre as colunas gregas... não é o máximo?

As colunas dentro da Antique Pool...
O teatro de Hierápolis ao fundo
Outra coisa interessante sobre Hierápolis é que é nessa cidade que se encontra a maior necrópole do mundo antigo! O que é bastante óbvio, dado que todos os doentes terminais iam para lá em busca de um milagre nas fontes termais.

Depois de visitar a Antique Pool, saímos correndo para tentar chegar a tempo no ônibus (não queríamos ser os últimos a chegar de novo), e nos perdemos. Acabamos por pegar um caminho muito maior do que o previsto, mas ainda assim não fomos os últimos, ufa!

Fomos então para o nosso hotel do dia, um hotel com uma estrutura bastante simples (parecia um hotel fazenda brasileiro), mas com um mini parque aquático com piscinas termais que jamais se encontraria por aqui. As piscinas termais na verdade era uma sucessão de piscinas ligadas a uma piscina do tamanho de uma jacuzzi, essa sim alimentada pela fonte termal, e conforme se distanciava da fonte mais fresca ficava a água. Uma delícia no final de um dia estafante e tão cheio de visitas. Mas como em toda piscina termal, só pudemos ficar no máximo 20 minutos, pois senão o corpo começa a reclamar do excesso de calor.

Além da piscina, aproveitamos para experimentar um novo conceito de limpeza de pele: o doctor fish! São peixes bem pequenos que se alimentam de pele morta, eles são colocados num aquário onde você põe os seus pés e deixa-os fazer um trabalho melhor do que qualquer pedólogo. A sensação é muito engraçada, pois no início você sente muita cosquinha com os peixes te mordiscando, mas depois de um tempo nos acostumamos e a sensação passa a ser gostosa. E como ficamos de papo com a moça responsável pelos peixes, ainda ganhamos uns minutinhos extras de presente pela nossa lua de mel. Se alguém souber de um lugar no Rio de Janeiro onde tem esse peixe (por um preço razoável!) me avise! Nunca vi o meu pé tão bonito...

Doctor Fish em ação!
Depois de toda a bagunça, voltamos para as águas, mas dessa vez para tomar banho! E novamente nos divertimos, pois no banheiro havia uma plaquinha com as políticas do hotel com relação ao uso da água e das toalhas... só que o inglês não fazia o menor sentido! O Caike riu até não agüentar mais! Só paramos de rir quando vimos o preço do frigobar, acho que era o mais caro de toda a viagem!

A plaquinha em "ingrish"
Para fechar o dia com chave de ouro, o jantar foi servido ao ar livre, com direito a violão ao vivo! Uma delícia! Um dos pontos altos do jantar foi um tipo de panqueca grossinha (parecia quase um pão) recheada de queijo e ervas... uma delícia! E aproveitamos para levar uma garrafa de 2 litros de água para o quarto, pois ela saía mais barata do que as garrafinhas de 500ml do frigobar.

O ambiente estava tão agradável que nos deixamos ficar até sermos expulsos pelos garçons e a comida ser toda retirada do Buffet. Por conta disso, fomos dormir muito mais tarde do que prevíamos, e o dia seguinte prometia ser muito cansativo, pois passaríamos a maior parte do dia no ônibus em direção à Konya...

Turquia - 4° dia - Visitando Pérgamo

Acordamos bem no Hotel em Çannakale, pois não arriscamos o ar condicionado, e sinceramente não precisava. Como não sabíamos o que fazer com as malas, as levamos nós mesmos para a recepção (depois descobrimos que era só deixar na porta do quarto... enfim, ficaria para o dia seguinte), e depois de fechar a conta, fomos tomar café. Novamente tivemos aquela sensação de que o hotel na verdade não é tão chique quanto aparenta ser... de longe o café da manhã parecia muito variado, mas era pura ilusão. Não havia chá disponível, o café era servido numa máquina bem ruinzinha da Nescafé, e era tão ou mais aguado que o chocolate quente (quando chegava no final da porção servida na máquina dava para ver que só saía água). Na hora de sairmos fui ao banheiro, que além de não estar com as pias funcionando, havia um homem, empregado do hotel, dentro, procurando algo dentro de um armário, sem nenhum aviso na porta. Ainda bem que eu não tenho problemas com esse tipo de coisa, pois os banheiros têm portas, né? Depois saí correndo para o ônibus, pois eu passo muito mal se não sentar na frente.

