<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067</id><updated>2011-07-08T05:53:55.394-03:00</updated><category term='Rennes'/><category term='Museu'/><category term='Chartres'/><category term='parque de diversões'/><category term='Paris'/><category term='Rouen'/><category term='Bélgica'/><category term='Mont Saint Michel'/><category term='Bruxelas'/><category term='Igreja'/><category term='Versailles'/><category term='Montmartre'/><category term='Monumentos'/><category term='França'/><category term='Louvre'/><title type='text'>Viagens de Laura</title><subtitle type='html'>A partir de sugestões daqueles que recebem meus diários de viagem por e-mail, resolvi criar esse blog para postá-los. Agora é só embarcar!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-5156042925730998819</id><published>2009-05-05T19:35:00.008-03:00</published><updated>2009-05-06T06:53:43.088-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chartres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Igreja'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bruxelas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bélgica'/><title type='text'>7 de maio - Chartres</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Acordei absurdamente cedo, para conseguir fechar a mala, pagar a conta do hotel (onde sabiamente deixei as malas, sem custos extras) e ainda conseguir pegar o trem às 8:15h. Nem sei pra quê me esforcei tanto, os atrasos nos trens estavam ficando frequentes e esse saiu quase meia hora mais tarde. Será que os franceses não são tão pontuais assim mesmo ou é um poder dos brasileiros fazerem tudo atrasar? Pelo menos a viagem foi tranquila, tão tranquila que ninguém checou o meu bilhete.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;De qualquer forma, por causa do trem, cheguei atrasada para as minhas programações de visitas guiadas, incluindo o temeroso trenzinho (que em Chartres se chama Chartrains, um trocadilho muito fofo!). Porém, para compensar o azar, encontrei uma senhora e um casal de brasileiros muito simpáticos, que estavam completamente perdidos na estação. Eles acabaram por me acompanhar até o ofício de turismo da cidade, para pegarmos mapas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Fomos atendidos por um atendente gay muito solícito, que nos explicou cada pedacinho do mapa (e eu fui traduzindo para os outros, que não falavam uma palavra de francês). Para variar, o ofício daqui é muito bom, com um mapa muito legal, que tem um circuito turístico gratuito que me pareceu muito bom (o que não é tão comum, como pude perceber até agora).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Agora "armados", fomos para a Catedral, que é realmente deslumbrante. Não consigo pensar em outro adjetivo, ela é tão linda que acabei por passar o dia inteiro explorando-a. Aviso logo que é preciso muito cuidado e esforço para não fazer isso, pois os vitrais e as esculturas externas são hipnotizantes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Para variar, a Catedral de Chartres, datada do século XIII, foi construída em cima de outra igreja, de estilo romano, destruída num incêndio em 1194, do qual sobreviveu apenas a cripta e a fachada ocidental, que foi construída em cima de uma outra igreja, mais antiga, que foi construída em cima de outra, que foi construída em cima de outra, que, por fim, foi construída em cima de um poço pré-céltico, que, dizem, ficava dentro de uma gruta usada como santuário. Ufa! Detalhe estarrecedor, o poço ainda está lá. Mas vamos chegar nessa parte da minha visita mais tarde. O edifício atual, é considerado uma das obras primas da arquitetura gótica e não dá pra perder, numa visita rápida: o vitral mais famoso da Catedral, Nossa Senhora do Vitral (no original Notre Dame de la Belle Virrière); a estátua de Notre Dame du Pillier (Nossa Senhora do Pilar); o labirinto inscrito no chão da nave; um relógio de sol na fachada e mais um relógio de sol (pelo menos os dois parecem relógios) no portal de Sainte Anne. Se sobrar tempo: a cripta (imperdível para quem se interessa pela cultura celta ou madonas negras) e a torre (proibida para quem tem medo de altura ou coração fraco).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Quando percebi eu estava há uma hora dentro da igreja, e ainda não tinha nem tentado descobrir os detalhes e horários do passeio para a cripta (eu não podia deixar de ver a Madona Negra de Chartres, nem por decreto!), nem visto a torre, nem nada. E os brasileiros tinham sumido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Acabei conseguindo pegar o passeio de 11h para a cripta, que, adivinha, atrasou e começou só às 11:15h. Mas valeu... a cripta de Chartres é um lugar mágico! Feita de resquícios da Catedral antiga, romana, ela possui 2 vitrais lindos... sendo um deles de Maria Madalena. E de quebra dá para visitar o poço celta e ver resquícios de edifícios anteriores. É lá também que se encontram a Madona Negra e uma relíquia da Virgem (um véu branco, que já rodou muito e sobreviveu ao incêndio do século XII). Nessa cripta, onde fica a Notre Dame Sous Terre ainda tem missa todos os dias às 11:45h.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;É tanta coisa pra falar da cripta nem sei por onde começar... para resumir: o poço celta, que é datado de antes de cristo, tem 35m de profundidade (aproximadamente), é redondo em cima, mas no fundo é um quadrado perfeito, sendo que cada lado está voltado para um ponto cardeal, e o quadrado está perfeitamente inscrito no círculo. Uma coisa fabulosa!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;A Notre Dame Sous Terre é uma madona negra, que, nesse caso, é "descendente" de uma divindade celta, o que explica a sua característica singular de ter os olhos fechados. A estátua não é original, infelizmente, mas é linda! Conferindo à cripta uma atmosfera fantástica... é um tipo de santuário que deve ser visitado, e onde acender uma vela é uma experiência muito gratificante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Saindo da cripta, na hora da missa, eu estava morrendo de fome, por conta do parco café da manhã (pão com chocolate e castanhas, além de um pouco de pistache). O problema é que ainda era muito cedo e não tinha quase nada aberto. Resolvi começar o circuito turístico a pé pela cidade, mas desisti quando percebi que se me afastasse da catedral, não teria certeza de encontrar lugares para comer um "menu" (entrada, prato principal e sobremesa), além de que eu ainda queria subir a torre! Então, achei que era melhor apenas conhecer os entornos da Catedral. E foi a melhor coisa que eu fiz! Atrás da igreja, onde hoje fica o museu de belas artes, tem um jardim maravilhoso com uma vista estonteante da cidade, que tem mesmo cara de cidade do interior (em padrões europeus, faz favor).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Depois de alimentar ainda mais a vista, fui encher o estômago, num restaurante com o maior jeitão de chique, com chef a caráter e tudo esperando os clientes na porta. Mas o preço era bem moderado, e tinha a vantagem de poder comendo apreciando a fachada do portal de Sainte Anne. Acabei por almoçar uma entrada de camarão, um peixe maravilhoso, feito dentro de papel alumínio, com cenouras e abobrinhas para acompanhar. O prato principal estava meio apimentado demais pro meu gosto, mas o delicioso chá "bourbon" que pedi ajudou muito. De sobremesa escolhi na sorte uma "torta bom cristão" divina, feita de nozes e maçã (ou seria pêra?), a especialidade (comprovada!) da casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Apesar de tudo estar maravilhoso, a comida e a vista, durante o almoço acabei presenciando algo que me deixou muito triste e chocada: entre um grupo e outro de estudantes que visitava a igreja guiados por professores, apareceram 5 meninas, adolescentes na verdade, que chegou fazendo o maior estardalhaço, sentaram na porta (literalmente, não era na escada, era na porta mesmo, atrapalhando as pessoas) e começaram a falar alto (gritar é mais próximo da realidade) e a ouvir rock pesado muito alto. Pareciam crianças testando os limites, sabe? E riam alto dos turistas que passavam e olhavam espantados para aquela cena grotesca. Daí, elas resolveram almoçar ali mesmo, tiraram sanduíches das mochilas e depois ainda fizeram guerra de comida. Isso mesmo: pedaços de pão pra tudo que é lado, emporcalhando tudo. Depois que viram a confusão que deixaram, elas levantaram e foram embora, deixando toda a sujeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Nesse momento, os cozinheiros e garçons do restaurante onde eu estava saíram em perseguição às adolescentes, que fugiram e só uma foi pega. Ela levou um esporro danado, mas a safada ficou dizendo que não tinha sido ela. Uma cena vergonhosa, realmente. O chef é que acabou juntando o lixo todo e jogou fora depois.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Após toda essa emoção, fui subir a torre! Aí sim eu descobri o que é emoção! Não tenho medo de altura, mas sério, tive vertigens e morri de medo lá em cima. Mas valeu a pena! A vista da cidade de lá é inigualável (até porque a torre é o ponto mais alto da cidade, já que a Catedral é o edifício mais alto e fica numa elevação), e ainda tem as gárgulas e outras esculturas que você consegue ver de pertinho... fora a vista da Catedral por cima, que é no mínimo interessante! Mas para ver isso tudo você precisa superar o medo, não ligar pro vento forte que bate lá no alto, e o mais importante, não ligar para os buracos (pequenos) e rachaduras. Evite pensar na idade da torre, ajuda muito também. Conversar com as outras pessoas no meio do caminho, como o casal da Flórida e outro casal brasileiro que encontrei, ajuda a manter a perspectiva, e deixa o aperto da escada em caracol mais alegre e divertido. A torre tem diversos pontos de parada até o topo, vale a pena sair da escada e visitar todos eles, ainda mais porque eles te preparam para o ponto final. No topo da torre, tem uma espécie de vigia, e você consegue contornar toda a torre, se tiver coragem. Eu não sei como consegui, mas dei a volta completa e desci renovada pela adrenalina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;E preocupada com a hora. Quando cheguei no chão, era mais de 15h e o meu trem saía às 17h, e eu não tinha visto nada da cidade! Fui direto para o trenzinho, fazer uma visita relâmpago. E dessa vez eu aprovei a viagem, acho que é mesmo melhor pegar esses trenzinhos sem ter visto nada da cidade ainda. Além de que dessa vez o próprio condutor ia fazendo os comentários, sempre com piadinhas no meio do caminho. Foi muito divertido! E eu fiquei meio chateada com o meu tempo escasso para conhecer a cidade... Chartres é linda... definitivamente não é só pra ver a Catedral. Fiquei devendo uma visita de verdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Na reta final do dia, resolvi fazer visitas estilo "fast food" em duas outras igrejas da cidade, St Aignan e St Pierre. Para minha felicidade, St Aignan ficava bem no meio do caminho para St Pierre, o que ajudou muito! Ela é discreta por fora, mas lindíssima por dentro, toda coberta de afrescos, e muito iluminada! Dei a sorte de pegar uma aula de órgão dentro da igreja, um senhor ensinava uma menina como tocar o instrumento... só não fiquei mais para apreciar por causa da hora, meu tempo estava acabando...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;E ainda tinha ver St Pierre, que é muito interessante, mas não tão bonita quanto St Aignan, pois é totalmente lisa por dentro, com menos coisas para se ver. Porém, tem uma curiosidade fantástica: é uma das raras igrejas construídas dentro da terra, para você entrar é preciso descer as escadas, e não subir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Já nervosa por causa da hora, saí da igreja com o mapa na mão, e fui correndo pela cidade até chegar na estação, entrei no trem e me sentei. Comecei a verificar se estava tudo certo no meu eurailpass, quando topo com um outro casal muito simpático, de Ohio (nunca imaginei que tivessem tantos americanos visitando a França...). Achei muito fofo, eles acharam que eu era uma estudante mochileira... principalmente por causa dos pins que eu estava colecionando durante a viagem, e o seu volume já estava começando a chamar atenção, e fazendo sucesso!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Foi então que eu olhei bem na descrição do trem e percebi que tinha pego o trem errado! Esse era 20 minutos mais cedo do que eu tinha planejado...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;O que no final das contas foi bom, pois chegando em Paris vi nos monitores do metrô uma notícia alarmante para os meus planos: o metro e o RER não estavam passando pela Gare du Nord por causa de um incêndio. Justamente na estação onde eu pegaria o trem para Bruxelas, e eu tinha hora para chegar lá, porque a amiga da minha mãe que me receberia na sua casa iria me buscar na estação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Chegando na estação de metrô do meu hotel, corri para o cyber café mais próximo, comprei uma hora de internet, pequei fone e microfone e fui pro Skype: liguei primeiro para a Janaína, minha amiga que me encontraria na Gare du Nord para pegarmos juntas o trem (justamente ela que costuma estar atrasada e que não fala francês), para avisá-la dos últimos acontecimentos e pedir para que fosse mais cedo para a estação, afinal o trânsito e a estação deviam estar muito confusos. Depois liguei para a Janete, a amiga da minha mãe, para avisá-la da confusão (eu suspeitava de um novo atraso nos trens). Ela me aconselhou a ir pro hotel o mais rápido possível e pegar um taxi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Comecei indo pro hotel, pegar minha mala-menir, e aproveitei para pegar novas informações. O staff não sabia das notícias quanto à Gare du Nord, e me indicaram o metrô, daí eu expliquei o que estava acontecendo e eles me sugeriram um ônibus. Fiquei na dúvida entre o ônibus e um taxi, mas eles me convenceram de que eles demoravam o mesmo tempo pra chegar lá, com a vantagem do ônibus ter faixa exclusiva (respeitada, diga-se de passagem), o que era bom caso o trânsito estivesse ruim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;E o trânsito estava ruim, muito ruim. Ao invés dos 20 minutos prometidos pelo pessoal do hotel, demorei 40. Além disso, o ônibus estava lotadíssimo, o que é muito ruim para alguém com uma mala grande e pesada como a minha. Fora o calor e uma francesa que não parava de reclamar e de dizer que ia passar mal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;O interessante dos ônibus de Paris é que eles têm hora marcada. Tanto nos pontos quanto dentro do ônibus, onde se vê um letreiro com a próxima parada e quanto tempo falta para chegar nela. Dessa forma, pude apreciar melhor o nervosismo de ver a hora passar e o tempo de chegada a Gare du Nord não mudava! Comecei a ficar ansiosa, as pessoas a minha volta passaram a perguntar se eu ia pegar o trem (com uma mala daquelas é meio óbvio, né?). Daí começaram a perguntar que horas era o meu trem, 20:25h eu respondi. Então aconteceu algo muito engraçado, as pessoas começaram a se dividir e a discutir a minha situação, uma parte achava que eu ia chegar a tempo enquanto outra parte retrucava e dizia que isso seria impossível. Foi emocionante... até que uma jovem se virou pra mim e perguntou se eu conhecia a estação, eu disse que não, ela pediu para ver minha passagem e disse que me ajudaria a chegar na plataforma. Chegando na estação saímos juntas do ônibus, com as pessoas desejando boa sorte, e voamos escada abaixo com a minha mala (que nesse momento resolveu arrebentar a alça maior), e com a ajuda de mais um homem, descemos correndo e eu a segui esbaforida até a plataforma. O trem ainda estava lá!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Eu a abracei e beijei no rosto, dizendo que ela era um anjo que me tinha salvado a vida, peguei minha mala e fui pro trem, cheguei na porta e chequei de novo os números. Estavam errados. Aquele não era o meu trem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Nervosa, fui perguntar para um funcionário o que estava acontecendo, e ele me disse que o meu trem estava atrasado, e que eu acompanhasse as informações no quadro de trens. Fui checar o quadro e aí fiquei mais nervosa ainda, num quadro com mais de 20 trens, o meu não estava lá! Comecei a falar comigo mesma em voz alta (a essa altura estava falando sozinha em francês) e alguém do meu lado disse: claro que seu trem não está lá, estão todos atrasados, olhe os horários! Eu parei para prestar atenção nos horários dos trens que estavam nos quadros: todos estavam mais de 2h atrasados. O meu simplesmente ainda não tinha aparecido, e pelo visto, ainda ia demorar muito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Pelo menos fiquei mais tranquila, atrasado é melhor do que perdido. E eu tinha uma nova missão, achar a Janaína. Resolvi que ficar em frente à plataforma marcada nos nossos bilhetes era a melhor solução possível, pois a probabilidade dela ter chegado na estação antes de mim era mínima, então ela estava realmente atrasada e certamente iria direto para a plataforma. Bingo! 20 minutos depois ela chega, botando os bofes pra fora e nervosíssima, achando que tinha perdido o trem. Depois de tudo explicado, e mais calmas, fomos colocar as fofocas em dia, enquanto esperávamos nossa vez de embarcar. Chegando a nossa vez, entramos no nosso vagão e nos acomodamos, t&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;rem chique é outra coisa... parecia que estávamos num avião, foi servido até um jantar... nada como pegar uma companhia boa... o único problema é o preço, foi um dos trens mais caros que peguei na viagem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Chegamos em Bruxelas com 2:30h de atraso, era quase meia noite, e a pobre Janaína ainda tinha que pegar um trem para Brugges. A estação estava quase fechando, o que significa que não tínhamos muito tempo, nem muitas opções de trem para ela. Com a ajuda da Janete e do marido dela, Manuel, ela conseguiu embarcar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Depois fomos para o carro. Eu crente que finalmente estava indo para algum lugar descansar depois de toda essa bagunça, fui surpresa pela animação da Janete e do Manuel, eles me levaram para um city tour noturno: visitamos o Palais Royal, o Atomium e o museu de arte antiga e de arte moderna. Só para vê-los iluminados por fora. Só na Europa mesmo para se fazer um city tour desse gênero...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Depois disso, finalmente fomos para casa, onde a Janete ainda teve energia para me apresentar o apartamento e me explicou porque existe a diferença em francês entre "salle de bains" e lavabo. É simples, a sala de banhos não tem privada, e o lavabo não tem chuveiro ou banheira. Coisa de europeu mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;E finalmente pude dormir... o dia seguinte também prometia!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-630decf7f672c18" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v23.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0630decf7f672c18%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D421A69C4AD580F6397EC6A5BBA7CB2AFE7A181A.7C377BF14D50BCE724BF8767299ABC017220678D%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D630decf7f672c18%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dhk7D46RCRrkdyt7n4e7gWKY7fmI&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v23.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0630decf7f672c18%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D421A69C4AD580F6397EC6A5BBA7CB2AFE7A181A.7C377BF14D50BCE724BF8767299ABC017220678D%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D630decf7f672c18%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dhk7D46RCRrkdyt7n4e7gWKY7fmI&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-5156042925730998819?