Quando todos já estavam no ônibus partimos em direção a Pérgamo, que hoje em dia se chama Bergama. No caminho ainda passamos por dois montes importantes (tipo, estão na mitologia), mas eu só me lembro do nome de um deles: monte Ida. Juro que procurei informações sobre a geografia da Turquia em português, inglês, francês e espanhol, mas não achei o raio do nome do segundo monte. Talvez tenha em turco na internet, mas aí é incompreensível, fico devendo a informação.

A primeira parada técnica foi numa loja de produtos feitos de azeite, pois essa região da Turquia é uma grande produtora de oliveiras (e, logo, de azeite). A loja tinha de tudo o que você pode imaginar feito de azeite: sabonete, xampu, condicionador, hidratante – de corpo e para as mãos, óleo de banho, e, claro, azeite. O nome da marca de xampu e do óleo de banho era o máximo: Captain Troi.

Compras à parte, aproveitamos para tomar um chá preto, enquanto os outros ônibus de turismo não havia chegado (depois eles chegaram e a loja, que era bem pequena, virou uma sucursal do inferno). Na hora de pagar, eu paguei a minha parte e o Caike foi pagar a dele e resolveu aproveitar para treinar o turco, e tascou um “obrigado”: teşekkür ederim (lê-se texekur ederim). Veja bem, a tal loja era um estabelecimento familiar, que nem aceitava cartão de crédito. No caixa estava o dono com o filho, que devia ter uns 6 ou 7 anos de idade. Já mencionei que crianças podem ser muito engraçadas? Pois bem, o garoto olhou para o Caike, caiu na gargalhada, virou para o pai e repetiu “teşekkür ederim hahahahahaha”. O pai riu e fez uma cara meio sem graça para a gente, que devolvemos com um olhar que queria dizer “tudo bem, não tem problema o seu filho rir na nossa cara desse jeito”. Tenho orgulho de dizer que isso não impediu o Caike de continuar repetindo “teşekkür ederim” no resto da viagem. Mas até hoje fico imaginando o que o Caike disse de errado, porque sinceramente não consegui perceber a diferença para o resto dos turcos, mas eu já desisti dessa língua mesmo...

Depois de mais um bom tempo no ônibus finalmente chegamos a Pérgamo! Pérgamo é uma cidade da Grécia Antiga muito famosa por duas coisas: ter inventado o pergaminho (faz sentido, né?) e ter o hospital de Galeno (o tal médico famoso mesmo!), que era um hospital/templo onde nenhum paciente morria. Agora uma história de cada vez: o pergaminho foi inventado porque naquela época todo o material usado para escrever vinha do Egito, isto é, se usava papiro, mas o Egito começou a ficar preocupado com a sua dominância na área intelectual quando soube que a biblioteca de Pérgamo estava em as 3 maiores do Mundo Antigo, e eles resolveram parar de exportar papiro. O governante de Pérgamo ficou extremamente preocupado com isso, e ordenou que todos os seus sábios se voltassem para a busca de um novo material para a escrita. Então nasceu o pergaminho, que era feito de couro de cabra, e ainda era melhor do que o papiro, pois podia ser usado para escrever dos dois lados!

Agora sobre a cidade de Pérgamo. A cidade fica numa área montanhosa, e no alto da montanha tem uma acrópole (como toda cidade grega antiga). Nessa acrópole tem um templo dedicado a Zeus. Apesar de esse templo ser maravilhoso, lá nos idos do final do século XIX, início do século XX, tinha um alemão (é sempre um alemão) que estava construindo estradas de ferro pelo o que hoje é a Turquia. Ele precisava de pedras para concluir o seu trabalho, e quando perguntou para os habitantes de Bergama onde ele podia encontrar pedras, eles indicaram “no alto daquela montanha”. Bom, era a acrópole de Pérgamo, onde ficava o tal templo. O alemão ficou tão maravilhado com o que viu que convenceu o seu país a comprar (!!!) o altar do templo, por uma quantia até bastante irrisória, e o sultão vendeu.

Um belo zoom da Acrópole
Enfim, o tal templo, sem o altar (que está até hoje na Alemanha), está até hoje lá, mas ninguém pode visitar, não por causa da ausência do altar, mas porque há alguns anos o governo turco resolveu construir um teleférico para a acrópole, e eu não entendi bem qual foi o problema do teleférico com as agências de turismo ou sei lá com o quê, que por causa do tal teleférico a estrada para a acrópole está fechada e o tal teleférico não funciona. Logo, ninguém visita a acrópole. Já mencionei que a Turquia é igual ao Brasil?

Bom, além da Acrópole, bem na base do monte, tem o Hospital de Galeno (finalmente chegamos nessa história!). O Asklepion, como era chamado em grego, era um hospital que também era um templo dedicado ao Deus da Medicina da Grécia Clássica, Asclépio (ou Esculápio). Agora imagine se no templo do deus da medicina alguém poderia morrer de doença? Só se você quiser atrair a fúria dos deuses, né? Então, os gregos deram um jeitinho de impedir que qualquer paciente viesse a morrer ali: eles selecionavam os pacientes. Simples assim: se eles sabem curar a sua doença você pode entrar, se não sabem, você fica do lado de fora (e vai buscar tratamento ou pelo menos um alívio com águas termais, num lugar que mencionarei mais à frente no diário).

Você foi aceito no hospital? Ótimo. Primeiro você precisa passar por uma grande rua cheia de colunas, a Via Tecta, que leva ao santuário de Asclépio. Lá no santuário, o doente deve fazer suas oferendas ao deus (não, a medicina não era de graça) para poder ser admitido como paciente. Até hoje ainda há uma peça do altar do deus, com as serpentes, símbolo da medicina.

As colunas da Via Tecta
A entrada do Templo de Asclépio
Os resquícios do altar com as serpentes
Dentro do hospital, além de uma área redonda, onde ficavam os quartos dos pacientes (de tamanhos diferentes, imagino que fossem proporcionais à oferenda dada ao deus), que também era um templo, dedicado ao filho de Asclépio, que entrava em contato com os enfermos durante o sono, e de onde se ouvia água correndo 24h. Há também diversas piscinas termais (para banhos de temperaturas diferentes, dependendo da sua enfermidade) ligadas a uma fonte tida como milagrosa que brota água até hoje; e também uma biblioteca e um teatro. Sim, uma biblioteca e um teatro para os pacientes! Porque os gregos já faziam, além de leitura dos sonhos, psicodrama e usavam a psicologia para tratar seus doentes. Fora que é um bom passa-tempo para quem não pode sair da cama.

Uma vista geral da biblioteca (canto direito e do teatro ao fundo)
A fonte de água onde ainda brota água! Não sei se é milagrosa, mas é uma bênção no calor!
Brincando de estátua grega (pose de Isadora Duncan)
O Caike ficou animado com o teatro
Os quartos dos doentes, onde o deus falava com eles por meio de sonhos
Mas isso não é só! O templo/hospital ainda tem um grande corredor sombrio, por onde o paciente passava enquanto escutava o barulho de água corrente e os médicos/sacerdotes sussurravam por aberturas no teto: “vai se curar, vai se curar”. Certamente se a doença fosse psicossomática o paciente sairia curado com toda essa abordagem.

O corredor com os buracos no teto, por onde se dizia "vai se curar"
Depois de visitar todo o templo, o que é uma visita emocionante mesmo, aproveitei para comprar mel (imagina, na entrada da Via Tecta tinha uma lojinha cheia de ervas e de mel! Uma tentação) e barganhar com os vendedores das lojinhas para turista. E tive meu primeiro contato com os verdadeiros vendedores turcos: o lance é barganhar. Quanto mais você barganha e diz que não, e depois que sim, mais que você vai levar coisas extras por aquele preço, mais felizes os vendedores ficam. O vendedor da loja onde fiz minhas compras ficou tão animado com o jogo de compra/venda que além de me dar um presente, ainda foi me seguindo até o ônibus, tentando vender mais coisas. Mas o importante nessas horas é nunca levar nada pelo preço dado, o preço final tem que ser no máximo 70% do preço inicial, senão certamente você está perdendo dinheiro, e olha que lá tudo é muito barato. Me senti de novo no Egito.