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=630decf7f672c18&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/5156042925730998819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=5156042925730998819' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/5156042925730998819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/5156042925730998819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2009/05/7-de-maio-chartres.html' title='7 de maio - Chartres'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-443811376650978824</id><published>2008-11-22T18:21:00.007-02:00</published><updated>2009-05-05T23:57:08.782-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rouen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Igreja'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Monumentos'/><title type='text'>6 de maio - Rouen - a cidade onde Joana D'Arc foi queimada</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Acordei cedíssimo por conta da hora do trem e tive que deixar para tomar o café da manhã na estação. Para enganar a fome comprei um croissant e um café para comer no trem, o que dava para distrair o estômago por algum tempo, pelo menos durante a minha leitura histórica sobre Rouen, para ter uma idéia do que iria ver e o que seria mais interessante de visitar. A vista do trem ajudou bastante na leitura, porque não é nada interessante ou bonita. O trem vai seguindo o rio Sena, e tudo tem cara ou de subúrbio ou de zona industrial.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Enquanto fazia minha leitura e estudava o mapa da cidade percebi que ele era limitado apenas ao centro histórico da cidade, portanto não tinha a estação de trem. Fiquei preocupada, como iria me achar quando chegasse lá?&lt;br /&gt;Quando o trem chegou, antes de resolver meu problema de localização dei um pulinho no banheiro, porque no balanço do trem não me parecia uma boa idéia atender a esse chamado da natureza, e, como sempre, tive que pagar os €0,40 para usá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale fazer uma pequena observação sobre os banheiros que encontrei pela Europa: a não ser que sejam dentro de estabelecimentos, ou eles são pagos ou são inutilizáveis. Os pagos costumam ser maravilhosos, nunca faltando água ou papel e sempre muito limpos. Os gratuitos são... bom... imagine um banheiro daqueles bem ruins de posto de gasolina, só que sem as baratas (elas devem ter morrido congeladas no inverno) e certamente sem papel. Como o preço para usar um banheiro nunca é exorbitante, vale muito a pena pagar uns centavinhos pelo conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui então ao balcão de informações descobrir onde ficava a estação no meu mapa: saindo de lá era só seguir a Rue Joanne D'Arc (que aparentemente corta toda a cidade) e virar na rua do Gros Horloge (grande relógio) para chegar no Office de Turisme. Como essa rua tinha no meu mapa fiquei mais tranqüila e comecei a caminhada.&lt;br /&gt;Eu havia programado um bom walking tour para esse dia e ele partia da catedral, em frente ao Office, então me segurei para não tirar fotos até chegar lá, para não ficar com fotos repetidas no fim do dia, foi uma tarefa muito difícil, mas eu consegui! No meio do caminho achei uma loja de fotografia aberta e aproveitei para parar e esvaziar o meu chip, afinal ainda não estava nem no meio da viagem e um dos meus 2 chips de 2 gigas já estava no final. Foi o dvd mais caro que eu já paguei na minha vida, mas como estava precisando e não sabia se seria fácil encontrar outra loja paguei assim mesmo. O chato mesmo nem foi isso, foi que eles ficaram com o meu adaptador e por conta disso eu tive que me virar com um chip mais antigo, de apenas 176 megas, que ainda por cima, para o meu azar, estava com umas 30 fotos dentro que eu havia me esquecido de tirar nem sei há quanto tempo. Fazer o quê? Hoje iria economizar foto. O que é uma tarefa muito difícil, apesar das casas medievais em madeira de Rouen serem muito parecidas (do meu pobre conhecimento arquitetônico são iguais mesmo) com as de Rennes e do Mont Saint-Michel (apesar desse último ter um charme indescritível que faz até a grama parecer especial).&lt;br /&gt;Saindo da loja dei de cara com o tal grande relógio e fiquei embasbacada... ele é lindo de morrer... mas me segurei firme e fui em frente, pois mais tarde eu o veria com calma no meu walking tour.&lt;br /&gt;Chegando na praça da Catedral você só consegue pensar em duas coisas: o estilo gótico é mesmo maravilhoso e... Monet. Sim, porque ele pintou uma famosa série de quadros dessa catedral nas diversas horas do dia para captar a diferença da luz do sol, e, adivinha: ele usou como estúdio para essas pinturas um dos quartos do prédio onde hoje fica o ofício de turismo de Rouen. Na época o tal quarto era uma loja de lingerie feminina, mas ele convenceu ($$$) o dono que ele queria mesmo era pintar a catedral e não ver as clientes, que ele jurou não incomodar.&lt;br /&gt;Entrei no Office de Turisme para pegar um aparelho de audio-guide, e passei um papo nos atendentes que só queriam me ceder o aparelho se eu deixasse meu passaporte. Tive que explicar que eu não podia deixar meu documento lá porque era o único que eu tinha comigo, mas que o meu trem saía razoavelmente cedo e por isso eles não precisavam se preocupar, eu devolveria o bichinho. Nada como estar na Europa, eles acreditaram em mim e me liberaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro comentário importante: para quem for a Rouen alugue um audio-guide, que é muito bom e muito prático! Você vai andando pela cidade carregando ele e em alguns pontos ele tem uma gravação explicando tudo, essa gravação você acessa apertando o número correspondente ao lugar onde você está. Não precisa seguir ordem nenhuma, é só olhar num mapinha que vem com o aparelho o número certinho e pronto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui então para a frente da catedral esperar um "petit train", que eu queria andar antes de visitar a cidade por mim mesma. A primeira saída estava marcada para 10h, mas eu fiquei esperando até 10:10h sem nenhum sinal dele (sim, existem atrasos na França, afinal eles não são ingleses), e acabei por desistir desse passeio e resolvi começar minha caminhada auto-audio-guiada, começando obviamente pela catedral, que é mesmo de tirar o fôlego.&lt;br /&gt;Sua construção, pelo menos da parte gótica, começou em 1145 pela torre norte (torre Saint-Romain), a outra torre chamada "tour de beurre" (torre de manteiga) foi contruída 300 anos depois e seu nome é de origem controversa (não se sabe se é por conta da cor amarelada da sua pedra ou se é porque ela foi construída com dinheiro das indulgências daqueles que pecavam comendo manteiga - isso foi considerado pecado durante algum tempo em Rouen, aparentemente porque a manteiga ficou em falta). A nave ainda contem alguns elementos da antiga igreja romana e possui 3 gisants muito curiosos (para os desinformados são estátuas deitadas representando o morto cujo túmulo fica logo embaixo da estátua): um do Ricardo Coração de Leão, que, dizem, contem o seu coração; do grande herói francês de origem viking Rollon, que está vazia; e de Henri le Jeune, irmão de Ricardo e de Guillaume Ier de Normandie, filho de Rollon. Dentro da catedral há ainda uma bela capela dedicada a Joana d'Arc, onde há uma linda espada, obviamente não original.&lt;br /&gt;Saí da catedral por uma porta lateral para entrar na Rue Saint Romain, uma das mais antigas da cidade, repleta de casas dos séculos XIII, XIV, XV, XVI, XVII, XVIII e XIX. Nessa rua se encontra o atelier de Ferdinand Marrou importante artista do início do século XX, trabalhando no grande relógio e também na catedral, e mais um monte de casas belíssimas... se você bobear não vê mais nada na cidade.&lt;br /&gt;Essa rua dá numa igreja linda, chamada Église Saint-Maclou, que infelizmente estava fechada. Perto dessa igreja fica um dos lugares mais exóticos que já visitei, e que foi difícil de achar, porque sua entrada é muito escondida: o aître Saint-Maclou. Hoje ele abriga a Escola de Belas Artes, mas na verdade é um antigo cemitério usado durante a peste negra de 1348. Mais tarde, no século XVI foram construídas as galerias que ficam em torno do atual jardim para servirem de ossuário, e a Escola hoje fica nessas galerias. Por conta de sua história e propósito sua decoração é, pode-se considerar, macabra, com muitos ossos e crânios, com figuras que fazem a chamada dança macabra (entre as figuras pode-se ver a própria morte, homens, mulheres, doentes, crianças e até mesmo padres e bispos, todos em forma de esqueletos), uma alegoria de origem medieval que mostra a morte liderando as pessoas em todas as fases da vida para a cova. Bem apropriado não? Numa das paredes há uma espécie de mostruário com um gato mumificado que foi achado numa das paredes da Escola... apesar disso tudo, o aître é um lugar muito agradável e bonito. Visita imperdível.&lt;br /&gt;Saindo do aître fui para a rua Damiette, que também é linda, e cuja entrada fica de frente para a fonte com os meninos mijões da igreja Saint-Maclou, e na esquina tem a casa mais torta que eu já vi na vida. Dá até medo de passar do lado dela, porque parece que ela vai cair a qualquer momento. Essa bela rua é cheia de cafés charmosos, que me fizeram lembrar da minha fome, afinal eu só tinha comido um croissant e um copinho de café, mas ainda era muito cedo e estavam todos fechados. Resolvi continuar mais um pouco, e se eu percebesse que os restaurantes estavam escasseando eu iria voltar.&lt;br /&gt;A rue Damiette leva a outra rua muito linda, a Rue Eau de Robec , um antigo rio muito importante para a cidade (um dos braços do Sena que corta Rouen), que depois de uma reforma higiênica foi tornado subterrâneo, mas deixaram um filete d'água na superfície, com muitas mini-pontes para marcar onde ele passava. Hoje é uma linda rua limpa e iluminada, com uma mistura bizarra muito comum na Europa de novo e antigo, o que é de se esperar de uma cidade que tem muitos prédios cujo século de construção pode variar até conforme o andar do qual você está falando.&lt;br /&gt;Nessa hora resolvi que não dava mais, eu precisava comer urgentemente. Voltei a rua Damiette e fiquei esperando o restaurante que eu escolhi abrir. Foi muito em conta, por 15 euros eu comi: uma entrada de moluscos gratinados na manteiga com alho (os deuses do Olimpo ficariam com inveja desse prato); presunto ao vinho porto com batata frita; pêra cozida com sorvete de creme e calda de chocolate; e o preço ainda incluía uma cerveja. Comi devagar e até não agüentar mais. Mandando a fome pro aître saint-maclou, pude continuar meu tour.&lt;br /&gt;Fui andando até a Abbayae de Saint-Ouen, uma igreja gótica também, mas que ainda estava fechada. O que era bom, porque assim eu tive tempo para apreciar os belíssimos jardins a sua volta, com uma grama no seu auge do verde e cheia de flores (sim a grama européia dá flor!). Assim como no campo de marte em Paris, aqui as pessoas vão passar suas horas livres sentadas na grama, ao sol, comendo, conversando, fumando e lendo. Aproveitei para dar uma volta, sentir o sol, ver a bela paisagem e os restos de alguma construção anterior (provavelmente os resquícios do monastério beneditino). Aproveitei também para lembrar que foi aqui, no cemitério dessa abadia, que Joana D'Arc foi submetida à prova de abjuração em 1431, e no mesmo lugar, em 1456 ela foi reabilitada. História muito trágica e heróica a dessa virgem.&lt;br /&gt;A igreja finalmente abriu, 15 minutos mais tarde do que o indicado na porta (mais um atraso para contabilizar na viagem... ainda seriam muitos), mas valeu a pena esperar. É a igreja gótica mais iluminada que eu já vi, apesar de ser menor que a catedral ela aparenta ser maior, porque nos espaços onde deveria have capelas, aqui tudo faz parte da nave, sem divisórias, dando o efeito de amplitude, que fica ainda mais intenso por conta da luz e dos seus pilares mais finos que o comum. Enfim, é uma jóia, que náo dá para apreciar por completo, pois a parte das capelas em torno do altar são proibidas ao público. Uma pena. Mas vale mesmo assim.&lt;br /&gt;Saindo de lá, fui até a Place Saint-Amand onde há um busto de Monet e também é uma gracinha, cheia daquelas casas antigas... incrível como não dá para cansar dessas construções! Fui então ver um tipo de construção que eu não sabia que existia: um prédio gótico de uso civil (eu achava que eram apenas igrejas): o Parlement. Ele realmente parece uma igreja... não tem como dissociar... A construção fica num antigo bairro judeu da cidade, que foi demolido e o prédio foi construído por cima de um monumento judeu, o único com vestígios na Europa (por mais que eu não tenha conseguido ver nada lá, sei que estão em algum lugar). Hoje é um bairro com muito comércio.&lt;br /&gt;No caminho para o meu próximo ponto de visita, aproveitei para pegar meu chip e o dvd com as fotos, foi caro, mas pelo menos o trabalho era mesmo muito chique, com uma capinha muito bonita da loja.&lt;br /&gt;Pude seguir então para o local onde Joana D'Arc foi queimada: o Grand Marché. Era o local mais animado da antiga cidade medieval: o mercado! Não foi a toa que escolheram essa praça para queimar Joana viva. Hoje o mercado fica dentro de uma construção muito modernosa, de telhado meio torto e muito estiloso. No local onde Joana foi queimada há uma cruz imensa, que marca a altura da fogueira, e um pequeno sítio arqueológico, com tudo o que restou da fogueira: o pilori, a pira e o muro que separava a platéia do fogo. Logo atrás desse sítio e da cruz, há uma igreja construída em 1979 com 3 finalidades: reverenciar a santa, memorial civil para celebrar a heroína e um lugar para conservar os vitrais da antiga igreja Saint-Vicent, destruída em 1944.&lt;br /&gt;A igreja, mesmo sendo moderna, é uma das mais bonitas que já vi, e a única em forma de arena. Foi onde acendi minha primeira vela na viagem, porque não dá pra resistir. Primeiro, ela é emocionantemente bonita, depois a história de Joana D'Arc me toca profundamente.&lt;br /&gt;Saindo da igreja, fui ver o outro lado da praça, que é bem mais leve! Tem um belo gramado, uma fonte numa das laterais da igreja e resquícios de uma outra igreja bem mais antiga, onde o famoso escritor Corneille foi batizado. Além disso tudo, a praça é rodeada de restaurantes e lojas de souvenirs... o que é muito conveniente tanto para os vendedores quanto para os turistas. Para completar, é na praça que fica o Museu Joana D'Arc e, bem perto, o Museu Corneille. Como eu ainda queria visitar o Grande Relógio, resolvi que era melhor deixar os museus para mais tarde, caso desse tempo. Acabei não indo a nenhum, mas fica como desculpa para voltar nessa cidade maravilhosa.&lt;br /&gt;Continuei andando no meu walking tour, e fui para a Place de la Pucelle, a praça da virgem, em homenagem à Joana D'Arc, onde antigamente tinha uma fonte lindíssima (eu vi uma miniatura mais tarde para atestar esse fato), porém, por conta da homenagem, era confundida como o local onde ela foi queimada. Para acabar com a confusão, resolveram ser muito práticos: eles tiraram a fonte. Mas a praça ainda vale a visita, ainda mais na primavera, pois os canteiros ficam repletos de flores de todas as cores, e lá só tem prédios antigos lindíssimos! O mais famoso deles, o Hôtel de Bour Theroulde, infelizmente estava em obras... mais uma razão para visitar novamente Roen no futuro!&lt;br /&gt;Finalmente me dirigi ao famoso relógio! Que não só é belíssimo, como é enorme! E dá pra ver as horas à distância, o que é muito facilitado pelo fato do relógio só ter um ponteiro... mas também, isso já é fantástico se pensarmos na época em que ele foi construído: século XIV!!! E além de mostrar as horas, ainda é um relógio astronômico, pois mostra a fase da lua e o dia da semana! Para caber um relógio desse tamanho, foi necessário colocá-lo numa espécie de arco entre duas torres, sendo que uma delas contem os sinos que marcam as horas, e a construção toda é belíssima, cheia de detalhes que remetem aos símbolos da cidade e do catolicismo. Numa das torres ainda tem uma fonte muito simpática, feita em homenagem ao Ludovico XV.&lt;br /&gt;Depois de me satisfazer com as fotos externas, paguei a entrada e fui conhecer o relógio por dentro. Você entra por uma das torres, que hoje abriga um museu muito interessante, que você visita com um audio-guia (já vem incluído no preço da entrada, afinal o espaço é limitado para se manter guias e grandes placas explicativas). O museu fica na antiga casa do "relojoeiro", isto é, do responsável por manter o relógio funcionando. É uma boa aula de história, pois eu não sabia que antigamente não era qualquer cidade nem qualquer um que podia ter um relógio astronômico, e caso tivesse, ainda não era qualquer um que podia fazê-lo soar as horas! Aparentemente havia uma regra bastante rígida sobre a importância das cidades que dizia qual podia e qual não podia ter um relógio...&lt;br /&gt;Mas esse Gros Horloge em específico é um dos mais antigos da Europa, e é o mais antigo que ainda está em funcionamento! Apesar de ser construído no século XIV, os símbolos utilizados para mostrar os dias da semana são os deuses gregos que deram origem aos nomes de cada dia! Como você só consegue ver um dia de cada vez no relógio, há uma réplica para os visitantes admirarem dentro do museu de todos os dias. Além disso, o museu inclui toda a máquina desse mostro (pois depois de você ver o tamanho da máquina se chega a conclusão que só pode ser um mostro), e os sinos! Que ,obviamente, são precedidos de um aviso enorme de "não chegue perto caso estejam tocando para você não ficar surdo", que ficam no ponto mais alto da torre-museu. Como brinde você pode visitar a parte externa da torre para uma vista alucinante da cidade. Alucinante mesmo! O espaço para você andar é tão diminuto que eu fiquei muito feliz de ter terminado a bateria da minha máquina e ela não ter registrado todos os palavrões que eu disse olhando para aquela cidade maravilhosa, mas que daquele jeito me fazia me borrar de medo. Mesmo assim eu dei uma volta completa na torre! Só para dizer que eu fiz!&lt;br /&gt;Saindo da torre maldita, me sentei um pouco ao lado dos sinos para me acalmar, e então saí do museu, já recomposta, e voltei à praça da Catedral para finalmente devolver meu audio-guide. Eles dizem que dá pra fazer esse walking tour em 3 horas, mas isso é uma grande balela! Ainda mais se você for andando com calma e tirando fotos das coisas interessantes, que são muito abundantes! Devolvido o aparelhinho, vi o maldito trenzinho que eu queria ter pegado no início do dia. Como eu ainda tinha um pouco mais de uma hora para gastar, resolvi pegá-lo. O que foi um erro. Esses trenzinhos são muito mais legais como uma primeira vista da cidade mesmo, depois que eu já tinha visto tudo, e ainda por cima com comentários, aquele passeio fui muito chatinho...&lt;br /&gt;Terminado o passeio, eu ainda tinha alguns minutos, então resolvi procurar um supermercado para comprar água antes de ir para a estação de trem. Como Murphy funciona no mundo inteiro, acabei me perdendo nessa procura, justamente numa parte da cidade que não tinha no meu mapa! Mesmo assim, como eu ainda tinha algum tempo resolvi me arriscar, o que foi bom, pois acabei por achar um supermercado! Comprei minha água pelo preço mais justo possível em euros, e de quebra ainda cheguei a tempo na estação! UFA!&lt;br /&gt;Apesar de eu ter pegado o trem na hora, ele chegou atrasado em Paris... mais um atraso francês na minha conta! O que me deixou muito chateada... mas depois do que me esperava no dia seguinte seria fichinha... de qualquer forma, eu ainda não sabia disso, então me dirigi ao meu hotel, passando no cyber café 24h no caminho, para arrumar a minha mala pro dia seguinte, que seria muito cheio, pois além de visitar Chartres, eu ainda pegaria um trem para Bruxelas junto com uma amiga minha que me encontraria na estação. Depois de arrumar a mala, comi uma quantidade absurda de pistaches, o que consistia no meu jantar, e fui dormir exausta. Para completar o "dia", meus pais me ligaram no meio da noite... mas eu estava tão cansada que nem me lembro o que eu disse pra eles.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bj64Pu2JXdY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/bj64Pu2JXdY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-443811376650978824?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/443811376650978824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=443811376650978824' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/443811376650978824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/443811376650978824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/11/6-de-maio-rouen-cidade-onde-joana-darc.html' title='6 de maio - Rouen - a cidade onde Joana D&apos;Arc foi queimada'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-8251637037417784223</id><published>2008-08-09T13:35:00.006-03:00</published><updated>2008-08-09T14:38:58.716-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Igreja'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mont Saint Michel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Monumentos'/><title type='text'>5 de maio - Mont Saint Michel</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Como eu estava muito cansada por conta dos dias anteriores e o meu trem para Pontorson só saía às 9 horas, acordei um pouco mais tarde do que o costume, tomei um café razoável no hotel, que era um pouco pior e um pouco mais caro do que do hotel de Paris. Mas eu não estava preocupada com isso, só conseguia pensar na visita do dia: Mont Saint Michel, um dos pontos altos da minha viagem.&lt;br /&gt;Cheguei um pouco mais cedo na estação de trem para decidir o que fazer com as passagens que estavam faltando comprar ou agendar: Rouen, no dia seguinte, e Vézelay. Por conta dos preços de ida e volta, que eu consultei numa máquina (mas que não podia comprar porque ela só aceitava cartão com chip), acabei decidindo por comprar as passagens de ida e volta de Rouen e deixar Vézelay por conta do Eurail Pass, já que não dava para reservar lugar nesse trem. Deve ter sido por causa da mistura de sono com impaciência mais uma pitada de nervosismo (porque o caixa que vendia as passagens só abria 5 minutos antes da hora do meu trem) que não fiz a escolha mais sábia. Teria sido mais barato do outro jeito. Paciência. Faz parte.&lt;br /&gt;Entrei no trem e em pouco tempo eu estava chegando em Pontorson, que é a cidade mais próxima do Mont Saint Michel, que na verdade é uma ilha, logo o trem não chega até lá. A idéia era pegar um ônibus, cuja tabela de horários eu encontrei na Internet, do lado de fora da estação que me levaria até a ilha e no final do dia me traria de volta. Como tinham me avisado que seria muito provável, estava chovendo. E logo descobri que Pontorson é uma cidade no meio do nada, ela é tão pequena que é difícil chamar a estação de trem de estação. E não tem nada em volta além de casas e algum comércio de primeiras necessidades. Por conta disso, meu plano de deixar minha mochila num armário na estação foi por água abaixo, junto com a chuva que não parava de cair.&lt;br /&gt;Eu não tinha muito tempo para me lamentar ou ficar procurando soluções, porque o tempo entre a chegada do trem e o meu ônibus era de 10 minutos, então o mais importante era encontrar o ponto do dito cujo fantasiada de tartaruga mesmo. Se eu o perdesse teria que aguardar até depois do almoço, o que não era uma boa idéia. Do lado de fora da estação encontrei um microônibus e um cara enorme de gordo do lado, fui perguntar pela condução até o Mont Saint Michel, e era aquilo mesmo, sem número ou indicação na frente mesmo. Depois notei que tinha uma pequena folha de papel que indicava a direção no vidro dianteiro que mal dava para ler.&lt;br /&gt;De qualquer forma, aquele senhor se mostrou muito simpático, começou a me dar dicas, falando dos horários para voltar e que o tempo normalmente era ruim daquele jeito mesmo. Inclusive, ele achava que estava fazendo um dia muito ameno, nem estava chovendo tanto e a temperatura estava agradável (eu estava quase congelando!). No final acabou me perguntado de que região eu era. Ele achou que eu era francesa, veja só! Respondi que era brasileira, e ele ficou impressionado, seu francês é muito bom!&lt;br /&gt;Partimos em direção à magia do Mont Saint Michel, e na verdade essa é uma viagem muito curta, chegamos lá em uns 15 minutos. Mas vou te contar, uma das coisas mais mágicas do mundo é estar na primeira fila de um ônibus daquele, olhando em direção ao mar, cheio de brumas e vir surgindo devagarzinho o Mont Saint Michel. É do jeito que eu imaginava que seria a cena de Morgana levando Artur para Avalon, com a ilha surgindo no meio da neblina. Lindo. De longe aquela ilha já te conquista e te deixa de boca aberta. Fiquei emocionada.&lt;br /&gt;Fui deixada na entrada da ilha, que se manteve inteiramente medieval, de forma que nenhum veículo pode passar e a entrada é igual a de um castelo, com direito a ponte elevadiça e tudo o mais. Por conta da chuva fui antes de mais nada para o Office de Turisme, que fica bem no início da cidade, antes mesmo da ponte, para lá comprar um livreto explicativo e conseguir um mapa mais detalhado e que não ficasse manchado com a chuva. Mais detalhado eles não tinham, e depois entendi o porquê (não tem o que detalhar! É tudo minúsculo mesmo!), mas pelo menos ele continuaria legível com umas gotinhas. Saquei meu poncho do Astérix da mochila e o vesti, deixando a máquina fotográfica bem protegida debaixo dele. Estava pronta para começar a andar!&lt;br /&gt;Aliás, andar no Mont Saint Michel é muito difícil. É tudo tão lindo, e tão antigo, que parece que você entrou numa máquina do tempo mesmo! A cada passo que você dá a vontade de parar e ficar embasbacado é quase incontrolável. Você acaba andando a passo de tartaruga (muito apropriado no meu caso) com o queixo caído. Tudo, absolutamente tudo a sua volta é medieval ou mais antigo, todas as casas, janelas, portas... a rua é estreita e sinuosa, nem que um carro tentasse (apesar de ser proibido) conseguiria passar, tanto que para recolher o lixo no final do dia eles usam um veículo especial, adaptado para o tamanho da única rua, e por ter de ser pequeno, o lixeiro é obrigado a fazer muitas viagens.&lt;br /&gt;Tudo na cidade vive do turismo, as lojas ficam uma do lado da outra, intercaladas com restaurantes e pequenos museus particulares. As únicas coisas diferentes disso são o Office de Turisme, os correios, a polícia e a prefeitura. Tudo em casas como as demais ou instaladas nas torres de vigia das remparts (muralha medieval que circunda as cidades). A Mairie (equivalente a prefeitura), por exemplo, fica num belo arco que liga as construções internas a uma das torres.&lt;br /&gt;Meu plano era subir pela rua principal e descer pela muralha, o que era muito difícil de conseguir, principalmente no início quando há mais escadas ligando a rempart à rua e você fica querendo xeretar cada cantinho daquele museu a céu aberto... Fui subindo com alguma dificuldade, e entrando nas lojas que me seduziam com seus produtos bretões e celtas, até chegar a Église Paroissiale, com uma bela estátua de Joana D'Arc na entrada. É incrível como a igreja tinha poder, uma cidade tão minúscula como aquela não se contentava com o mosteiro localizado no alto do monte, precisava também de uma igreja no meio do caminho. De qualquer forma, a Église é linda, apesar de pequena, e estava em obras. Por conta da manutenção tudo estava deslocado para cima do altar, como numa casa em plena faxina. Uma coisa muito engraçada de se ver.&lt;br /&gt;Continuei subindo... até chegar à última casa/loja da rua e começar a escadaria que leva até a abadia do mosteiro. Haja escada! Ainda bem que você acaba subindo devagar para poder apreciar a arquitetura gótica maravilhosa do lugar. É tudo tão cheio de detalhes, com curvas, gárgulas, torres e janelas de tudo quanto é jeito que você nem sente que está subindo tanto. A entrada já é linda, ah, tudo é lindo, e, claro você tem que pagar para visitar, porque a abadia é quase toda aberta ao público, com direito a guias e audioguias (por uma taxa extra). Você visita tudo lá dentro, passando por salas e corredores labirínticos, jardins internos maravilhosos, e conhecendo todo o mosteiro. É uma coisa muito mágica. Não tem como descrever em palavras, e as fotos dão uma idéia muito pálida do que é aquele lugar. A cripta para mim foi um lugar particularmente emocionante, porque lá eu encontrei uma Madona Negra, era Notre Dame Sous Terre! Eu fiquei surpresa, porque minha viagem estava construída em cima dos lugares que eu sabia possuir esse tipo de Santa, que é um vestígio da adoração da Deusa Ísis, mas não tinha idéia que iria encontrar uma ali! E nesse caso, essa imagem ainda possui uma belíssima conotação, porque o ponto mais alto do mosteiro é uma estátua dourada de Miguel, representando a energia solar e etérea, masculina, e no ponto mais baixo fica a Madona Negra, representando as forças terrenas, uterinas e femininas, com a igreja principal bem no meio do caminho. Lindo! Simbolicamente perfeito!&lt;br /&gt;Saí de lá flutuando, com a cabeça em outro tempo e lugar... na verdade, muito bem localizada no tempo e no lugar, principalmente nesse último! Eu estava bebendo avidamente as imagens com os olhos. Desci pelos remparts, que estão absurdamente bem conservados, e parecem um corredor que limita a cidade, separando a parte habitável do precipício que dá no mar, com vistas lindas da baía. Pena que eu não dei sorte com os horários de mudança da maré nesse dia... elas seriam ou antes de chegar ou depois de ir embora. Mas a vista era bonita assim mesmo, principalmente através das seteiras (espécie de pequenos rasgos na muralha para os defensores usarem arcos e flechas sem o inimigo conseguir acertá-los). Ali daria para ter uma aula fantástica sobre defesa militar na idade média.&lt;br /&gt;Fui descendo e pensando no almoço... quando vi um restaurante de frutos do mar lotado, mas ainda tinha uma mesa vaga. Entrei e fiquei fascinada com as mesas em volta, as pessoas se fartavam de frutos do mar gigantescos! Era ali mesmo que eu comeria. Sentei e pedi o cardápio já na dúvida do que iria pedir. O garçom me entregou e foi embora. Abri com água na boca, procurando onde estavam os frutos do mar. Só tinha crepe. Como assim?, me perguntei. Chamei o senhor que estava me atendendo, eu quero o menu. Não tem mais menu. Como assim, não tem mais menu? Passou das 14h.&lt;br /&gt;Eu quase gritei de raiva, eram 14:05h. Todos a minha volta estavam comendo menu, e eu não podia mais pedir. Quase levantei e fui embora. Mas me segurei, pensando comigo mesma que provavelmente aconteceria a mesma coisa em qualquer outro restaurante que eu fosse, do jeito que estava com fome era melhor ficar por ali mesmo. Tristemente escolhi um crepe, e aproveitei que estava na janela que dava para o mar para me distrair e não ficar olhando para as mesas, e conseqüentemente os pratos, dos outros. O crepe tava até gostoso, mas a frustração estava estragando ele.&lt;br /&gt;Depois do crepe pedi um belo sorvete pra dar um ânimo no meu humor, que estava perigando ficar ruim. Mas foi só sair do restaurante e olhar novamente a vista das remparts que fiquei feliz novamente! Desci vagarosamente as rampas e escadas, absorvendo o máximo de detalhes possível, até chegar novamente na entrada da cidade. Como ainda tinha umas duas horas até o ônibus chegar, resolvi testar o meu auto-controle nas lojas. Aquilo é uma loucura, devia ser proibido. Se eu tivesse dinheiro e um modo de carregar, teria comprado quilos de bugigangas, lá tem de tudo: lembranças medievais, do Senhor dos Anéis (imitações em prata, ouro e esmalte do figurino do filme), dos Piratas do Caribe (armas principalmente), uma quantidade incontável de espadas, punhais, facas e muita, muita prata com motivos celtas/bretões. É interessante reparar pelos souvenires que a velha disputa de onde fica o Monte Saint Michel ainda é muito viva: Bretanha ou Normandia? Na dúvida, tem souvenires dos dois! E pra coroar isso tudo ainda tem o artesanato de Quimper, que uma louça linda de morrer... só que é tão cara que custa além dos olhos da cara, mais um braço e uma perna.&lt;br /&gt;Numa das lojas aconteceu um fato engraçado, como eu estava com o meu poncho uma das vendedoras veio me sacanear: e aí, foi no Parque Astérix? E, deixe-me adivinhar, estava chovendo, né? Que sorte a sua, hein? Em outra loja vi uma vendedora japonesa, que estava lá só para atender os japoneses, é claro. São tantos que eles estão contratando vendedores especializados!&lt;br /&gt;No final das contas, me surpreendi: comprei só 2 pares de brincos, um anel, um pin para minha coleção (que viria a fazer sucesso durante a viagem) e um gato de pedra com motivos celtas. Não ficou pesado, nem na mochila nem no bolso, por isso acredito que meu teste de auto-controle foi um sucesso!&lt;br /&gt;Depois de umas duas voltas pelas lojas, olhei pro relógio e faltava uns 10 minutos pro ônibus chegar. Resolvi esperar por ele sentada, pois já estava cansada, e nunca vi um ônibus ser tão pontual. E, claro, era o mesmo motorista. Ainda tive que esperar um pouco pelo trem na estação absolutamente deserta e quando ele chegou, escolhi um lugar longe de todos e fui dormindo até Rennes, onde devia fazer uma conexão.&lt;br /&gt;Quando o trem para Paris chegou, fui procurar minha poltrona, mas ela estava ocupada. Achei estranho e fui conversar com a garota que estava sentada ali, que me explicou que estava numa excursão com uns amigos e perguntou se eu não me incomodava. Respondi que não, que só não queria ficar mudando de poltrona o tempo todo, então queria saber onde era o lugar dela para trocarmos. Acabou sendo tudo ótimo, pois fiquei longe da bagunça da excursão, podendo tirar mais uma soneca, e depois comer o meu jantar em paz. Ah, sim, por conta da hora resolvi jantar no trem! Minha primeira experiência gastronômica sobre os trilhos!&lt;br /&gt;É bem interessante o esquema, tem um vagão/bar que vende pequenas refeições: sanduíches, saladas, iogurte e alguns pratos quentes pequenos, além de bebidas. Você chega lá, pede e escolhe se quer comer de pé numa bancada ali mesmo ou se leva a comida para o seu lugar, que obviamente tem uma mesinha até bem espaçosa. Eu escolhi minha poltrona, pois não agüentava mais ficar de pé. Só tem um problema: o trem balança mais do que parece, o que te obriga e tomar conta das coisas o tempo todo, principalmente das garrafas, que escorregam enlouquecidamente pela mesa e viram para tudo que é lado.&lt;br /&gt;Quando faltava uns 5 minutos para chegarmos a Paris me dirigi para a porta, e já tinha um monte de gente esperando lá. Foi então que descobri que nosso trem estava atrasado, demoraria mais uns 20 minutos para chegarmos. Era o meu primeiro trem atrasado, numa longa sucessão ainda por vir. Durante a espera um francês veio puxar papo, ele estava ansioso porque tinha um vôo marcado para Madagascar e não podia se atrasar. Foi uma conversa muito esquisita, porque ele só sabia se vangloriar de que não dormia a noite, já que trabalhava como marinheiro e por isso viajaria no meio da noite, só para não dormir. Eu disse para ele que isso não fazia sentido, mas ele entendeu como um elogio. Eu desisti e o deixei falar o que quisesse, respondendo apenas com a-hã.&lt;br /&gt;Chegando em Paris, fiquei feliz de descobrir que o metrô ainda funcionava, o que facilitava a minha volta para o hotel. Quando cheguei lá já era mais de 11h da noite. Peguei minha mala na recepção e fui carregando-a sozinha para o caixão que funcionava como elevador. Tinha um hóspede esperando, mas que gentilmente me cedeu o lugar por conta da mala. Agradeci muito e fui na frente. Chegando no meu andar descobri que o tal hóspede na verdade era meu vizinho. Nos desejamos boa noite e eu fui conhecer meu novo quarto.&lt;br /&gt;Ele era pequeno, muito menor do que o anterior, que eu dividi com o Caike, mas pelo menos o telefone funcionava direito. Eu também não tinha tempo para ficar reclamando. Dei um jeito de encaixar minha mala perto da janela, e fui lavar roupa. Só que era tanta coisa para lavar que quando deu meia-noite e meia o meu vizinho tão simpático veio reclamar do barulho. Pedi desculpas e deixei para lavar o resto no dia seguinte, se sobrasse tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-412c83016d157603" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v4.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D412c83016d157603%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D32C5E70011272AE2A4B9665C9CA99EC573954710.3C279FA6C3D9D5151866160DE8E297A19BB8F3C4%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D412c83016d157603%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DbPp6wx5S66UjYZ3n4WFZDWixcY4&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v4.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D412c83016d157603%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D32C5E70011272AE2A4B9665C9CA99EC573954710.3C279FA6C3D9D5151866160DE8E297A19BB8F3C4%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D412c83016d157603%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DbPp6wx5S66UjYZ3n4WFZDWixcY4&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-8251637037417784223?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=412c83016d157603&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/8251637037417784223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=8251637037417784223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/8251637037417784223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/8251637037417784223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/08/como-eu-estava-muito-cansada-por-conta.html' title='5 de maio - Mont Saint Michel'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-2337968233953172927</id><published>2008-08-02T18:01:00.021-03:00</published><updated>2008-08-02T18:55:24.616-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rennes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Igreja'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Monumentos'/><title type='text'>4 de maio - Rennes - o segundo começo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Acordei cedo, com o Caike saindo do quarto para pegar o translado para o aeroporto às 4:30h da manhã. Depois que ele foi embora não consegui mais dormir. Agora a minha viagem sozinha estava começando e o nervosismo bateu de verdade. Um monte de coisas que as pessoas tinham me perguntado sobre viajar sozinha estavam me atormentando... resolvi que era melhor tomar um banho bem quente, deixar tudo pronto e cochilar até a hora de sair.&lt;br /&gt;Acordei o mais tarde possível, deixei a mala gigante e a sobra do vinho no saguão do hotel mesmo, e levei o café da manhã comigo para comer no trem, que saía às 8:05h e levava pouco mais de 2h para chegar em Rennes. A idéia era dormir em Rennes nesse dia, no dia seguinte ir pro Mont Saint Michel e voltar a Paris à noite, de forma que uma mochila com uma muda de roupa seria o suficiente, o resto me esperaria no hotel, onde eu ficaria nas 2 noites seguintes, até a próxima viagem de longa distância.&lt;br /&gt;Tudo resolvido, peguei o metrô e fui para a Gare Montparnasse. Como era a minha primeira viagem, perdi as setas dentro do metrô que levavam direto para a estação, e acabei saindo no meio da rua deserta. Olhei em volta e vi uma placa que indicava o caminho para a estação. Comecei a andar naquela direção, mas meu instinto estava afiado e eu senti que tinha algo errado. Vi um gari e resolvi perguntar, e ele me deu outra direção. Resolvi confiar no parisiense laranja.&lt;br /&gt;Ele estava certo e acabei encontrando a estação, que é enorme! Tem diversos terminais, cada um para determinadas cidades... procurei por Rennes e lá estava o meu terminal. Por precaução eu estava com tempo sobrando e me sentei para esperar o trem chegar. Quando faltavam apenas 15 minutos desci para minha plataforma para xeretar, porque me intrigava saber como achar o meu vagão no pouco tempo que o trem ficaria na estação. Logo percebi que na plataforma tinha um quadro com um trem iluminado e cheio de números, cheguei mais perto e vi que lá tinha o trem com os vagões e eles ficavam localizados nos seus respectivos "repères", uma espécie de subdivisão da plataforma justamente para facilitar a vida dos passageiros. Achei fantástico! Fui para o meu "repère" e na hora exata o trem chegou. Eles são pontuais mesmo quando não se atrasam, impressionante. Subi e fui para a minha poltrona na primeira classe, que parecia mais confortável que a da segunda classe que eu vi de passagem no outro vagão. Sentei e comecei a tomar o meu café: pequenos sanduíches de queijo fortíssimo, que deixaram a minha mochila fedida quase ao insuportável.&lt;br /&gt;A vista do trem do caminho para a Bretanha é belíssima, e muito parecida com a do avião, com muito verde, pequenas fazendas, aqueles cata-ventos enormes para captar energia eólica e micro cidades, daquelas que eu aprendi na Aliança Francesa que são abundantes na França, com apenas umas duas dúzias de casas e uma igreja, normalmente desproporcional ao tamanho do lugar. Entre uma micro cidade e outra, aproveitei para dar pequenos cochilos, até que anunciaram a estação final: Rennes.