Lojinhas para turista
As ervas e o mel!!!
Por causa dessa brincadeira acabei sendo a última a entrar no ônibus, vergonha total. E, graças a deus, fomos direto para um restaurante tipo buffet para almoçar, pois estávamos com muita fome. O tal restaurante era bem simples, mas a comida era gostosa, além de barata. Aproveitei para comer coisas típicas da região: almôndegas com arroz, uma espécie de palito enroladinho feito de queijo (divino) e salada. De sobremesa resolvi experimentar o gulag (ou pelo menos esse foi o nome que uma das meninas da excursão disse que o doce tinha). Aproveitamos também para cantar parabéns para os únicos adolescentes da excursão (filhos de um casal de Minas), que, apesar de terem alguns anos de diferença, faziam aniversário no mesmo dia.

Aproveitei também para cercar a nossa guia, Tina, para perguntar sobre a dança do ventre na Turquia, e ela me contou que os turcos amam a dança do ventre, que tem muitos shows e muitos turcos freqüentam mesmo. Mas, como nos países árabes, ninguém gostaria que sua filha se tornasse bailarina, apesar de não ter o mesmo peso/preconceito. Ela também contou que muitos turcos vão até a Capadócia só para assistir nossa brasileiríssima Clara Sussekind dançar.

No final do almoço, chamei um garçom para perguntar se eles aceitavam cartão de crédito, e qual foi a minha surpresa quando eles disseram que sim, mas me trouxeram o cartão de visita do restaurante! Morremos de rir! O pessoal do restaurante ficou meio sem graça quando mostrei meu cartão de crédito, dizendo que era isso que eu queria dizer, eles até quiseram levar o cartão de visitas embora, mas eu não deixei e guardei o cartão comigo como lembrança. Nem que seja para provar como é complicado se comunicar em inglês fora de Istambul.

Depois do almoço fizemos uma longa viagem até Izmir (que é a antiga Esmirna, cidade onde nasceu Homero, olha só que chique), que é a terceira maior cidade da Turquia. E a cidade é grande mesmo! Como o Rio de Janeiro, ela ocupa toda uma baía, com direito a barcas para ir de um lado ao outro, e ela foi completamente destruída na primeira guerra mundial, então há pouquíssimos prédios históricos para visitar, a cidade foi totalmente reconstruída e remodelada.

Izmir: os turcos adoram jardins com desenhos...
Uma mini-mesquita do século XVIII
Porque o lance é ter fontes! Essa é dois em um: fonte e relógio.
Fizemos um pequeno city tour pela cidade e depois seguimos para o nosso hotel, que também parecia muito chique, até pato de borracha tinha na banheira. Mas o andar onde ficamos era de fumantes, e os corredores e quartos fediam muito, mas muito mesmo. Deixamos o ar ligado e as janelas abertas para ver se dava uma melhorada enquanto saíamos para passear.

A prova de que havia um pato na banheira!
O hotel ficava de frente a uma praça enorme, com uma grande estátua do grande herói da Turquia: Ataturk. E ao lado da praça, começava um calçadão com gramado, o Kordón, uma beira-mar comprida, cheia de cafés e restaurantes.

Ataturk liderando os turcos

O mar estava de ressaca nesse dia
Turcos passeando e pescando pelo Kordón
Aproveitamos o final da tarde para passear pelo Kordón até o pôr do sol (novamente dica da nossa guia), e além de tomar um delicioso café turco (Caike) e um chá de rosas vermelhíssimo (eu), aproveitamos para ver os turcos andando pelo calçadão, fazendo piqueniques (aparentemente é um esporte nacional), aproveitando cada micro-sombra disponível (as pessoas quase deitavam debaixo dos arbustos para ficar na sombra), casais de todos os tipos passeando de mãos dadas (inclusive as mulheres de véu), grupos de amigos literalmente empilhados uns nos outros para tirar uma soneca, homens pescando e cachorros correndo. Era final de semana, então os turcos estavam aproveitando.