&lt;br /&gt;Eu estava munida de um pequeno mapa tirado do site do ofício de turismo da cidade, que tinha algumas ruas do centro histórico e a localização da estação de trem. A primeira coisa que fiz foi tentar arranjar um mapa melhor na estação, no que não dei muita sorte, porque se o meu mapa era ruim de ler, aquela xerox que me deram era muito pior. Mesmo assim fiquei quieta ao recebê-lo e aproveitei para perguntar onde ficava o meu hotel, bem em frente à estação foi a resposta. Animada, saí e fui à procura! Não achei o hotel na praça onde ele devia ficar... achei estranho, como o rapaz na estação sabia onde ele ficava, eu tinha certeza de que o hotel existia. Entrei numa rua e comecei a procurar... até que me convenci de que não era a melhor tática a adotar. Voltei pra praça decidida a procurar de novo. Vi um hotel com um nome parecido com o meu, mas era diferente. Resolvi entrar e perguntar. Era ali mesmo. Não entendi nada, como um hotel pode ter um nome na Internet e outro na fachada? Mas eu não ia ter essa discussão filosófica com o recepcionista. Deixei a mochila no quarto e fui com o meu casaco/mochila bater perna. Mas antes tive que fazer uma parada estratégica no banheiro, porque meu intestino nunca tinha absorvido tantos lactobacilos em tão pouco tempo... era o efeito colateral dos queijos franceses. Saindo do hotel aproveitei para no caminho pegar um mapa decente na recepção!&lt;br /&gt;Fui em direção ao centro histórico da cidade e fiquei meio desanimada, Rennes tinha cara de subúrbio moderno. Nada de realmente interessante, com ruas e avenidas largas para uma cidade medieval. A Rue de Janvier, que segundo o meu mapa, dava no centro, é cheia de lojas bem novas e mais sofisticadas.&lt;br /&gt;Entrando na Rue Toullier, a primeira do meu circuito, me encontrei no verdadeiro centro histórico, e aí sim Rennes me conquistou com suas casas de madeira, construídas dessa forma desde o século XIV até o XIX. A única coisa que logo ficou evidente, e confesso que me deixou chateada, é que estava tudo, absolutamente tudo, fechado. Era domingo, e até os restaurantes menores não abriram. Aquilo parecia mais uma cidade fantasma, com pouquíssimas pessoas na rua. Uma desolação, ainda mais para o meu primeiro dia sozinha.&lt;br /&gt;Para elevar o espírito, entrei na primeira igreja do meu circuito, Église de Toussaints (Todos os Santos), que estava em plena missa. Para não atrapalhar as pessoas, dei uma volta pela nave bem discretamente, evitando as capelas próximas do altar, e tirei apenas uma foto de uma estátua no fundo, perto da porta principal, para não incomodar ninguém. Confesso que depois de tudo o que eu havia visto em Paris, essa igreja não me impressionou.&lt;br /&gt;De lá segui por outras ruas estreitas e tortuosas, todas de pedra, uma mais curiosa que a outra, até chegar no limite do centro histórico, onde há um templo protestante, e o culto tinha acabado de terminar e as pessoas estavam saindo. Continuei pelo meu circuito e passei em frente ao mercado popular, que estava vazio, com muita coisa fechada, e a pequena parcela de vendedores que estavam trabalhando em nada se diferenciavam daqueles da Cobal do Humaitá. &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTR7TmK3hI/AAAAAAAAADo/f2n_vQDyleQ/s1600-h/DSC02860.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230035884086844946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTR7TmK3hI/AAAAAAAAADo/f2n_vQDyleQ/s200/DSC02860.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Continuei caminhando até a Place de la République, essa sim digna de nota. Nela fica o Palais du Commerce, uma construção muito grande e bonita do século XIX, com umas arvores plantadas em caixas quadradas na frente, que são muito comuns na Europa (desconfio que são laranjeiras, mas não tenho certeza, pois nos castelos elas são plantadas assim).&lt;br /&gt;De lá entrei no mundo do Senhor dos Anéis, na Rue de Rohan (até tirei uma foto para comprovar!), que é onde começa mesmo a cidade velha, que fica no centro do centro histórico, onde você volta a andar por ruas estreitas, apenas com casas de madeira e chão de pedra... uma coisinha linda! Pena que a praça do Calvário estava em obras... mas logo se percebe que sempre tem algo em obras nos países desenvolvidos... lá elas nunca terminam, pois sempre há algo para melhorar e eles não deixam para depois, além de que é na primavera que se consertam os estragos provocados pelo inverno.&lt;br /&gt;De lá peguei uma outra rua repleta de charme, uma das mais bonitas de Rennes, a Rue de Saint Yves, onde fica a antiga Chapelle Saint Yves, que hoje é o ofício de turismo da cidade. A pobre capela está tão destruída e desfigurada que a visita vale mais pelas informações turísticas do que pela visita. Aliás, essa área toda é uma coisa fora de série, depois dessa rua tem mais uma que também é linda: Rue des Dames, que dá na principal igreja da cidade, a Catedral de Saint Pierre, que quando eu cheguei estava fechando para o almoço, só abrindo três horas depois, num dos intervalos para almoço mais longos que já vi, só na Espanha é pior. Eu ainda não sabia disso, mas foi muito providencial ter deixado essa igreja para visitar por último, na hora fiquei um pouco chateada, mas ainda tinha muita coisa para ver e por isso segui em frente, sem dar tempo para lamentações. &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTTHb53mFI/AAAAAAAAADw/2Eq-wYwKIrk/s1600-h/DSC02872.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230037191987009618" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTTHb53mFI/AAAAAAAAADw/2Eq-wYwKIrk/s200/DSC02872.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De lá, segundo o meu mapa, tinha as Portes Mordelaises para visitar. Eu não tinha idéia do que se tratava, imaginei arcos medievais para se passar no meio ou numa praça. Continuei andando e continuei sem saber o que eram essas portas, tudo o que vi foi um castelo medieval com um belíssimo jardim florido na frente. Hoje, procurando no Google descobri que o tal castelo é a Portes Mordelaises... que nome mais inapropriado.&lt;br /&gt;Perto do castelo fica uma praça simpática, mas com muita cara de Paris do interior, a Place du Bas de Lice, que é sem graça se comparada com outras partes de Rennes, porém, inesperadamente, ao lado dela tem outra praça, essa sim imperdível! É a Place Saint Michel, que é um point da cidade, juntamente com a sua continuação, a Place du Champ Jacquet! São duas praças cercadas de ruas, com tudo lotado de bares e restaurantes. É engraçado ver como a Bretanha respira o passado, tentando passar uma imagem às vezes mais medieval e fantástica do que a realidade. A quantidade de pubs e restaurantes com nomes que lembram a lenda Rei Artur ou até mesmo o Senhor dos Anéis é assustadora. Chega a ser difícil encontrar um lugar com um nome "normal".&lt;br /&gt;Como ainda estava cedo e eu estava adiantada no meu circuito turístico, resolvi mudar o caminho e explorar para fazer hora. Entrei na Rue des Innocents (para quem gosta de Anne Rice é uma referência interessante para o Cemitério Les Innocents, que chegou a existir mesmo em Paris e... bom, isso faz parte de uma outra história que será contada mais a frente na viagem. Foi nessa área que achei uma loja que oferecia Internet! Bom, não era uma lan-house, e sim uma mercearia misturada com bar, numa casa histórica e administrada por árabes. Aliás, como tem árabe em Rennes! Os computadores, apenas 3, ficavam nos fundos, tudo muito empoeirado e com uma Internet lenta de doer. Mas eu tinha que mandar notícias para a minha mãe e buscar novidades do Caike, então me conformei e acessei rapidamente meus e-mails. Bom, rápido em termos, né? De qualquer forma, foi a Internet mais barata que vi na França, pois os vendedores marcavam eles mesmos o tempo de conexão, e como ficavam batendo papo (em árabe) o tempo todo com os fregueses árabes também, não estavam muito preocupados com o tempo que você passou no computador, contando bem menos tempo do que a realidade. O que no fundo, foi justo, dada a lerdeza da conexão e do computador em si.&lt;br /&gt;De lá entrei na Rue de Saint-Louis e fui para uma praça fora do meu circuito, a Place de Sainte Anne, que estava deserta. Lá tem uma igreja muito linda, a Église de Sainte Anne, que, para minha surpresa, é uma das mais bonitas de Rennes! Para meu desconforto, havia um grupo de quase bêbados sentados na escadaria, e assim que cheguei um deles foi logo avisando que a igreja estava fechada, e outro logo retrucou que não, ela estava aberta. Começou uma pequena discussão entre os dois enquanto um terceiro me aconselhou verificar pessoalmente, e, graças a deus, ela estava aberta e eu entrei rapidinho.Pra variar, a igreja é tão alta que quase chega a dar vertigem quando se olha para cima, e e toda branca por dentro. O transcepto é coberto quase até o teto de placas de agradecimento por milagres de Santa Ana, uma coisa emocionante!&lt;br /&gt;Saí de lá animada, e me despedi dos bêbados nas escadas, saindo um pouco mais rápido do que o normal, pois eu estava sozinha e a praça vazia, não queria arriscar... fui até a Place de Hoche, que é bem bonita também, mas sem nenhum marco importante, e entrei na Rue Saint Melaine, onde, adivinha, tem mais uma igreja chamada, adivinha de novo, Église de Saint Melaine. São coisas que eu não consigo entender, essa igreja bem mais acabada e feia, apesar de ser um monumento histórico de importante, está no circuito turístico, mas a Sainte Anne que é bem mais bonita não está. Não faz sentido pra mim... mas enfim, essa é uma igreja que vale pela sua importância como monumento histórico (afinal ela data do século XI) e pela torre que é muito bonita, de estilo romano. Por dentro, ela é austera demais, ficando bem sem graça, fora que seu estado de conservação não é dos melhores.&lt;br /&gt;Saindo da igreja e entrando na Rue du M. Guillandot, você vê na esquina du Rue Gambetta (aparentemente uma via bastante importante da cidade) a piscina municipal. Outra coisa de país desenvolvido: piscina pública de qualidade. A entrada tem ares de art nouveau, mas o estilo é outro que eu desconheço, e é muito bonita, com jardins nas laterais. Também não está no circuito, mas vale passar na porta para dar uma olhada. &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTVuOHXMQI/AAAAAAAAAEA/I9wlz7dtfrs/s1600-h/DSC02958.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230040057323663618" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTVuOHXMQI/AAAAAAAAAEA/I9wlz7dtfrs/s200/DSC02958.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De lá peguei a Rue Saint Georges, que te leva novamente para a cidade medieval, e tem algumas das casas de madeira mais lindas da cidade, com suas vigas de madeira entalhadas lindas... muitas contando histórias de santos. Uma das que eu vi pela cidade tinha o martírio de São Sebastião, com ele amarrado numa viga enquanto na outra viga ao seu lado mostrava o arqueiro. Tudo bem pintado e bem conservado, uma beleza.&lt;br /&gt;No final da Saint Georges fica mais uma igreja, a Saint Germain, que infelizmente estava fechada, para meu azar ela só abre uma vez na semana, e não é aos domingos. Então segui em frente e fui até a Place du Parlement de Bretagne, que é muito bonita, com um belo jardim à frente do Parlamento, que já é por si só um espetáculo a parte, com a sua imponência, e um interessante relógio de sol no centro da fachada.&lt;br /&gt;Essa área é, na verdade, repleta de prédios públicos, pois bem perto fica a Place de la Mairie, que é no mínimo curiosa. Se trata de uma praça onde, obviamente, fica a prefeitura, e consiste numa praça de tamanho bastante razoável com um prédio de cada lado, sendo que os eles se encaixam um no outro, isto é, um tem a entrada saltada para fora da fachada num semi-círculo, enquanto o outro tem a fachada num semi-círculo só que para dentro. Pra variar a praça está cheia de árvores plantadas em caixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamento aleatório, mas nem tanto: o francês é mesmo metódico, acho que eles preferem manter as pobres árvores assim não só para controlar o seu crescimento mas também para facilitar a sua locomoção de um lugar para o outro e dessa forma poder mudar os jardins a seu bel-prazer sem ter de esperar as árvores crescerem de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTUundna7I/AAAAAAAAAD4/xEQ4JfnIBhc/s1600-h/DSC02926.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230038964616260530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTUundna7I/AAAAAAAAAD4/xEQ4JfnIBhc/s200/DSC02926.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nesse momento cheguei a conclusão que era melhor parar para almoçar. Então peguei meu mapa, e depois de percorrer algumas ruas, voltei a Place du Champ Jacquet. Estava tudo deserto, apesar de ser plena hora do almoço, escolhi uma creperie, e finalmente descobri o que é raclette!! Imagine um crepe, só que a massa é apenas de queijo crocante, isso é uma raclette. Em outras palavras, é uma iguaria culinária! Só tem um problema, dificilmente dá pra comer mais de uma, mas também não segura a fome por muito tempo. Além disso, como rapidamente eu descobri, não segura muito o vinho. Apesar de ter tomado apenas uma taça, saí do restaurante tontinha. Por conta disso dei mais uma voltinha na Place Saint Michel até conseguir achar o caminho para a Place Rallier du Baty, que também é um point da cidade, e possui um muro do século XV que é um prolongamento de um muro ainda mais antigo, da época galo-romana. Incrível como essas coisas surgem no meio das cidades na Europa... a presença da história é quase opressiva!&lt;br /&gt;Segui então por mais umas ruas (R. du Clisson, R. de Mont Fort e R. du Chapitre) à cata de mais casas lindas de morrer, com suas vigas de madeira entalhas e coloridas, na verdade, é facílimo de achar essas construções em Rennes.&lt;br /&gt;Finalmente eu estava de volta a Église Saint-Pierre, que deve mesmo ser visitada no final, pois tão muito linda que deixa a todas as demais no chinelo. Ela parece um palácio por dentro, com uma quantidade quase incontável de pinturas nas paredes e no teto, este último é todo dividido marcando as "molduras". Muito bonita mesmo. De estilo neoclássico, essa igreja do século XIX é uma das mais novas da Bretanha, e sua colunas internas são todas de mármore amarronzado, combinando com a pouca luminosidade do local.&lt;br /&gt;Saindo da igreja peguei a Rue de la Monnaie, que também é cheia de casas lindas, e fui andando por um pequeno labirinto formado pelas ruas Sant Guillaume e Saint Sauveur, onde achei mais uma igreja, chamada, você só tem uma chance, Église Saint Sauveur. É incrível como Rennes tem igrejas... Enfim, entrei, e me surpreendi, por mais que ela parecesse sem graça por fora perto de todas as outras da cidade, ela é uma das mais bonitas por dentro, rivalizando com a Saint Pierre.&lt;br /&gt;Foi nessa igreja, na verdade, uma basílica, que algo muito entranho aconteceu. Eu estava dando a minha volta pela nave, admirando as esculturas, vitrais e a arquitetura quando uma velhinha de cabelos completamente brancos e olhos profundamente azuis chegou perto de mim e perguntou: o que você está procurando? Ela me pegou totalmente sem guarda com essa pergunta. De repente comecei a pensar, bom, essa minha viagem parecia mesmo uma procura, mas não sabia bem do quê. Eu a tinha planejado de forma que parecia uma espécie de peregrinação, mas não consegui achar uma razão ou um objetivo nisso. Como eu fiquei calada e demorei a responder que, bom, eu estava ali de turista, ela perguntou de onde eu era. Respondi que era brasileira, no que ela replicou que o meu francês era muito bom (fiquei tão feliz!) e que eu lembrava uma amiga dela que também era do Brasil, que tinha vivido em Rennes alguns anos antes de voltar para os trópicos. Nisso ela indagou se no Brasil as pessoas eram católicas, eu disse que o país era muito católico sim, o que não deixa de ser verdade, o que a deixou muito contente e ela se animou: você sabia que aqui houve um milagre? É mesmo? Sim, no século XVI Maria apareceu ali (e ela me levou para o local dentro da igreja) e falou com as crianças que estavam rezando que os ingleses estavam se aproximando, as crianças contaram para todos e por conta disso a cidade teve tempo de se preparar para o ataque, que ocorreu uma semana depois e, claro, foi rechaçado. Nisso ela perguntou se no Brasil também havia aparições de Maria, e eu lhe disse que sim, que já tinha ouvido falar de algumas, o que a deixou feliz.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTW5sD_YYI/AAAAAAAAAEI/8h-8-WYNhok/s1600-h/DSC02963.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230041353852772738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTW5sD_YYI/AAAAAAAAAEI/8h-8-WYNhok/s200/DSC02963.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fiquei meio abismada com a tal história e com o fato daquela senhora simpática estar me contando isso, assim, meio sem razão. Ela ainda me levou para um balcão ao lado da entrada e me entregou o folheto explicativo com a história da basílica (coisa muito comum na Europa, esses panfletos, e normalmente eles têm um preço simbólico de 1 ou 2 euros), eu lhe disse que estava sem dinheiro para pagar por ele, mas ela disse para não me preocupar, era um presente dela. Fiquei feliz e lhe agradeci muito, ela sorriu e perguntou o que eu tinha achado da igreja, respondi que era uma das mais bonitas da cidade, o que ela gostou de ouvir. Então saímos e ela indagou quanto tempo eu ficaria ali, lhe disse que infelizmente era só por um dia, pois eu estava rodando a França, ela ficou impressionada e perguntou aonde mais eu iria, e minha resposta a agradou muitíssimo, apesar dela achar que eu devia ver mais a Bretanha, e que tinha certeza de que eu iria adorar o Mont Saint Michel no dia seguinte.&lt;br /&gt;Nos despedimos ali, e eu resolvi procurar um lugar para jantar. Aquela raclette não tinha sido o suficiente. Rodei novamente todo o centro histórico, à cata de um restaurante, mas ainda estava tudo fechado, com cara de que não ia abrir mesmo, apenas um pub ou outro estava aberto, mas eu queria um prato de verdade, não beliscos. Enquanto eu dava voltas cheguei a cruzar mais algumas vezes com a senhora da igreja, que sempre sorria e dava um leve aceno.&lt;br /&gt;Resolvi que era melhor tentar no Av. Jean Janvier, aquela mais moderna que eu tinha visto de manhã, e dessa forma eu ainda estaria mais perto do hotel, o que era bom, pois minhas pernas estavam reclamando muito. Finalmente entrei num hotel que tinha um belo bistrô na entrada e comi uma salada simplesmente divina de peixes defumados, com um delicioso chá de caramelo (que eu tinha aprendido a apreciar no Japão) para acompanhar. Foi ótimo, comi saboreando cada pedaço enquanto tentava entender a conversa incompreensível de um grupo americano que mais pareciam rappers numa mesa próxima. Acabei desistindo e terminei aquele jantar maravilhoso. Voltei para o hotel e fui dormir cedo, estava cansadíssima e o dia seguinte seria longo, muito longo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-2337968233953172927?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/2337968233953172927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=2337968233953172927' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/2337968233953172927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/2337968233953172927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/08/4-de-maio-rennes-o-segundo-comeo.html' title='4 de maio - Rennes - o segundo começo'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SJTR7TmK3hI/AAAAAAAAADo/f2n_vQDyleQ/s72-c/DSC02860.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-2163011823487900767</id><published>2008-07-10T23:29:00.009-03:00</published><updated>2008-07-11T00:02:27.639-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Montmartre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Monumentos'/><title type='text'>3 de maio - o "último" dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHbJ1dPE67I/AAAAAAAAACo/zC_qNrwecRo/s1600-h/DSC02815.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221582738200783794" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHbJ1dPE67I/AAAAAAAAACo/zC_qNrwecRo/s200/DSC02815.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esse seria o último dia do Caike comigo na viagem, na madrugada ele pegaria o translado para o aeroporto e eu continuaria a dormir até a manhã do dia seguinte, continuando a viagem pela França. Por conta do futuro cansaço com as malas que seriam fechadas à noite e da já certa falta de sono, resolvemos que era melhor relaxar um pouco e dormir até mais tarde para descansar o máximo possível, sem perder tempo demais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dessa forma, acordamos razoavelmente tarde, e tomamos o café no hotel mesmo, com toda a calma do mundo. Pegamos o metrô e fomos visitar uma igreja que me recomendaram muitíssimo, a Madeleine. Essa construção, de arquitetura neoclássica, demorou para conseguir sair do papel. Inicialmente ela seria construída em meados do século XVIII, para substituir uma igreja consagrada à Madalena que, para variar, tinha se tornado pequena demais para a população da região. Porém, com o advento da revolução francesa, péssima época para construir igrejas, sua construção foi embargada, o terreno vendido, e muitas peças vendidas para artesãos. Mais tarde, Napoleão escolheu a localização para erigir um templo às forças armadas francesas, e escolheu o trabalho de um artista que se baseava nas antigas construções gregas e romanas, porém o templo não chegou a ser terminado por falta de dinheiro. Após a retomada do poder pelos monarquistas, a idéia de construir uma igreja voltou à tona, e depois de muitas idas e vindas com direito a inúmeras adaptações de projeto, em meados do século XIX, a Madeleine foi terminada e consagrada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Hoje é uma das igrejas mais bonitas da cidade, bem mais baixa que as demais catedrais, pelo menos por fora, com muitas estátuas de santos por todo o lado de fora da igreja, alternando com as colunas neoclássicas. Tudo lotado de detalhes, de forma que não deixa nada a dever às construções góticas. Sua porta principal possui os sete pecados capitais escavados na madeira, e em cima há uma enorme cruz, que à noite se pode ver de uma grande distância por conta da iluminação vermelha.Por dentro a igreja também é neoclássica, lembrando muito o panteão, cheia de colunas e o teto repleto de afrescos. O altar principal é lindo de morrer, com uma lindíssima imagem da Ascenção de Madalena. Inclusive, em termos de estatuária, essa igreja é das mais bonitas que já vi, e também das mais controversas. Logo na entrada há uma coroação da Virgem que você jura de pé junto que é uma cena de casamento, com direito a alianças e tudo, e pelas longas madeixas de nossa senhora ela parece mais Madalena mesmo. Mas essa é outra discussão.&lt;br /&gt;Até a música é diferente na Sainte Madeleine, o órgão aqui toca composições mais alegres e vivas. Posso dizer que foi uma das igrejas que mais me agradou em toda a viagem, com sua atmosfera calma sem ser austera, além de ser razoavelmente iluminada, com um destaque quase que desproporcional para o altar e, por consequência, a figura de Madalena. Aliás, a primeira visão desse altar é de tirar o fôlego, de tão bonita.De lá saímos rejuvenescidos pela beleza da igreja, para novamente pegar o metrô até o bairro da boemia de Paris e cenário do último filme francês de grande sucesso, Amélie Poulain: Montmartre.Descendo na estação, pegamos a primeira saída que vimos, e fiquei sabendo depois, a pior alternativa possível. Montmartre é um morro, o único da cidade, e o metrô continua sempre no mesmo nível. Resultado, pegamos uma escada para sair que não terminava nunca, e vimos vários turistas, e até mesmo parisienses, parando no meio do caminho para descansar, porque era muito difícil subir aquilo tudo de uma vez só, haja fôlego!&lt;br /&gt;Chegando na superfície, pelo menos fomos recompensados pela vista da Place des Abesses, uma pracinha muito linda e bem calma, de cara para uma igreja com fachada art nouveau: Saint-Jean l'Evangéliste, também conhecida como Saint-Jean-de-Montmartre. Paramos para dar uma olhadinha nela, é claro. Essa construção, projetada por um discípulo do arquiteto responsável pela restauração da Notre-Dame, foi erguida durante a virada do século XIX para o XX, com muita influência art nouveau, é uma das raríssimas igrejas consideradas inovadoras datadas de antes da primeira guerra mundial. E ela é muito bonitinha mesmo, valendo uma visita quando se estiver passeando pelo bairro.&lt;br /&gt;Nossa idéia era seguir um roteiro do meu guia de Paris, uma caminhada de 90 minutos por Montmartre (jamais acredite no tempo dessas caminhadas, sempre demora muito mais do que diz o guia). O problema é que a principal atração do quartier não estava no roteiro, a Sacré Coeur, e ainda queríamos procurar uma mala para o Caike poder voltar com tudo o que havíamos comprado até então, portanto resolvemos fazer um desvio nos nossos planos e ver primeiro o cartão postal do bairro, a igreja.&lt;br /&gt;Se tínhamos achado a Torre Eiffel e o Trocadéro uma farofada, era simplesmente porque ainda não tínhamos visitado Montmartre. A entrada para parque onde fica a igreja é lotada de camelôs, e de pessoas tentando tirar dinheiro dos turistas tentando mostrar "truques". O negócio é fingir que nem tá vendo nada e passar batido, no máximo pedindo um "pardon" e um "non, merci". Passando da barreira humana, você chega no próximo obstáculo: as escadas. São muitas e parecem intransponíveis. Mas acredite, não é tão difícil quanto parece, e qualquer coisa você pode se divertir escolhendo qual delas pegar (tem 2 centrais e mais 2 laterais, sendo que as laterais têm sombra!) e mudando de escada nos platôs, de onde se tem uma bela vista da cidade, que vai melhorando conforme se sobe.&lt;br /&gt;Nos platôs também tem mais camelô, só que um pouco menos concentrado (o espaço é maior), e dessa vez artistas de rua: estátuas vivas, palhaços, malabaristas, músicos... tem pra todo gosto. Ainda mais no final de semana, que foi quando fizemos nossa visita. E no gramado novamente se pode ver os parisienses no seu dia a dia de verão: todos esparramados na grama, lendo, ou batendo papo em rodinhas regadas a comida e a vinho... só que como aqui o terreno é inclinado, faz menos sucesso que o campo de marte e outros parques da cidade, como vim a descobrir mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHbKoFteKKI/AAAAAAAAACw/imLBfCzSPts/s1600-h/DSC02827.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221583608059144354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHbKoFteKKI/AAAAAAAAACw/imLBfCzSPts/s200/DSC02827.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fomos subindo as escadas debaixo de um sol maravilhosamente quente, do qual eu estava sentindo falta por conta dos dias anteriores, escolhendo as laterais por conta da sombra proporcionada pelas plantas. Fizemos uma parada estratégica no platô anterior à igreja, que tem belíssimas fontes de água (usadas como piscina pelas crianças), onde sentamos e descansamos apreciando a bela vista da cidade. Obviamente aproveitamos a ocasião para tirar um monte de fotos, inclusive muitas tentativas frustadas de tirar auto-retratos com Paris ao fundo (minha técnica de auto-retrato evoluiu muito durante a viagem). E quando nos demos por satisfeitos, fomos enfrentar a fila para entrar na Sacré Coeur. &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHbLTNys__I/AAAAAAAAAC4/NP3y9K_mk9c/s1600-h/DSC02833.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221584348962947058" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHbLTNys__I/AAAAAAAAAC4/NP3y9K_mk9c/s200/DSC02833.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Essa igreja na verdade é uma basílica, construída por conta de um decreto de 1873 para expiar os pecados dos communards (participantes da comuna de Paris) derrotados em 1871. Sua construção demorou quase 40 anos para ser terminada, e ela só foi consagrada depois da primeira guerra mundial. Em forma de cruz grega, suas cúpulas lembram muito as de uma mesquita por conta do formato, e ela é muito branca por fora por conta da pedra utilizada, o que a deixa lindíssima num dia claro de céu azul, como o que demos a sorte de pegar. Porém ela é cheia de restrições, mais do que a Notre-Dame! É proibido tirar fotos do interior da igreja, mesmo sem flash, com direito a seguranças expulsando os turistas que quebram a regra! O que, depois pensando bem, nem é tão terrível assim, visto que como a grande catedral, essa basílica é muito mais bonita por fora do que por dentro. Deve ser karma das igrejas famosas de Paris. A única coisa digna de nota no interior da Sacré Coeur é o mosaico da cúpula principal, que chama atenção pelo seu tamanho, não necessariamente pela sua beleza.&lt;br /&gt;Quando conseguimos entrar estava começando uma missa. Resolvemos sentar e ver, eu estava na esperança de ouvir uma missa polifônica ou um canto gregoriano... mas ao invés disso, era só o padre falando mesmo, as pessoas se acotovelando para visitar a igreja e turistas sendo expulsos por tirar fotos. Para piorar do meu lado sentou um autêntico francês... com um cheiro que perfume nenhum conseguia disfarçar. Esperamos até o máximo da nossa paciência para ver se tinha algum tipo de canto, e quando percebemos que ia ser só aquilo mesmo, discretamente nos levantamos e fomos embora.Decretamos então que era hora de começarmos nosso walking tour. Fomos direto para uma das maiores ruas do quartier, a Boulevard de Rochechouart, onde, logo percebemos, é a rua da Alfândega de Paris. Era ali mesmo que acharíamos a mala por um preço em conta. Entramos numa loja e perguntamos pela marca que o Caike queria, Samsonite. Não tinha. Continuamos andando e achamos outra loja, que também não tinha, porém a vendedora foi muito simpática e nos indicou um lugar que ela sabia que teria. Lá fomos nós atrás da tal loja, que conseguimos achar! E tinha a maior cara de loja do Saara... só que os produtos pareciam verdadeiros. Fomos para o segundo andar, onde ficavam os modelos Samsonite, e fomos atendidos por um francês/argelino muito simpático que arranhava português. Acabamos por comprar 2 malas, uma para o Caike, bem parecida com a que eu estava levando na viagem, só que de melhor qualidade, e outra para mim, só que dessas tipo sacolão, que eu queria guardar dentro da minha mala, porque meus instintos diziam que eu iria precisar de uma. Guardamos uma dentro da outra e partimos para conhecer as ladeiras do bairro mais boêmio de Paris.&lt;br /&gt;Pela nossa localização começamos o tour no sentido contrário e do meio do caminho, o que complicou um bocado na hora da gente achar as ruas para entrar, mas conseguimos nos virar e ainda antes do almoço vimos o prédio onde funcionou o famoso Chat Noir (o teatro de sombras), o cinema mais antigo de Paris (e provavelmente do mundo, que hoje abriga um teatro), o primeiro cabaré de cancã do quartier, e uma das casas onde viveu Van Gogh! Diga-se de passagem, o holandês me perseguiu pela Europa... mas não vou adiantar a viagem.&lt;br /&gt;Fomos seguindo o roteiro até o seu início, a Place Pigalle, descrita como um lugar animadíssimo! É realmente bastante cheia... é uma praça bem grande, com um sem número de restaurantes e mais algumas casas de "show", leia-se strip tease. Como estávamos carregando a mala a tiracolo (na verdade era o Caike que carregava a mala no ombro), achamos que ali nós teríamos um boa diversidade de lugares para escolher onde almoçar. Entramos num bistrô cujo menu na porta parecia atraente e sentamos. Entregaram o menu oficial e começamos e escolher... logo percebi que eu não estava gostando muito daquelas opções... puro mal-humor de cansaço, mas precisava descontar em algo, né? O menu não tão interessante era a melhor vítima. Então levantamos e saímos.&lt;br /&gt;Fomos dando a volta pela praça e decidimos tentar novamente num bistrô com um jeitão bem alternativo, parecendo uma mistura improvável de comida francesa com indiana, um leve toque árabe e uns pratos bem orientais (chineses mesmo). Pra completar a bagunça cultural e fazer uma boa demonstração do que é a globalização estava tocando Seu Jorge no fundo, o que foi ótimo... eu já estava com saudade da música brasileira.&lt;br /&gt;Enfim, era ali mesmo que mataríamos a fome, pegamos o menu com o garçon e foi aí que aconteceu o único incidente esquisito com garçons na França: ele nos entregou o menu com a comida e a carta de vinhos, mas nós estávamos cansados e não queríamos beber nada alcoólico, então eu pedi a ele o menu com as outras bebidas. Inconformado que alguém pudesse almoçar bebendo algo que não fosse vinho, ele mal educadamente me perguntou "afinal o que vocês querem, comer ou beber?", no que eu tive que responder controlando o meu mau humor com unhas e dentes que iríamos comer sim, mas não beberíamos nada com álcool. Ele olhou estranho, mas trouxe o outro menu. Pedimos pratos de massa tipo wok (é a panela usada para fazer yaksoba), eu pedi um suco de laranja de verdade (laranjas prensadas em francês) e o Caike pediu um capucchino gelado. Depois que já estava tudo resolvido o garçon não incomodou mais, só nos perguntou se queríamos sobremesa e ouvindo a negativa, perguntou se queríamos a conta. No meio desse processo ele levou um esporro do gerente, porque não tinha servido a nossa mesa de pão e água, coisa que outro garçon acabou por fazer atirando as coisas na mesa.&lt;br /&gt;Por conta da localização da praça e pela experiência com o caminho inverso do guia, decidimos que era melhor fazer o tour pela direção certa, então andamos novamente pela Boulevard de Rochechouart e subimos novamente as ladeiras que dão na Sacré Coeur, mas dessa vez para encontrar a Montmartre bucólica e histórica. É nessa parte do bairro que se encontram os antigos e atuais estúdios dos artistas, construídos do século XIX até o início do século XX. Um dos primeiros que vimos foi de Picasso, que infelizmente pegou fogo, mas como era um conjunto de ateliers, ainda tem a entrada intacta. Esse "conjunto artístico-habitacional" fica no alto de uma escada que também proporciona uma bela vista, ponto imperdível.&lt;br /&gt;Dali fomos seguindo o nosso circuito e novamente encontramos a farofada na place du Tertre, onde existe uma imensidade de bares disputando cada centímetro disponível, e as pessoas disputam as moléculas de oxigênio. Ali perto fica o museu do Montmartre, que parece bem pequeno por fora, além de ter um aspecto mambembe, que combina com o quartier. Como não parecia tão interessante assim, passamos direto. Também passamos em frente a um museu com muita cara de improvisado do Salvador Dali, que parecia menor ainda e estava com uma fila enorme na porta. Passamos direto também.&lt;br /&gt;Dali seguimos para baixo, numa rua onde, dizia o guia, tinha o belo vinhedo de Montmartre, que nem é belo nem cara de vinhedo tem. Mas as casas em volta e a vista valem o passeio. A partir desse ponto até os antigos moinhos do bairro (existem ainda 2 para contar a história da época que o morro era apenas plantações, pintadas por, adivinha, Van Gogh), é cheio de ateliers de artistas vivos (porque Renoir, Van Gogh e Picasso são muito legais mas não produzem nada há anos), e chegamos a ver um conhecido dos pps da internet! Aquele que faz rostos com desenhos de livros abertos, capas e lombadas... inclusive ele estava lá dentro, lendo um livro.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHbMrT8qZaI/AAAAAAAAADA/b5TaDfzEoeU/s1600-h/DSC02851.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221585862443820450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHbMrT8qZaI/AAAAAAAAADA/b5TaDfzEoeU/s200/DSC02851.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No mesmo caminho passamos pela casa onde viveu a cantora Dalida, nascida no Egito e de origem italiana, famosérrima no meio da música árabe (foi a precursora na Europa cantando em francês, árabe, espanhol, italiano, inglês...) e da chanson française, mas cuja vida foi cheia de altos e baixos, o que a levou a se jogar da janela de sua casa em Montmartre em 1987. Numa pequena praça bem perto dessa casa há um belíssimo busto em sua homenagem, onde, é claro, tirei uma foto.&lt;br /&gt;A partir daí é só descida até a rua do Moulin Rouge, que só havíamos visto à noite e onde tiramos fotos dessa vez, que é entupida de sex shops e de casas de "show" provavelmente mais quentes do que o moinho vermelho. Assim, terminamos o nosso tour pela boemia e fomos providenciar o jantar. Como o bairro é mais residencial achamos facilmente uma padaria, onde compramos uma bisnaga enorme, e uma loja de queijos. Como eu adoro queijo mofado e o Caike gosta de Camembert e de Brie, achamos que dava pra arriscar alguns queijos mais franceses que fossem mais "frescos". Entramos e escolhemos uns 3 tipos de queijo bem branquinhos... porque tinha uns que simplesmente não davam, de tão pretos ou verdes ou azuis, e fomos para a nossa sessão mala.&lt;br /&gt;Chegando no hotel, fiz uma aposta com o Caike, que eu obviamente ganhei, de que conseguiria colocar tudo na mala nova dele. Com tudo fechado analisamos o peso dela e percebemos que não ia dar certo, porque era óbvio que ela tinha mais do que os 20 quilos que a Ibéria permitia. Então, dividimos o peso na mala nova e na mochila de camping velha. Aí foi a minha vez de fazer mala, que ficou bem razoável, pois a idéia era fazer uma mochila pequena para dormir apenas um dia fora e eu deixaria o resto das coisas no hotel mesmo, para onde eu voltaria e ficaria num quarto single.&lt;br /&gt;Descemos e pagamos a conta, porque não daria pra fazer isso às 5 horas da manhã, quando o Caike iria pro aeroporto. Depois fomos jantar! Abrimos os queijos... e o quarto se tornou insuportavelmente fedorento. O cheiro era tão forte que o Caike nem conseguiu experimenta-los, ficando a tarefa de acabar com eles pra mim. Fiz um enorme esforço e consegui comer um pouco menos da metade, junto com o vinho. Deixamos tudo pronto para a correria da despedida e fomos dormir o pouco que dava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-2163011823487900767?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/2163011823487900767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=2163011823487900767' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/2163011823487900767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/2163011823487900767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/07/3-de-maio-o-ltimo-dia.html' title='3 de maio - o &quot;último&quot; dia'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHbJ1dPE67I/AAAAAAAAACo/zC_qNrwecRo/s72-c/DSC02815.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-5294971554771511547</id><published>2008-07-05T23:51:00.001-03:00</published><updated>2008-07-06T00:15:11.378-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Museu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Monumentos'/><title type='text'>2 de maio - o dia que matou os pés</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHA0O_9GkVI/AAAAAAAAACI/mMWi-vcJz-k/s1600-h/DSC02712.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219729400412934482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHA0O_9GkVI/AAAAAAAAACI/mMWi-vcJz-k/s200/DSC02712.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Nesse dia fizemos um esforço e acordamos ainda mais cedo que no dia anterior, pois a programação era extensa e começava mais cedo que o normal. Por conta da hora tomamos café da manhã no quarto mesmo, e no escuro, pois faltava luz em Paris. Na Europa eles também sofrem com esses problemas comuns, com a diferença de que eles são resolvidos mais rapidamente. Quando saímos já estava tudo de volta ao normal.&lt;br /&gt;Pegamos o metrô morrendo de sono, mas eu estava ansiosa, a nossa primeira parada era o cemitério Père Lachaise, um lugar que eu morria de vontade de conhecer. Não é exatamente um ponto turístico comum, mas mesmo assim é muito famoso e muito frequentado, inclusive por parisienses, especialmente por namorados. Dá logo pra perceber que não é um cemitério comum, né? Apesar de eu gostar de visitar cemitérios comuns... costumam ser bonitos e muito calmos.&lt;br /&gt;Para facilitar a vida, antes da viagem eu imprimi um mapa do cemitério com a localização de todos os túmulos que eu queria visitar, o que foi a maior mão na roda, porque não há mapas disponíveis na entrada. Mas uma das lojas de flores perto do portão principal vende um guia por uns 2 euros, o que é um absurdo.