O chá de rosas e o café turco do Caike, a água acompanhando o café vinha com uma fatia de maçã
Nesse calçadão também vimos muitas charretes de passeio (uma gracinha, todas iguais com cavalos iguais), outro monumento do Ataturk que homenageava todas as classes da sociedade (professores, artistas, trabalhadores, cientistas, políticos e religiosos) e mais um monumento, dessa vez, dedicado à mãe do Ataturk.

O monumento dedicados às classes
Uma das charretes fofíssimas
Monumento à mãe do Ataturk
Enquanto estávamos sentados aproveitando a brisa no monumento das classes, ouvimos uma comoção e depois vimos uma das charretes correndo desembestada pela rua. Os condutores corriam atrás enquanto os cavalos corriam enlouquecidos em direção ao monumento da mãe do Ataturk! Os cavalos conseguiram derrubar um fradinho de metal pelo caminho e subiram com a charrete e tudo em cima do canteiro, a mais de meio metro do chão. Depois de subirem no canteiro, finalmente foram alcançados pelos condutores (um dos cavalos havia caído na peripécia) e soltos da charrete. Um dos cavalos (o que caiu) saiu mancando, tadinho, mas não parecia muito grave, pois ele conseguia apoiar a pata no chão. Juntaram diversos condutores para ajudar a controlar os animais e tirar a charrete do canteiro. Mais tarde ainda apareceu um carro da prefeitura para avaliar os estragos. Em menos de 20 minutos tudo estava resolvido. E eu e o Caike decidimos que era melhor andar a pé mesmo.

Voltamos para perto do hotel e assistimos o pôr do sol com o casal simpático de São Paulo. Apesar da sugestão da guia para jantar fora, resolvemos voltar para jantar no hotel. Quando chegamos ainda havia dupla de músicos tocando lindas composições turcas :-) . Sentamos todos na mesma mesa e descobrimos que o jantar seria estilo “menu”, uma entrada, prato principal e depois sobremesa. O rapaz de Sampa queria pedir um vinho para acompanhar e resolveu perguntar qual era o prato principal para decidir se escolheria um tinto ou um branco. Depois de muita enrolação disseram para ele que o prato principal seria um peixe e ele decidiu por um vinho branco.

Mais um pôr do sol... dessa vez em Izmir
Os músicos turcos
Chegou a entrada, era um prato muito esquisito, uma espécie de massa recheado de carne, visualmente feio, mas extremamente saboroso. Depois veio o prato principal, que não, não era peixe, era frango com macarrão. Uma coisa bem insossa. De sobremesa, um flan muito sem graça de chocolate. Devíamos ter escutado a nossa guia e jantado fora, mas já era tarde e já estávamos de barriga cheia.

A entrada era gostosa, mas meio feia... tentaram até disfarçar
Fiquei tão abobalhada com a falta de qualidade do jantar, em comparação com o que havíamos visto até então e com a vista que o hotel faz, que esqueci minha bolsa na mesa, e depois de já estar de pijama (!) precisei me trocar novamente e procurar por ela no salão. Ainda bem que os funcionários haviam guardado tudo direitinho, e foram muito prestativos para me devolver a bolsa.

Depois de tantas emoções, tomei um antialérgico (com o cheiro de cigarro do quarto só assim para poder dormir) e fui deitar, o dia seguinte prometia ainda mais!

Turquia - 3° dia - Atravessando o Estreito de Dardanelos

Apesar de termos acordado muito cedo, pois nossa excursão saía às 7:10h da manhã, dormimos bem, porque deixamos o ar condicionado dos infernos desligado. Apesar de ser verão, as noites são frescas na Turquia.

Descemos para o lobby para fechar o nosso quarto e deixar nossas malas antes de tomar o que desse de café da manhã (levando em consideração que o café começava oficialmente às 7h, na teoria tínhamos só 10 minutos para comer, mas boa parte do buffet já estava exposto quando subimos para o terraço às 6:45, graças a deus!).