&lt;br /&gt;Chegamos lá, pra variar, antes dele abrir. No meu guia o horário de abertura estava errado, dizendo que abria às 7h quando, na verdade, abria meia hora depois. Ficamos na porta principal, batendo papo e observando Paris acordar bem lentamente. Quando ouvimos o vigia chegando, com o característico barulho do molho de chaves. Ouvimos a fechadura sendo destrancada e a porta se abriu devagar, fazendo aquele barulho de madeira que dá nos nervos típico de filme de terror. E no fundo o som dos corvos... ficamos arrepiados e por um instante exitamos, entrávamos ou não? Respiramos fundo e fomos em frente.&lt;br /&gt;A entrada principal dá para uma grande avenida com o monumento aos mortos no fim, que é muito bonito e comovente. Éramos os únicos andando por ali, e fomos invadidos por um sentimento estranho, uma espécie de respeito profundo por aqueles ali enterrados. Logo percebemos que não conseguiríamos tirar nenhuma foto, essa seria uma experiência que seria nossa, apenas nossa. Cada um tem que ir por si mesmo visitar aqueles que lhe tocaram a alma e descansam nesse lindo lugar.&lt;br /&gt;Começamos pelo monumento do pintor Théodore Géricault, que é belíssimo, com uma placa de ferro que contem uma cópia do seu quadro mais famoso, "Le radeau de la méduse". Perto do seu túmulo tem mais um artista romântico, Frederic Chopin, com sua tomba coberta de flores trazidas pelos fãs, que até hoje são numerosos, e com uma linda estátua de uma mulher que sofre por sua perda com uma partitura no colo.&lt;br /&gt;Dali fomos atrás de mais um músico, só que mais moderno, Jim Morrison. O rebelde que morreu de overdose em Paris atrai multidões para o seu túmulo, que de tanto ser vandalizado pelos fãs (rebeldes também, é claro) é cercado por uma grade com um cartaz de proibido passar. Mas isso não impede as pessoas de chegarem mais perto e cobrir a tumba de velas pretas e vermelhas, break on through to the other side!&lt;br /&gt;Dali continuamos no mundo da música popular, só que francesa, visitando uma grande estrela da chanson française, Édith Piaf, de quem eu nunca realmente gostei da obra, mas me apaixonei pela pessoa vendo o filme Hino ao Amor. Seu túmulo é difícil de achar, porque traz o nome da família Gassion - Piaf (esse último nome é apenas artístico e significa pardal) e o nome real da artista Édith Giovanna Gassion. Ele é coberto de flores e placas de homenagem dos fãs e fotos, uma coisa muito emocionante de ver.&lt;br /&gt;Dali fomos visitar um lugar histórico dentro do cemitério, o muro dos federados da comuna de Paris. Esse importante movimento, considerado por Marx a primeira insurreição proletária da história, pode ser resumido como a tomada do poder da cidade de Paris pelo povo. Esse movimento durou uns 2 meses, terminando na semana sangrenta, quando o governo invadiu Paris com a ajuda dos exércitos de outros países e matou quase todos aqueles que participaram da Comuna. Um dos últimos momentos da insurreição se passou no cemitério, onde se deu uma das últimas batalhas e a mais famosa execução sumária dos communards, que ocorreu durante a noite, onde 147 deles foram executados a tiros e enterrados numa vala comum ao pé do muro. Hoje há uma placa no local, em homenagem aos mortos daquela noite, e é um dos poucos lugares do cemitério sem túmulos. E até hoje o partido comunista e várias pessoas de esquerda deixam flores (cravos vermelhos na sua maioria) ao pé do muro e nas suas saliências. Para deixar ainda mais tocante, é nessa área do cemitério que se encontram os monumentos aos mortos da primeira e da segunda guerras mundiais, uma profusão de homenagens àqueles que morreram por suas convicções que deixa os olhos cheios de lágrimas.&lt;br /&gt;Emocionados, continuamos nosso tour para o próximo túmulo que queríamos visitar: Oscar Wilde. Sua tumba é na verdade uma esfinge em pleno vôo, coberta de beijos pelas visitantes. Sua fama de dar sorte no amor (e na cama) leva as mulheres a beijarem o monumento e até o pênis da estátua foi furtado. A persistência feminina (eu acho, pode ser que tenha homens no meio também, né?) é tão grande que mesmo com uma placa pedindo que as pessoas não beijem o túmulo, que precisa ser sistematicamente limpo, ele está repleto de marcas de batom, que se intensificam em número conforme ai chegando perto dos órgãos sexuais. Uma loucura! Aproveito para avisar: não beijei o túmulo! Acho isso nojento!&lt;br /&gt;Dali fomos visitar uma pessoa muito especial para mim, que foi cremada e por isso se encontra num carneiro no centro do cemitério, onde fica o crematório: Isadora Duncan. Minha idéia era dançar na frente do seu túmulo em homenagem à bailarina que quebrou as regras do balé clássico. Infelizmente havia um enterro acontecendo no crematório, e por conta das pessoas chorosas e vestidas de preto eu fiquei sem graça de sair dançando. De qualquer forma fiquei emocionada com essa visita, pois não imaginava que a tumba da Isadora fosse tão simples, e é uma das poucas sem flores, há apenas uma frase escrita com canivete na pedra sobre a dança. Os bailarinos se expressam de forma mais etérea mesmo. Foi o único lugar que eu tirei foto no cemitério, o que é engraçado, visto que existem poucos registros visuais dessa bailarina, e apesar de já existir cinema na sua época, não há filmes da sua dança.&lt;br /&gt;No mesmo local estão as cinzas de mais uma artista, Maria Callas, a famosa cantora de ópera. Começamos a procurar pelo seu carneiro, e eu cheguei a me animar quando ouvi uma visitante cantando ali perto, mas não conseguimos achar. Procuramos em todos os cantos mas Maria Callas resolveu se esconder.&lt;br /&gt;Acabamos por desistir dela e fomos atrás de homens das letras, Marcel Proust e Guillaume Apollinaire. Novamente tivemos dificuldade em encontrar os seus túmulos, mas pelo menos conseguimos achá-los. Eles ficam bem no meio das divisões, o que dificulta muito a localização, pois você tem que andar por entre as tumbas para encontrá-los, e elas são muito grudadas umas nas outras, para passar é muito complicado. Em algumas ocasiões é necessário pisar em algumas, o que dá uma sensação muito desagradável.&lt;br /&gt;Dali fomos procurar mais um ídolo da chanson française, Îves Montand, que está enterrado junto ao grande amor de sua vida, Simone Signoret, sua primeira esposa. Seu túmulo também está cheio de flores e declarações dos seus fãs. Muito bonito.&lt;br /&gt;Perto dele está outra celebridade, mas de natureza religiosa, Allan Kardec. Quando chegamos uma mulher estava prestando homenagem ao criador do espiritismo, colocando mais um vaso de flores no já lotado túmulo. Aliás, esse é um dos túmulos mais interessantes do cemitério, pois está coberto de frases famosas de Kardec sobre a morte, a vida e a reencarnação. Fiquei um tempo lendo todas elas, todas muito oportunas naquele lugar.&lt;br /&gt;Nossa próxima parada foi tentar encontrar Sarah Bernhard, a famosa atriz. Mas depois de Isadora Duncan, não conseguimos mais achar nenhuma mulher, procuramos exaustivamente por ela sem sucesso. Entramos por diversos lugares e passamos por cima de diversos túmulos, mas nada adiantou.&lt;br /&gt;Acabamos por desistir dela também e fomos para um novo desafio: encontrar os túmulos de Jean de la Fontaine (o escritor de fábulas) e de Molière! Pelo mapa, eles estavam enterrados juntos, e começamos nossa procura, tendo que novamente nos embrenhar pelo meio das tumbas. Chegamos a encontrar um túmulo com jeito muito antigo, com os nomes muito apagados na lápide, e um deles tinha o sobrenome de la Fontaine, mas não tinha Molière. Ficamos na dúvida, será que era aquele mesmo? Continuamos a busca e acabamos por encontrar o lugar certo, que é de honra, pois tem até um cercado envolta das tumbas, de formato bem clássico e até austero. Fiquei surpresa pela falta de flores e de homenagens... talvez eles sejam antigos demais pra isso. Mas quando saímos de lá um grupo de jovens de outro país chegou mais perto e nos perguntou se falávamos francês, eu disse que eu falava, e eles estavam a procura justamente do túmulo de Molière, o autor ainda tinha admiradores jovens. Feliz mostrei no meu mapa e expliquei como chegar lá, eles agradeceram e perguntaram onde poderiam conseguir um mapa também. Disse-lhes que havia trazido de casa, e eles ficaram meio decepcionados, pois andar naquele cemitério sem um guia é pedir pra se perder e se cansar mais do que o necessário, já que o solo é muito irregular e é preciso subir e descer ladeiras o tempo todo.&lt;br /&gt;Deixamos os jovens seguirem o seu caminho e continuamos nosso tour, a próxima visita seria a Dominique Ingres, um dos pintores orientalistas que eu adoro. Seu túmulo não é artístico como o de Géricault, mas também é comovente. Perto dele está outro pintor renomadíssimo, Eugène Delacroix, cuja obra romântica é belíssima, e também criou muitas obras orientalistas importantes.&lt;br /&gt;Já estávamos cansados, e agora só faltava uma pessoa para visitar, Georges Mélies, um dos primeiros cineastas da história, e o primeiro a utilizar efeitos especiais, quando o cinema ainda engatinhava e era mudo. Seu túmulo também carece de flores e não é exatamente fácil de encontrar, mas seu busto é um dos mais interessantes do cemitério, pois ele é retratado sorrindo.&lt;br /&gt;Finalmente saímos do Père Lachaise, encantados com a nossa visita, que havia durado muito mais do que tínhamos programado. Já era quase hora do almoço e a programação do dia extensa. Pegamos uma avenida principal e andamos rápido, dando apenas para observar que o bairro onde estávamos era bem mais residencial que os que tínhamos conhecido até então, com muitas mulheres empurrando carrinhos de bebês (a maioria deles duplo, mas com crianças que nem pareciam irmãs dentro, o que me faz desconfiar de que se tratavam de babás), muitos idosos caminhando lentamente e fazendo compras numa das inúmeras lojas de comida, principalmente queijarias, padarias e pequenos comerciantes de frutas e legumes da região.&lt;br /&gt;Seguindo a tal avenida terminamos por chegar na Place de la Bastille, onde um dia esteve a famosa prisão do regime monárquico, queimada pelas forças revolucionárias. Hoje há um grande monumento em memória aos cidadãos franceses que participaram dos "memoráveis dias 27, 28 e 29 de julho de 1830", com uma espécie de anjo dourado no topo. É uma imagem muito famosa da cidade. E aproveitamos para tirar as primeiras fotos de verdade do dia, com direito a pagação de mico típica de turista, daquelas que as pessoas param para olhar e segurar o riso.&lt;br /&gt;Na praça estava acontecendo uma grande feira de arte também, mas tínhamos ainda muita coisa pra ver e resolvemos passar longe da confusão. Enquanto dávamos a volta necessária para continuar nosso caminho, passamos na frente de um bistrô com um jeitão muito simples, mas que tinha um menu completo por um preço muito tentador. Como já era meio dia, o lugar tinha acabado de abrir e por isso estava vazio, achamos que seria um bom momento para pararmos e almoçarmos logo de uma vez. Nossas pernas já estavam doloridas e ainda queríamos visitar dois museus, seria bom fazer uma parada estratégica.&lt;br /&gt;Sentamos e pedimos nossos pratos, além de uma taça de vinho rosé para mim e uma cerveja para o Caike. A comida foi uma das mais simples que comi em toda a viagem, mas estava razoável, se comparada com o que se vê em restaurantes brasileiros estava muito acima da média.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHA2jb9CZlI/AAAAAAAAACQ/j894zIUpb68/s1600-h/DSC02716.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219731950549493330" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHA2jb9CZlI/AAAAAAAAACQ/j894zIUpb68/s200/DSC02716.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Terminado o almoço, continuamos num passo apertado até o Institut du Monde Arabe, que já tínhamos passado em frente, mas agora iríamos visitar. É uma construção ultra-moderna, com painéis ajustáveis que deixam passar a exata quantidade de luz para iluminar o interior e por dentro muita coisa é de vidro, de forma que você consegue ver o hall de entrada muitos andares acima do solo. O Caike quase desistiu de ver as exposições quando perceber que teria que andar vendo a altura em que estava (as exposições ficam nos andares mais altos), mas se convenceu quando viu que só o corredor central tinha esse problema, era só evitar olhar para o centro enquanto usávamos as escadas.&lt;br /&gt;Começamos nossa visita indo para o subsolo, onde tem uma loja de produtos árabes. Eu procurava lenços de moedas, cds e dvds. Tinha isso tudo, mas os lenços era tão caros quanto aqui, então não valiam a pena, os cds também, apenas alguns dvds de festivais de dança no Egito estavam com preços aceitáveis e eu acabei comprando 3. De lá subimos direto para a exposição permanente, que não precisamos pagar para ver por conta do sagrado museum pass, e que ocupa uns três ou quatro andares do instituto, valendo muito a pena ser visitada se você gosta de arte islâmica. Ela é organizada em ordem cronológica e por temas, e contem quase todo tipo de artefato, desde fragmentos de vasos e pratos de cerâmica, até tapetes e roupas, além de muitas iluminuras do Corão, é claro. Tudo belíssimo. Uma das partes mais interessantes é sobre os árabes e a ciência, que tem muitos astrolábios interessantíssimos, relógios e livros de matemática. Eles eram mesmo muito avançados até pouco depois das cruzadas, quando resolveram se fechar para o mundo.&lt;br /&gt;Saindo da exposição eu carreguei o Caike para a livraria. Eu sabia que seria uma tentação louca, mas também não podia deixar de visitar e ver que preciosidades eu poderia encontrar. Resisti à tentação das sessões de contos e literatura e fui direto para o que eu sabia ser a maior raridade para uma bailarina de dança do ventre: a parte de livros sobre música árabe. Ali acabei comprando 3 livros sobre música, com estudos maravilhosos e que provavelmente jamais serão publicados no Brasil. Enquanto eu me perdia entre as letras, o Caike me puxou e disse: Eu acho que eu não devia fazer isso e provavelmente vou me arrepender, mas sei que você vai gostar, então vem cá. Eu o segui e ele me mostrou a sessão de cds. Era tão grande e tão bem classificada que meu queixo caiu. Ele virou novamente pra mim, "promete que vai ser rápida?", eu fiz que sim com a cabeça, deixei os livros com ele e freneticamente comecei a ver os títulos classificados em danse orientale. Todos pareciam ser maravilhosos e a minha vontade era de levar tudo pra casa, mas nenhum deles estava em promoção, e, portanto, estavam caríssimos. Foi o que me fez conseguir sair de lá sem estourar o cartão de crédito, pois acabei por só comprar os livros, repetindo como um mantra para mim mesma que eu já tinha comprado mais de 10 cds na fnac e na loja que visitamos ali perto dias antes e eles eram mais do que suficientes.&lt;br /&gt;Finalmente conseguimos sair do instituto e nos dirigimos para o museu Cluny. No meio do caminho, ao percebermos que estávamos próximo da Notre Dame, e que estávamos dentro do horário, resolvemos dar uma volta um pouco maior e visitar a cripta da Notre Dame, que estava fechada quando tentamos visitar.&lt;br /&gt;Chegando lá, mostramos nosso museum pass e entramos. A cripta na verdade é uma grande escavação que mostra as fundações dos primeiros prédios da île de la Cité, quando a cidade ainda se chamava Lutécia, e vai mostrando as diversas fases de edificação da ilha até a primeira igreja que depois foi substituída pela catedral. Uma exposição realmente impressionante, com as escavações bem iluminadas e identificadas, de forma que dá pra brincar com os luzes e ir acendendo cada pedaço de uma vez, facilitando a identificação das ruínas. Muito legal de visitar, mesmo.&lt;br /&gt;Tomando conta para não perdermos a hora, saímos da cripta e fomos direto para o museu de arte medieval Cluny. Esse museu fica num prédio muito antigo, que contem no seu subsolo as ruínas das termas romanas de Lutécia, uma das mais bem conservadas da França, e cuja arquitetura é predominantemente gótica. O prédio, na verdade, era a abadia de Cluny e foi nacionalizada durante a revolução francesa, sendo dividido entre muitos proprietários particulares. No meio do século XIX, Alexandre du Sommerard se instala e lá coloca sua coleção de arte, que acaba sendo tomada pelo governo, que tomba a construção e abre o museu.&lt;br /&gt;A entrada já chama muita atenção, com muitos arcos com detalhes góticos, uma torre com um relógio de sol e um velho poço. Dali se entra no museu, começando a exposição justamente pelas galerias do subsolo, repletas de placas de pedra esculpidas do período gallo-romano e esculturas vindas das diversas reformas da Catedral de Notre-Dame. Dali se segue para as salas das termas, que estão absurdamente bem conservadas, porém muita coisa estava em reforma, de modo que não pudemos ter uma melhor visão da grandiosidade da construção romana.&lt;br /&gt;Dali se segue para a parte de estátuas da idade média, com muitos santos em madeira e pedra. Todos belíssimos. E assim você vai se preparando para ver um dos carros-chefe do museu, a coleção de 6 tapeçarias medievais conhecida como A Dama e o Unicórnio. É uma coleção lindíssima, com as cores ainda vivas, e que segundo um livro que eu li (Maria Madalena e o Santo Graal) é uma alegoria mostrando que Madalena é o Santo Graal. &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHA3lINK-cI/AAAAAAAAACY/adBf1QNDroE/s1600-h/DSC02753.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219733079119821250" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHA3lINK-cI/AAAAAAAAACY/adBf1QNDroE/s200/DSC02753.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois temos ainda mais estátuas de santos, predominantemente de Maria Madalena e Nossa Senhora, e então se chega na capela da abadia de Cluny. Essa capela de estilo gótico é linda de morrer, o teto é todo trabalhado em pedra, mais parecendo uma teia de aranha de tantos detalhes e nervuras. As paredes são apinhadas de arte religiosa do acervo do museu, dando a sensação de que se está numa capela mesmo e não num museu.&lt;br /&gt;A sala seguinte já tem um tema quase inverso, mas que tem muito a ver com a religião católica e a sua história: as armas medievais. É o máximo ver todas aquelas armaduras, maças, lanças, espadas e arcos e flexas, muitos dos quais estão muito bem conservados.&lt;br /&gt;Acabamos de ver a exposição quase na hora do museu fechar, e quando saímos demos de cara com uma loja que estávamos namorando há alguns dias, mas que estava sempre fechada quando passávamos em frente. Dessa vez ela estava aberta! Entramos e nos perdemos no paraíso nerd: uma loja repleta de figuras de Guerras nas Estrelas, mangás e desenhos animados, além de uma sessão enorme de quadrinhos e de mangás. Como não iríamos comprar nada, tiramos algumas fotos com alguns ítens interessantes. Até que o Caike viu uma caneca do Snoopy e não resistiu. Enquanto ele se segurava para não levar mais nada, eu achei um livro em inglês do Calvin e Haroldo, e ele novamente cedeu ao consumismo. Resolvemos então que era melhor parar de procurar coisas e ir embora.&lt;br /&gt;Dali, carregados e felizes, fomos para a Torre Eiffel, dessa vez iríamos enfrentar a fila e subir, pois não podíamos deixar de visitar o cartão postal mais famoso de Paris. E a fila era grande mesmo. Dava voltas e voltas em si mesma. Uma coisa desanimadora para quem está cansado de andar o dia todo.&lt;br /&gt;Enquanto o Caike foi para a fila eu fui para a lanchonete providenciar o nosso "jantar". E comemos de pé mesmo, enquanto observávamos os turistas de todo o mundo passando de um lado para o outro. Eu estava esgotada, e bem desanimada pelo cansaço, o Caike vendo o meu estado, disse que ficava na fila e que eu podia ficar sentada num dos bancos debaixo da torre para descansar, já que eu precisava estar em forma para animá-lo quando ele tivesse vertigem lá em cima. De muito bom grado aceitei a proposta, e fui mudando de banco conforme a fila andava para ficar mais perto possível dele.&lt;br /&gt;Depois de mais de duas horas de espera chegou a nossa vez de comprar os ingressos. Compramos para ir até o terceiro e último andar, e dali fomos para a fila seguinte, a do elevador. A diferença é que ali já não há mais organização nenhuma, é só empurra empurra mesmo, bem do jeito que o francês gosta.&lt;br /&gt;O elevador é original, da época da construção da torre, portanto ele é lerdo, absurdamente lerdo. Demora uns 15 minutos entre uma subida e outra, deixando todo o processo muito lento. Fomos direto para o segundo andar, onde é preciso trocar de elevador para chegar no terceiro, como já estava tarde fomos direto para a fila, que quase que dá a volta na torre, de forma que os turistas que não vão subir mais ficam pedindo para passar e tirar foto da beirada da varanda. O Caike, coitado, já estava nervoso ali, e ficou o tempo todo com a mão em alguma pilastra para dar um pouco de sensação de segurança. Já eu me animei com a vista da cidade que eu sonhava em visitar há 10 anos e nem sentia mais as pernas reclamando, apesar de ter abusado delas durante o dia inteiro.&lt;br /&gt;O segundo andar da torre já é mais alto que o Arco do Triunfo e não possui grades, fora que o chão é levemente inclinado para fora, dando uma sensação meio estranha mesmo. E ainda tem o vento frio, já que era quase oito horas da noite e o sol iria se pôr em pouco tempo, deixando a temperatura mais baixa.&lt;br /&gt;Depois de mais uns 30 minutos na fila entramos novamente no elevador, indo para o último andar, que pelo menos tem grades na varanda, e uma escada que dá para uma micro sala, praticamente no topo da torre, com uma vista magnífica da cidade. Nesse ponto é tão alto e venta tanto que a sala é toda fechada com vidro para proteger os visitantes. Ali, o Caike resolveu que a parede era o melhor lugar pra ficar, enquanto eu me expremia contra o vidro para tirar as melhores fotos possíveis do pôr do sol, um espetáculo belíssimo numa cidade fantástica que começava e se iluminar.&lt;br /&gt;Quando já estava praticamente escuro e não dava mais para fotografar direito, cedi aos apelos do Caike para irmos embora. Pelo menos para descer tinha menos fila, pois já estava tarde e a maioria das pessoas já tinha ido embora.&lt;br /&gt;Chegamos ao solo quando já era noite fechada, e fomos direto para o metrô, pois nossos pés estavam pedindo arrego e nós estávamos além da exaustão. Chegando no hotel eu ainda fui lavar roupa antes de dormir e depois capotei num sono tão pesado que nem sonhei. Mas também, quem precisa sonhar a noite quando passou o dia inteiro num deslumbre só?&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219733810674350450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHA4PtdXOXI/AAAAAAAAACg/R9lwps999M8/s200/DSC02803.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-5294971554771511547?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/5294971554771511547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=5294971554771511547' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/5294971554771511547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/5294971554771511547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/07/2-de-maio-o-dia-que-matou-os-ps.html' title='2 de maio - o dia que matou os pés'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SHA0O_9GkVI/AAAAAAAAACI/mMWi-vcJz-k/s72-c/DSC02712.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-530578338178197748</id><published>2008-06-28T23:23:00.002-03:00</published><updated>2009-06-10T14:03:03.065-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parque de diversões'/><title type='text'>primeiro de maio - Parc Astérix</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGby7N0B1GI/AAAAAAAAAB4/Sb00-OAdBHs/s1600-h/28+-+Parc+Asterix.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217124317489386594" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGby7N0B1GI/AAAAAAAAAB4/Sb00-OAdBHs/s200/28+-+Parc+Asterix.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Como no dia do trabalho a França toda pára resolvemos tentar aproveitar o máximo possível o feriado nacional visitando o parque Astérix. Eu já tinha visto meses antes da viagem que esse era um dia complicado, onde todos os museus europeus estão fechados, as lojas e os restaurantes também. Enfim, era um inferno anunciado, mas que tinha salvação: o parque Astérix fica aberto no feriado, assim como a EuroDisney. Como queríamos algo mais francês, escolhemos o famoso gaulês.&lt;br /&gt;A única complicação era o transporte: ou ia de carro, ou de trem e depois ônibus, num trajeto que me parecia muito confuso, ou ia no ônibus do parque, que sai do Carroussel do Louvre, que era a solução mais fácil, porém a mais cara.&lt;br /&gt;Como já tínhamos comprado os ingressos do parque pela internet alguns dias antes da viagem e com isso conseguimos um desconto, resolvemos abrir a mão e pagar a tal "navette". No dia anterior havíamos pesquisado o local de saída do ônibus e descoberto que não dava pra comprar as passagens com antecedência, então a única saída foi madrugar.&lt;br /&gt;Com muito esforço acordamos no horário dessa vez e tomamos o café da manhã no quarto mesmo, pois precisávamos sair muito cedo. Pegamos o metrô e já sabendo o caminho de cór, fomos procurar o ônibus. Apesar de não haver placas indicativas, ele é muito fácil de achar, pois é todo, todinho colorido com os personagens da "bande dessinée". Uma coisa fofíssima. Já tinha umas 5 pessoas esperando do lado de fora, mas não tinha fila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observação sobre o comportamento francês: eles não sabem fazer fila. Mesmo. Se não tiver grades limitando o espaço e impondo uma fila, eles não se organizam, eles se aglutinam tentando um ficar mais próximo da entrada que o outro. Em suma, uma bagunça generalizada, porém muito silenciosa e razoavelmente educada (é "pardon" pra tudo que é lado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notamos que conforme o tempo foi passando mais adultos iam chegando, enquanto só tínhamos visto 3 crianças. Quando o ônibus "abriu" todos começaram a se cutevelar na porta, mas fomos subindo... compramos nossos bilhetes com o motorista mesmo, já reservando o lugar na volta também. Nos sentamos e ficamos só observando as pessoas entrarem. A idade média do ônibus passava dos 20 anos fácil, o que me deixou meio perplexa. Já tinha ouvido falar que o parque não era lá muito infantil, mas daí a só ter marmanjo é outra estória, né?&lt;br /&gt;O ônibus obviamente saiu atrasado, o que depois vim a descobrir que não é tão incomum assim na França, afinal eles não são ingleses para a alegria da nação. Aproveitamos para dormir até a chegada no parque, que estava começando a abrir. Literalmente. Apesar de conseguirmos passar do primeiro portão, onde se entrega as entradas e onde tem uma placa dividindo a região entre France e Gaule (o parque é cheio de pequenos detalhes com piadas lembrando os quadrinhos, é genial), acabamos por empacar junto com a multidão que esperava o parque abrir, numa espécie de praça onde se concentram as lojas. Em menos de 2 minutos percebemos que sairíamos mais pobres, bem mais pobres, daquele lugar, as lojas são absurdamente legais e interessantes, com todos os livros pra comprar, em diversas línguas, bichos de pelúcia, camisetas (muitas com piadas), miniaturas, canecas, bonecos, lápis... toda espécie de lembrancinha. Você vê pessoas de todas as idades comprando de tudo. O mais engraçado são os adultos comprando os capacetes de plástico, que existem em diversos modelos: romano, gaulês, viking... tem pra todos os gostos e sexos.&lt;br /&gt;Tentamos nos controlar, e resolvemos que só iríamos fazer compras na saída do parque, porque carregar tudo o que queríamos pelas montanhas russas não era muito recomendado.&lt;br /&gt;Enquanto olhávamos boquiabertos nas lojas ouvimos a multidão do lado de fora gritar e começar a se mover. Era o sinal de que o parque finalmente estava aberto. Fomos atrás!&lt;br /&gt;O parque é dividido em grandes áreas: Gália, Roma, Grécia, Império Romano, os Vikings e Através dos Tempos, sendo que no centro do Gália fica Petibonum!&lt;br /&gt;Resolvemos começar pelos brinquedos mais distantes e maiores. Então fomos primeiro para a montanha russa de madeira "Tonerre de Zeus"! Demos de cara um funcionário explicando que ela só abriria mais tarde, por conta de problemas técnicos. Nem nos importamos, bem perto tinha a maior montanha do parque, Gordurix! Com 7 loopings! O único problema era a fila. Quase uma hora depois, com a ajuda de um carro extra que havia começado a funcionar, chegou a nossa vez!&lt;br /&gt;Eu não lembro qual tinha sido minha última montanha russa... só sei que era meio infantil, porque durante quase toda a minha vida eu não tive altura o suficiente para ir nesses brinquedos. Enfim, foi minha primeira montanha russa com looping! Comecei bem...&lt;br /&gt;Dali voltamos pra Tonnerre, que já tinha começado a funcionar. Eu que tinha achado a primeira muito forte, mal sabia o que me esperava. Gordurix é uma montanha russa moderna, que apesar dos loopings te dá alguma sensação de segurança. Tonnerre de Zeus é de madeira, enquanto você espera na fila você pode ver que ela sempre sede um pouco quando o carro passa, fora o barulho. Essa montanha é daquelas que você acha que não vai acabar nunca, e ela é tão intrincada, com os caminhos se sobrepondo, que você nunca sabe direito pra onde está indo! Pra se ter uma idéia, a Tonnerre em números: é a terceira maior montanha russa de madeira da Europa, e a única que foi escolhida 3 vezes como a melhor montanha russa de madeira do mundo. Não é coisa pouca não! A bichinha não é mole não! Ainda bem que acabamos indo nela depois da Gordurix, pois deixou a modernosa no chinelo!&lt;br /&gt;Saímos zonzos da bronca dos deuses, mais saímos bem a tempo de ver uma atração que eu queria muito assistir: o show dos golfinhos! Chegamos bem na hora marcada no aviso do lado de fora! Mais ainda estava meio vazio, então pegamos um bom lugar e ficamos esperando. Esperando, esperando, esperando, esperando... Quando já estávamos de saco cheio, o show ameaçou começar... e a chuva começou a cair. Como o Caike estava com o super-casaco impermeável dele e eu estava com meu casaco de neoprene, resolvemos ficar na chuva mesmo, enquanto as pessoas em volta abriam guarda-chuvas e vestiam seus ponchos do parque (nesse momento fiz uma nota mental: era ali mesmo que eu compraria o meu!). O show só ameaçava a começar, mas não começava nunca. Foi então que algo incrível aconteceu: caiu granizo. Sério, caiu pedras de gelo mesmo! E nós ali sem termos onde se proteger... muitas pessoas começaram a se levantar e a ir embora... o granizo parou, mas a chuva apertou! Aí até nós resolvemos que tudo tinha limite, levantamos também e nos dirigimos para a saída, e Murphy é grande e louvado, o show resolveu começar. Voltamos e nos sentamos novamente na chuva pra assistirmos. O show é muito fofinho, mas tem o pré-requisito saber francês, porque é feito basicamente pra crianças, parecendo um programado discovery channel, explicando tudo sobre os golfinhos, o que comem, onde vivem, seus hábitos, tudo explicadinho. E os golfinhos de lá são meio que aprendizes, ainda não sabem muitos truques, e eles explicam isso! Enfim, é legal, mas deixou a desejar. Ainda mais porque os tratadores resolvem mesmo brincar com os bichos quando o show termina!&lt;br /&gt;A vantagem foi que nós saímos de lá tão molhados que eu já não ligava mais de ir nos demais brinquedos do parque, porque 90% deles envolvem água, muita água, e estava um frio de rachar... molhado, molhado e meio, né? Aproveitamos a ausência de filas por conta da hora do almoço e fomos para o Grand Splash! Nome bem auto-explicativo... só que exagerado. Não é tão grande assim. Mas também depois das montanhas russas, aquilo era coisa pra criança de colo. Saímos de lá pensando "puxa, é só isso?", aí eu me animei vendo um outro brinquedo: o menir express! Puxei o Caike e lá fomos nós, ainda aproveitando a pouca fila, e realmente era bem melhor que o Splash!&lt;br /&gt;Dali, já reanimados, achamos que já era hora de comermos alguma coisa e fazermos algo mais calmo para digerir. Fomos numa lanchonete que servia a fast food mais lenta que eu já vi na minha vida. Sério, demorou muito para recebermos nossos sanduíches, e olha que eles já estavam prontos! Mas mesmo assim deu tempo de pegarmos um pequeno show: A Legião Recruta! É um espetáculo para crianças, mas é muito divertido, com atores bem engraçados e capazes de personificar os quadrinhos. Parece que você está assistindo o gibi se mexer na sua frente... bem divertido! E deu para comermos com calma.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGbzhk0drFI/AAAAAAAAACA/xy-lIMa_PqI/s1600-h/23+-+Parc+Asterix.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217124976500255826" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGbzhk0drFI/AAAAAAAAACA/xy-lIMa_PqI/s200/23+-+Parc+Asterix.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De lá fomos fazer a digestão caminhando por Petibonum! Lá tiramos as fotos que não podem faltar com o Astérix, Obélix, o bardo... enfim, fizemos a festa!&lt;br /&gt;Já com o almoço bem digerido fomos para a última atração do nosso dia: La Trace de Hourra! Uma espécie de montanha russa sem trilhos, o carro parece mais carrinho de rolimã, só que a 60km/h. Foi onde tiraram a foto mais bonita da gente... saímos bem apesar de nem termos visto onde era a câmera, e de normalmente elas serem colocadas de forma que todo o mundo sai com cara de desespero. Compramos a foto e fomos às compras! Passamos os últimos 45 minutos antes do parque fechar visitando as lojas e fazendo contas. Foi a primeira vez que vi o Caike tendo um ataque de consumismo. Achei engraçadíssimo! E o legal é que as lojas são temáticas, com as aventuras mais conhecidas do Astérix, com temas do Egito, Índia, Vikings... é o maior barato! Só que caro.&lt;br /&gt;Saímos carregados e fomos para o nosso ônibus colorido, e obviamente, dormimos a volta todinha.&lt;br /&gt;Chegando novamente em Paris, fomos dar um pulinho estratégico na Gare Saint-Lazare, pois eu queria fazer as reservas dos meus trens para as semanas seguintes. Chegamos lá com o guichê quase fechando, mas a atendente foi muito legal e me atendeu até não poder mais, numa correria meio alucinante, eu com um monte de papel na mão com os horários e dias que eu queria reservar e ela me dizendo rápido o que dava ou não pra reservar (só alguns trens podem ser reservados, outros não) ou o que não valia a pena reservar. Numa correria louca reservei quase tudo o que eu precisava, faltando apenas umas 2 passagens, mais as mais importantes eu consegui! Paguei o valor extra das reservas (porque estava fazendo tudo com o meu europass) e saí aliviada.&lt;br /&gt;Saímos da gare com o passo apertado, porque o entorno dessa estação é muito esquisito... não sei se era por causa do feriado, ou pelas obras na entrada, só sei que o número de mendigos e de pessoas esquisitas era bem maior do que a média do resto da cidade.&lt;br /&gt;Voltamos para a estação de metrô mais próxima do hotel, resolvemos comer crêpe numa creperia chamada Crêpe à Gogo, um lugar muito simpático, com gallettes maravilhosas...&lt;br /&gt;Fomos finalmente para o hotel, a noite já estava avançada e, depois da sessão de lavanderia no banheiro, dormi assim que encostei a cabeça no travesseiro. O dia seguinte prometia ser o mais longo de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-20848e6ff5faebc3" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v16.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D20848e6ff5faebc3%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D224D18C3FDB0EDA736BAF18F6217AB6696B9AAC7.7046B02B6EB48B95C21031E3AC5DB6A1FED882C%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D20848e6ff5faebc3%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DvclJKfNVi4qfcO_xAIrlsQzwpq4&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v16.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D20848e6ff5faebc3%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D224D18C3FDB0EDA736BAF18F6217AB6696B9AAC7.7046B02B6EB48B95C21031E3AC5DB6A1FED882C%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D20848e6ff5faebc3%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DvclJKfNVi4qfcO_xAIrlsQzwpq4&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-530578338178197748?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=20848e6ff5faebc3&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/530578338178197748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=530578338178197748' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/530578338178197748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/530578338178197748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/06/primeiro-de-maio-parc-astrix.html' title='primeiro de maio - Parc Astérix'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGby7N0B1GI/AAAAAAAAAB4/Sb00-OAdBHs/s72-c/28+-+Parc+Asterix.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-5942731476439512279</id><published>2008-06-28T18:43:00.001-03:00</published><updated>2009-06-10T13:41:09.734-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Louvre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Museu'/><title type='text'>30 de abril - Louvre</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGa0gWcTfDI/AAAAAAAAABg/hhdF3lyCYiU/s1600-h/01+-+Louvre.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217055686228409394" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGa0gWcTfDI/AAAAAAAAABg/hhdF3lyCYiU/s200/01+-+Louvre.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por conta do cansaço do dia anterior, novamente tivemos problemas para acordar na hora. Levantamos mais tarde do que o planejado, tomamos café no hotel mesmo, pois atrasados ou não o Louvre só abre às 9h, dando tempo de comer com calma mesmo se tivéssemos no horário. E como estávamos com o museum pass, não nos sentíamos mais preocupados com filas, ainda mais depois da experiência em Versailles.&lt;br /&gt;Alimentados e protegidos do frio, pegamos o metrô, até a estação que tem uma saída no Carroussel do Louvre, isto é, uma galeria bem embaixo do museu, com diversas lojas e um dos acesso ao museu, e com o famoso hall da pirâmide invertida. Na verdade, galeria não é uma palavra tão adequada, porque estamos falando de alguns andares de lojas e estacionamento, além do metrô. Tudo no subsolo.&lt;br /&gt;De qualquer forma, chegamos no famoso hall, que ainda não estava estupidamente cheio, tiramos fotos na pirâmide invertida, e fomos correndo para o balcão de informações turísticas, pois queríamos confirmar onde ficava o ônibus para o parque Astérix, que visitaríamos no dia seguinte, e como comprar as passagens. Lembra que eu falei que na França tudo começa tarde? Pois é, o balcão ainda estava fechado.&lt;br /&gt;Resolvemos deixar as informações dos tíquetes do parque para depois da visita ao museu e fomos tentar achar a localização do ônibus. Como não conseguimos achar o estacionamento subterrâneo (que ainda não sabíamos que existia), fomos tentar a sorte acima do nível do solo. Procuramos em vão, não tinha uma placa, um ponto de ônibus, nada que pudesse nos ajudar. Resolvemos que era melhor deixar tudo pra depois mesmo e fomos para a entrada mais próxima do museu.&lt;br /&gt;Tinha fila. E ela era enorme e lotada de japoneses (ou chineses, não sei dizer).&lt;br /&gt;Como não havia outra fila, ficamos preocupados, onde está o nosso privilégio do passe? Tinham me garantido que ele existia no Louvre! Decidi deixar o Caike no final da fila e fui pro início perguntar para o segurança como tudo funcionava. O funcionário, ao ver meu passe, disse pra passar na frente, mas não dava pra deixar o Caike sozinho e ficar esperando do lado de dentro, né? Voltei correndo e juntos nós mostramos o museum pass e exercemos nosso direito divino de furar fila.&lt;br /&gt;Passando dessa entrada, que só consiste no sempre presente raio-x e no detector de metais, se entra num hall enorme, com inúmeros guichês de venda de ingressos e os acessos para os diversos pavilhões do museu. O Louvre é um museu muito interessante, você pode comprar diversos tipo de entrada, para cada pavilhão ou exposição ou grupos de pavilhões, fora as exposições temporárias, cujos ingressos são sempre vendidos à parte, não estando incluídos nem mesmo no museum pass.