Encontramos novamente o casal simpático no café da manhã, para descobrirmos que pegaríamos o mesmo tour, por isso começamos a achar que o mesmo seria em português! Para mim isso seria ótimo, pois apesar de entender bem espanhol, não consigo dizer uma palavra nessa língua estranha, é só eu tentar falar alguma coisa, mesmo em portunhol, que sai francês. Complicado, né?

Eu e o Caike terminamos nosso café primeiro, e descemos para ver se o ônibus já tinha chegado. No lobby, uma baixinha de cabelos bem encaracolados e cor de fogo perguntava pelos brasileiros do hotel. Era a nossa guia, que, olha só, falava português! Confesso que fiquei aliviada. Subimos no ônibus, e como éramos uns dos primeiros a chegar, conseguimos um bom lugar lá na frente (eu enjoo muito fácil, então não posso ficar atrás nos ônibus, isso significa ter que chegar antes dos outros nos ônibus).

Depois de todos embarcarem no ônibus (inclusive o casal simpático), começamos nosso tour pelos hotéis de Istambul para catar todos os demais brasileiros que havia chegado com a gente dois dias antes, e mais alguns que ainda não havíamos conhecido.

Nossa guia era uma turca chamada Tina, ruiva-fogo de cachos tipo anjinho mas com estilo rebelde, olhos claros, mais baixa do que eu (assim considero pessoas que precisam de sapato plataforma para ficar da minha altura rsrsrs), muito simpática e fanática por pôr do sol (ela passaria os próximos dias dando dicas de onde ver o pôr do sol).

Ela começa o nosso tour dando dicas sobre Istambul (afinal, a maioria de nós voltaria para ficar mais alguns dias na cidade no final desse tour), e falando do aqueduto pelo qual passamos e que juramos que era a Lapa. Depois ela começou uma grande aula sobre a Turquia.

A Lapa em Istambul

Mapa da Turquia
A Turquia é um país que fica bem na divisa entre a Europa e a Ásia (pedi para liberarem meu cartão de crédito para os dois continentes por via das dúvidas), e tem 3% do seu território localizado na Europa, enquanto os outros 97% ficam na Ásia Menor, também conhecida como Anatólia. Istambul é a cidade que fica exatamente nessa divisa, e é a única cidade do mundo que pertence a dois continentes. A Anatólia foi berço/passagem/morada de diversas civilizações, entre elas os hititas, gregos, romanos e turcos. O nosso tour com a Tina incluiria muitas coisas interessantes de todas essas culturas!

E no nosso primeiro dia de viagem, fomos contornando o Mar de Marmara e passando pelos balneários frequentados pela galera de Istambul, algo parecido com Cabo Frio, só que sem areia nas praias e com aquele azul magnífico que só o Mediterrâneo tem (apesar da costa oeste da Turquia ser predominantemente do Mar Egeu, ele não deixa de ser uma continuação do Mediterrâneo, por isso tem a mesma cor, o Mar de Marmara também tem, apesar de ser bem menos salgado e de só se comunicar com o Egeu através do Estreito de Dardanelos).
Ao sair de Istambul vemos que a Turquia tem energia renovável!

Um dos principais produtos agrícolas do país: girassol!

Balneário com o Mar de Marmara ao fundo

Depois dessas primeiras explicações sobre a Turquia (que eu vou colocando aos poucos, senão fica chato e eu vou adiantar a viagem), fizemos uma "parada técnica", com direito a banheiro e lanchinho. Os banheiros na Turquia, na maioria dos lugares, são pagos, custa 1 lira turca para usar (equivalente a 1 real), mas são todos satisfatoriamente limpos (melhores do que de muito barzinho no Rio). Vale a pena guardar as suas moedinhas para essas ocasiões. Só tem que tomar cuidado para não pegar um banheiro turco (aquele que só tem um buraco no chão), que é complicado de usar.

Eu também aproveitei a parada para comprar umas besteirinhas para comer (coisas que chegaram em sua maioria intactas no Brasil, acredita? Só abri uma balinha de melancia deliciosa, que é igual ao Trident de melancia, mas que está até hoje na minha bolsa) e o Caike comprou um café com chocolate em lata da Nestlé que ele detestou, mas que eu achei aceitável, portanto, acabei bebendo o café todo.

Depois de uns 25 minutos voltamos para o ônibus, e a Tina, toda solícita, resolveu colocar o programa do Amauri Junior sobre a Turquia na TV do ônibus. Eu entendo a boa vontade dela, e ela foi muito simpática arranjando o vídeo, mas, sério, o Amauri é pura V.A. (vergonha alheia). Os comentários eram tão ruins que até o ônibus ficou com vergonha e o mapa pendurado no teto na frente da TV passou o dia inteiro caindo e tampando o programa.

Paramos para almoçar na cidade de Gelibolu, numa região conhecida como Galipoli, que foi palco de uma das batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial, e foi justamente nessa batalha que o futuro fundador da Turquia moderna, Ataturk, fez fama como militar. Falarei mais dele nos próximos posts. Fomos todos a um restaurante do lado do porto onde pegaríamos uma barca para atravessar o Estreito de Dardanelos, saindo da Europa e indo, pela primeira vez na nossa viagem, para a Ásia!

Mapa do Estreito de Dardanelos com os lugares por onde passamos!

Uma das barcas vista do restaurante
O restaurante era muito interessante, você montava o prato escolhendo a carne e os acompanhamentos, sendo que cada item tinha um preço fixo. Eu e o Caike achamos que era melhor montar o nosso prato dividindo os acompanhamentos, pois eles eram bem servidos, e assim teríamos mais variedade por um preço mais em conta. Escolhemos também um peixe que lembrava badejo, mas que tinha um nome impronunciável. Pedimos de acompanhamento uma salada, com tomate e pepino, arroz branco e berinjela (que vinha com uma pimenta verde imensa que não dava para comer, o Caike tentou e quase passou mal). O peixe demorou séculos para chegar (já tínhamos comido quase todo o acompanhamento), mas valeu a pena a espera, porque estava divino! Derretendo como manteiga na boca...
Nós no restaurante interessante, com direito a almoço ao lado do mar...

Os acompanhamentos sem a pimenta bizarra

O peixe maravilhoso!
Depois do almoço, voltamos ao ônibus para ele poder entrar na barca que nos levaria para Lapseki, do outro lado do Dardanelos. A viagem durou 25 minutos de muito vento e um sol delicioso, que muita gente evitou, ficando na parte fechada do barco, que tinha uma área com cadeiras para os passageiros aproveitarem a vista durante a travessia. Uma delícia :-)

Pescadores

Os carros e o nosso ônibus dentro da barca

Solzinho gostoso...

Ventava tanto que até o meu curtinho ficou bagunçado!
Chegando na Ásia fomos visitar o sítio arqueológico de Troia, que realmente existe! É bem destruído comparado com outros sítios arqueológicos da Turquia, mas vale a visita! Primeiro você descobre que foi um alemão maluco que descobriu a localização de Troia, e isso porque ele era fanboy do Homero e da Ilíada. Apesar de ter nascido pobre, ele cresceu ouvindo essas histórias da Ilíada, e quando ele cresceu e ficou rico, ele se casou com uma grega, Sofia (fanatismo em níveis épicos, gente), e resolveu largar as suas empresas nas mãos de administradores e ir para a Turquia catar Troia, só com o livro de Homero nas mãos. Daí você vê que Homero era bom, porque o alemão achou a cidade, mesmo com ela não estando mais na costa, por conta de séculos de terremotos que aterraram o mar.
Na entrada do sítio arqueológico não podia faltar um cavalo!

O que restou da entrada de Troia II

Um poço de Troia 1

Nossa guia de cabelos de fogo mostrando a muralha de Troia VII
Parece um teatro, mas é um bouleuterion, local onde se realizavam as assembleias populares
Então ele bancou a escavação de Troia, e na sua avidez por encontrar o tesouro de Helena, acabou fazendo alguns estragos na cidade histórica. Pois não há uma Troia, são 9 Troias! Uma construída em cima da outra, e destruídas por terremotos ou incêndios. A Troia de Homero é a n° 6! E realmente nessa época a cidade participou de uma guerra contra os gregos e perdeu, portanto a cidade n° 7 já é grega.
As camadas sobrepostas das Troias
Voltando ao Alemão, ele, ao tentar achar o tal tesouro, acabou fazendo estragos em algumas construções importantes e deixando impossível diferenciar as camadas por onde ele passou, mas ele foi recompensado mesmo assim, pois ele achou o tal tesouro! Arqueólogos posteriormente negaram que o tal tesouro pudesse ser de Helena, pois os testes o dataram como sendo anterior a Troia n° 6, mas fanboy como ele era ele nunca acreditou nisso. E pior, ficou tão fascinado com a sua descoberta, que após fotografar Sofia (a sua própria Helena grega) coberta pelo tesouro, ele fugiu de volta para a Alemanha com ele. O governo turco tentou recuperar o tesouro após a Segunda Guerra Mundial, mas nessa época ele já havia desaparecido da Alemanha, roubado pelos sovietes. As jóias hoje estão na Rússia.

O estrago do alemão. Tudo o que se vê ao fundo era mar!

O tesouro encontrado pelo alemão, que foi datado como sendo de Troia II, e sua esposa Sofia usando as jóias
Depois de todo esse drama, fomos para a cidade mais próxima, Çanakkale, onde ficamos hospedados no Hotel Kolin. O hotel era muito bonito, mas muita coisa era só aparência, pois os elevadores tinham problemas crônicos de não guardarem os andares apertados, ele parava no próximo andar e simplesmente apagava os demais solicitados. Teve gente fazendo longas viagens até o quarto. E isso nos elevadores que estavam funcionando! Tinha elevador parado também. Acabamos por usar o de serviço, que pelo menos funcionava.
Dentro do hotel chiquetoso
A vista do quarto era desbundante, dando para uma baía linda com aquele azul! Como era cedo, e o sol se punha muito tarde, fomos direto para a piscina (e novamente vimos que o hotel tinha muito mais aparência do que qualidade... áreas fechadas sem explicação, o sistema de toalhas era largado, e havia poucas placas indicando o caminho das coisas - caminhos que não estivessem fechados). A tarde estava linda e quente, mas a piscina estava estupidamente gelada. Nem o Caike conseguiu entrar, segundo ele por causa do vento, que realmente era muito forte e contínuo.

A vista do quarto

Piscina impossível de entrar
Depois fomos dar uma olhada na "praia", que era de concreto, mas o mar tinha aquele azul... então tomamos um banho rápido e corremos para o supermercado que tinha em frente ao hotel, e valeu muito a pena! Pois a água que custava 4 liras turcas no quarto, saiu por 25 kuros (centavos). Procuramos também um redbull para o Caike, mas não eles não vendiam a latinha separada, apenas aquelas caixas imensas.
Praia de concreto
Saímos do supermercado (com as águas na mochila, porque era proibido entrar com elas no hotel, claro) e fomos direto assistir ao pôr-do-sol, indicação da Tina, claro. O sol se pôs era 20:30h, e apesar de ter sido mesmo um espetáculo lindo e romântico, estávamos com fome. Então fomos jantar.

Realmente imperdível :-)

O buffet do hotel tinha a mesma característica: a cara era linda, mas a qualidade... as saladas eram mesmo boas, mas as carnes e pratos quentes eram ruinzinhos. Mas além das saladas, tinha uma espécie de quentão sem álcool, muito gostoso, e as sobremesas... uau! Comi de tudo um pouquinho! Uma marmelada estranha que eu acho que era de abóbora, um tipo de manjar de canela, um doce esquisitíssimo de pistache, mas que era muito gostoso, um outro doce de mix de castanhas (o melhor deles) e, por fim, um tipo de pudim libanês, só que sem água de rosas e com avelã (em outras palavras, sem graça).

As sobremesas! Em cima à esquerda o mix de castanhas, do lado, o pudim. No prato a "marmelada", o doce de canela e o esquisitinho de pistache.
E depois dessa maratona, o jetlag nos pegou de vez, e fomos dormir... o dia seguinte também prometia!