&lt;br /&gt;Depois de conseguir um mapa com a descrição do que tinha em cada pavilhão, traçamos um plano de como percorreríamos o museu, numa espécie de maratona artístico-histórica de tirar o fôlego. Começamos então pelo pavilhão Suly, onde vimos primeiro o Louvre Medieval, que consiste de escavações no subsolo do museu que mostram as fundações do primeiro castelo construído ali e que deu origem ao prédio que hoje abriga o museu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerações rápidas sobre o Louvre Medieval: para um primeiro castelo considerado primitivo, a construção antiga é gigantesca! E quem foi o louco que resolveu escavar nas fundações de uma construção tão antiga? Como é que as coisas não caem? Que loucura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa parte da exposição não é exatamente imperdível, mas sobrando tempo vale a pena ver as bases do castelo medieval, porque é muito legal! Dali, resolvemos ignorar a exposição sobre a história do Louvre e fomos direto para o Egito, Mesopotâmia e em seguida esculturas gregas e italianas. Pra quem gosta de história antiga é imperdível. Você fica se perguntando o que sobrou no Egito para ser visto, porque a exposição é enorme! Tem tanta múmia que deixaria muito cemitério por aí com inveja! Fora as estátuas, estatuetas, vasos, jóias e inúmeros outros artefatos.&lt;br /&gt;Pra mim foi uma sensação muito ambígua ver aquilo tudo ali, coisas de tantos lugares que na maioria das vezes se tem provas de que foram roubadas, sabe? É muito legal ver tudo junto numa exposição monstruosa como aquela, e todos sabem que durante muito tempo esses artefatos não foram valorizados nos seus países de origem e muitas vezes coisas preciosas foram destruídas. Mas eu já estive na Grécia e é doloroso entrar num museu num lugar como esse e ver apenas cópias com a inscrição "o original se encontra em escolha uma cidade européia", e não só nos museus! É de partir do o coração ver o Partenon sem uma, nem uma, estátua restante. Mas essa discussão não cabe aqui... são apenas pensamentos que me perseguiam enquanto eu visitava essa parte do Louvre.&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGa2wTFHXHI/AAAAAAAAABo/dOFf1H-rao4/s1600-h/DSC02622.JPG"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217058159227001970" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGa2wTFHXHI/AAAAAAAAABo/dOFf1H-rao4/s200/DSC02622.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Onde estávamos? Sim, depois do Egito e da Mesopotâmia, fomos ver um dos carros-chefe do museu, que fica numa sala só pra ela, no meio da exposição de esculturas gregas e italianas: a Vênus de Milo! Nunca imaginei que uma estátua fosse capaz de me emocionar tanto. É inexplicável! É uma estátua simples, nem é tão grande assim, e ainda está faltando pedaço! Mas ela exerce um poder nas pessoas fantástico! Você fica bobo olhando pra ela... tem que lembrar de fechar a boca e ver se escorreu alguma coisa.&lt;br /&gt;Na verdade, toda a parte de estátuas gregas é de encher os olhos! Nossa, os gregos podiam gostar bem de uma sacanagem homossexual, mas como sabiam representar mulheres e o feminino... mas a cultura é mesmo algo que choca, uma das esculturas mais lindas e femininas que vimos, e que fez o Caike fazer o comentário que eu acabei de escrever aqui, era justamente de um hermafrodita. Uma mulher perfeita. Linda de morrer! Mas tinha "algo a mais". Simplesmente bizarro. Presente de grego mesmo.&lt;br /&gt;Como estávamos no ritmo maratona, o negócio é ver o maior número possível de coisas, saímos do pavilhão Suly e fomos para o Denon! Ainda não era hora do almoço e estávamos no maior gás! Fomos encarar as pinturas francesas, italianas e espanholas!&lt;br /&gt;Essa parte do museu não obedece uma ordem cronológica clara, nem tem exatamente temas ou escolas separadas, o que nesse caso é uma virtude, pois você pode comparar tudo! A sala das grandes pinturas é maravilhosa! Nela você tem reunidas as obras de grandes dimensões francesas, uma coisa de outro planeta! É difícil de imaginar um pintor realizando obras tão grandes... fora que são todas maravilhosas! Uma apreciação sem fim de beleza e técnica.&lt;br /&gt;E bem pertinho, na parte de pinturas italianas tem DaVinci. É uma coisa fora de série. Não sei bem explicar, mas depois de ter visitado tantos museus e ter visto tantos pintores diferentes cheguei a conclusão de que alguns são simplesmente especiais. Não tem uma razão clara pra isso, não é a técnica que te deixa hipnotizado (apesar de DaVinci ser um mestre de uma técnica tal que te faz duvidar da possibilidade daquilo ser real), nem os temas... é algo mais, que não consigo encontrar palavras pra descrever... e vou te contar, esse italiano está nessa seleção especial numa posição de honra.&lt;br /&gt;Ainda falando de DaVinci, também é nessa parte do museu que se encontra sua obra mais famosa: Monalisa. Não visitem o Louvre com uma idéia grandiosa desse quadro. Ele é pequenininho, e cercado por cordas de tudo que é lado, com uma multidão se acotovelando para ver o mais perto possível e tirar uma foto, que não pode ser com flash e como todos se empurram é impossível de ficar boa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Observação sobre pinturas nos museus europeus: uma das coisas legais que acontece dentro dos museus na Europa é que eles liberam para estudantes de pintura levarem suas telas e materiais para dentro do museu, onde eles estudam as grandes obras, então, não é raro ver alguém (de qualquer idade) reproduzindo um quadro dentro das galerias... é algo muito interessante de observar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, é uma parte realmente imperdível do museu, nem que seja pra passar correndo, porque se você for ficar mais de 2 minutos apreciando cada quadro você precisará de um ano inteiro para conhecer o Louvre.&lt;br /&gt;Terminando os quadros principais, estávamos com uma fome monstruosa. Procuramos os cafés mais próximos, mas estava tudo lotadíssimo, e a fome nos deixava impacientes e inquietos. Acabamos saindo dos pavilhões e fomos para uma espécie de bandejão que tem no hall principal, com uma fila bem mais amigável e que é selfservice... mas o estilo selfservice internacional, você escolhe o que vai compor o seu prato e eles te servem na porção padrão.&lt;br /&gt;Saciada a fome, pegamos novamente o mapa do museu e planejamos o que veríamos no segundo round. Fomos primeiro para a parte descrita como Renascença, só para descobrir que lá tem exposta uma coleção de objetos decorativos dessa época, e não de quadros como imaginávamos. Não que não seja bonito ou interessante, é muito, mas não era nossa prioridade. Então fomos correndo para a parte seguinte do nosso plano: os apartamentos de Napoleão III! A decoração dessa parte do Louvre foi toda modificada para o ego de Napoleão III, e lembra bastante o que se vê em Versailles, com a diferença de que tem uma exposição imperdível de jóias da nobreza francesa e dos Napoleões.&lt;br /&gt;Dali fomos ver os quadros do norte europeu, porque os holandeses são fantásticos. Só pra descobrir que a coleção do Louvre de pinturas dessa região é fraca... pra ver as obras primas de países europeus você tem que visitar os museus desses países mesmo. Então fomos procurar as obras que eu queria ver da pintura francesa do século XIX: os orientalistas! Fiquei emocionadíssima... e só então me senti satisfeita! Para uma maratona como a nossa, tínhamos visto tudo o que achávamos imperdível, e terminamos nos sentindo moídos e oprimidos pelo excesso de informação. Minha cabeça girava.&lt;br /&gt;Resolvemos que para um dia de visita era suficiente, no dia seguinte não poderíamos perder a hora de jeito nenhum por conta do ônibus que nos levaria para o parque Astérix, que tem hora marcada, e só sai uma vez por dia.&lt;br /&gt;Para levantar o astral fomos para um Starbucks que tem no Carroussel e pedimos um bom chocolate quente para cada um. Mais felizes e aquecidos pela bebida dos deuses, fomos finalmente para o balcão de informações turísticas, e descobrimos que era impossível comprar com antecedência as passagens de ônibus. Porém a atendente nos explicou como achar o ponto dele e nos sugeriu que fizéssemos um teste naquele momento para não nos perdermos no dia seguinte. Achamos a idéia ótima, e lá fomos nós!&lt;br /&gt;Claro que nos perdemos, e ficamos uma boa meia hora procurando o estacionamento certo. Chegando lá, um lugar enorme e feio como qualquer estacionamento, procuramos uma placa ou indicação do lugar de onde parte o tal ônibus e não vimos nada. Preocupados, começamos a pensar como faríamos no dia seguinte, será que estávamos mesmo no lugar certo? Resolvi que era melhor perguntar por ali perto, nas lojas próximas da saída pro estacionamento. Todos me garantiram que o ônibus saía dali mesmo "em torno das 8:30h". Bom, era o máximo que podíamos fazer.&lt;br /&gt;Saímos do estacionamento e voltamos ao Carroussel, resolvemos dar um pulinho na Virgin, onde comprei mais um livro de dança do ventre. Estávamos cansados demais pra fazer mais coisas, então achamos que era melhor voltarmos ao hotel. Deixamos todo o peso no quarto e fomos jantar olhando o pôr do sol num restaurante muito simpático perto do hotel.&lt;br /&gt;Olhei pro menu e vi um prato com um nome muito bonito, andouillette, e perguntei o que era: uma salsicha de entranhas de porco. Que salsicha não é? Apesar do aviso de ser uma comida forte resolvi arriscar. Pra quê? Comi o primeiro pedaço e achei ótimo, mas depois do segundo o gosto meio que impregnou a minha boca de tal forma que eu não conseguia mais comer aquilo. Era forte demais pra mim. Olhei suplicante pro Caike (que tinha pedido um pato lindo de morrer) "quer experimentar?". Ele gostou e elogiou, dizendo que era bem diferente. Olhei novamente, só que mais suplicante ainda, "quer trocar?". E ele salvou o meu estômago e o meu jantar. O pato dele estava maravilhoso! E ele conseguiu comer a maldita andouillette inteirinha, não sei como.&lt;br /&gt;Terminado o jantar, o sol terminando de se pôr, já era quase 22h e tudo que precisávamos era dormir. Voltamos pro hotel, fui pra minha sessão, que precisava ser diária, de lavação de roupa e capotamos. No dia seguinte iríamos à Gália!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217060745361072114" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGa5G1Lhn_I/AAAAAAAAABw/Jn-lElLR4go/s200/30+-+jantar+caf%C3%A9.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-9ec80b12e4505f6d" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v8.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D9ec80b12e4505f6d%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6337726C629DE849ED2EC6B150AE503D8224E231.5B246C1CE56CC6B51FE60D7F3B7DB276F959835E%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D9ec80b12e4505f6d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DbVTefizlKiK-UCsQOp69zeX_Q34&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v8.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D9ec80b12e4505f6d%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6337726C629DE849ED2EC6B150AE503D8224E231.5B246C1CE56CC6B51FE60D7F3B7DB276F959835E%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D9ec80b12e4505f6d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DbVTefizlKiK-UCsQOp69zeX_Q34&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-5942731476439512279?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=9ec80b12e4505f6d&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/5942731476439512279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=5942731476439512279' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/5942731476439512279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/5942731476439512279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/06/por-conta-do-cansao-do-dia-anterior.html' title='30 de abril - Louvre'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGa0gWcTfDI/AAAAAAAAABg/hhdF3lyCYiU/s72-c/01+-+Louvre.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-168942578701288543</id><published>2008-06-23T21:14:00.001-03:00</published><updated>2009-06-10T11:34:44.042-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Versailles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><title type='text'>29 de abril - Versailles</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGA-5PaWn3I/AAAAAAAAABQ/1mNeyUiQPU4/s1600-h/30+-+Jardins+de+Versailles.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215237521605566322" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGA-5PaWn3I/AAAAAAAAABQ/1mNeyUiQPU4/s200/30+-+Jardins+de+Versailles.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Apesar dos nossos planos de acordar cedo e chegarmos a Versailles com o castelo abrindo, o cansaço era tanto que foi impossível despertar na hora marcada. Levantamos mais de uma hora depois do planejado e ainda assim com muita dificuldade. O dia estava feio, cinza e chuvoso. Pequei meu casaco/mochila, que era levemente impermeável, mas na dúvida pequei também minha capa de chuva tamanho infantil. Colocamos na mochila a garrafa de vinho que havíamos comprado no primeiro dia e os pães, queijos e salame que levaríamos para fazer um piquenique nos jardins do castelo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tomamos o café no hotel mesmo, já que estávamos atrasados mesmo e meia hora a mais não faria a menor diferença. Saímos apressados, pelo atraso e pelo frio, e corremos para o metrô. Já tínhamos verificado como chegar lá usando apenas o RER, o que é mais fácil do que ir até uma estação e pegar um trem. Compramos os bilhetes, que pela distância têm um preço diferenciado, e partimos. O RER pra Versailles é um pouco diferente, tem dois andares e uma boa parte do caminho é feita acima da superfície, de forma que do segundo andar a vista é ótima! Pena que não consegui aproveitar muito, fui dormindo quase o tempo todo, acordando apenas nas estações de parada para tentar não perder a hora de descer, o que foi ótimo porque pra mim a viagem durou apenas uns 15 minutos, enquanto o Caike me afirmou que havia durado 45. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Chegando na estação, quase que o trem todo desembarca, a quantidade de turistas, de japoneses e chineses (impossível diferenciá-los nessa situação) é assustadora! Parece um mar de gente. Você nem precisa procurar um mapa pra ver o caminho até o Château, é só seguir a multidão. Por conta da chuva, saquei minha capa da mochila e me preparei para a tempestade! Fomos andando numa chuva razoavelmente forte até a entrada do castelo quando a vimos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A fila pra entrar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Era a maior fila que eu já tinha visto, pelo menos numa chuva daquelas. Era um cenário desanimador. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fomos nos informar sobre a possibilidade de darmos carteirada com o sagrado museum pass, e descobrimos que podíamos! Foi a melhor sensação do mundo! Passamos por aquele monte de gente enxarcada e fomos direto para a entrada, onde passamos novamente pelo detector de metais... e no raio-x viram que carregávamos uma garrafa. Garrafas de vidro eram proibidas. Era uma vez o nosso piquenique. Tristes, mas conformados, até porque com aquele tempo um piquenique não era a melhor idéia do mundo, deixamos a mochila do Caike no guarda-volume e fomos conhecer a famosa residência real da França. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Château de Versailles foi a residência oficial dos reis Louis XIV, Louis XV e Louis XVI. Construído no século XVII, ele é uma obra muito representativa do estilo clássico e também do barroco, com a mitologia greco-romana sendo o grande objeto de suas pinturas e esculturas, além, é claro, dos reis, principalmente Louis XIV, o Rei-Sol. Os grandes apartamentos são realmente impressionantes, tudo com muitos detalhes, esculturas e afrescos cobrindo todos os tetos. Tudo de uma suntuosidade quase/muito criminosa, com muito ouro e prata, fora as imensas tapeçarias, espelhos e cristais. Em resumo: é uma loucura tão grande que vira um deleite para os olhos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Logo quando se entra (há um caminho certinho para se percorrer) você se depara com a Capela Real, que é belíssima, com o chão todo de mármore de diversas tonalidades, detalhes em ouro nas paredes e um órgão lindíssimo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Depois começa o tour pelos grandes apartamentos, todos nomeados com deuses greco-romanos, sem corredores e sem nenhum banheiro. Os quartos vão dando um no outro, todos com ante-câmaras, para a realeza poder saber que alguém está chegando com antecedência, é claro. É um mais suntuoso que o outro, pois o propósito era mesmo impressionar os visitantes e mostrar toda a riqueza de Sua Alteza. A idéia era de que quem tivesse o castelo mais rico e suntuoso era mais poderoso e, consequentemente, temível. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O pé direito é tão alto que chega a assustar, inclusive nas portas, pois o rei possui uma majestade tal que ultrapassa o seu corpo físico e precisa de espaço para passar. O engraçado é que essa regra não vale para o tamanho das camas... são todas pequenininhas... perfeitas para alguém com a minha altura! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas voltando ao tour, depois da capela, entra-se no Salão de Hércules, o maior do château, onde tem um afresco gigantesco no teto da Apoteose de Hércules, com ele entrando no Olimpo... é o sinal de que você agora vai entrar no domínio dos reis, digo, deuses... aí vem o Salão da Abundância, que é uma espécie de ante-sala para os apartamentos do rei. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dali se segue para o Salão de Vênus, e depois para o Salão de Diana, que era usado como sala de jogos. Em seguida tem o Salão de Marte, onde ficava a guarda do rei, depois o Salão de Mercúrio, onde o corpo de Louis XIV foi velado quando de sua morte, e então o Salão de Apollo, o deus-sol, que é, obviamente se você pensar no título de Louis XIV, o salão do Trono. Só ficou faltando pintarem Apollo com o rosto do rei. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ao lado fica o Salão de guerra, seguido da Galeria dos Espelhos, cujo nome vem da quantidade absurda de espelhos, são 350 no total e são os maiores espelhos possíveis de se fabricar na época, além de inúmeros lustres e candelabros enormes de cristal e, pra variar, muitos afrescos e ornamentos no teto. Claro que é o aposento mais famoso do Château.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Vem então os apartamentos da rainha, começando pelo salão da paz (guerra é coisa de macho, paz é coisa de mulherzinha, só pode ser essa a lógica, né?), seguido pelo aposento mesmo dela, com direito a uma cama diminuta mas muito chique, e, enfim, o grande gabinete, ou salão dos nobres ou do conselho. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Depois disso temos os salões modificados por Napoleão, que são quase tão egocêntricos quanto aqueles de Louis XIV, com pinturas que cobrem a parede inteira com a coroação de Napoleão, por exemplo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Então, já cansados de ver tanto ouro e pinturas mitológicas, descemos as escadas para uma parte do château bem menos visitada, e, portanto, mais civilizada e fácil de apreciar: os apartamentos do delfim e da "delfina". Isto é, as crianças. E tivemos uma bela aula sobre como estragar uma criança e torná-la um Louis XIV da vida: é só criá-la num espaço como aquele. Receita testada e aprovada por gerações!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas fora isso, é uma parte muito interessante da visita, pois esses quartos são muito bem mobiliados, e neles você tem uma idéia bem melhor do como era a residência real, e de como era a educação dos reis: vendo as bibliotecas infantis e os objetos de estudo, como um globo enorme com direito a representação do relevo. Fantástico!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Depois desses apartamentos menores, saímos para o jardim. E eu quase desisti de continuar visitando o lugar. Estava tão frio, que nada me esquentava, e a chuva não parava de cair... era tanta água que até o gramado estava enlameado. Era difícil de andar sem escorregar e ventava sem parar. Para quem detesta frio, como eu, era um pesadelo. O Caike teve que me persuadir a continuar e visitarmos os jardins, com uma vaga promessa que ao atravessarmos aquilo tudo veríamos o petit e o grand Trianon. Como a curiosidade matou o gato, e eu realmente queria andar pelos lendários jardins de Versailles, me deixei convencer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Meio tremendo, meio correndo, nos escondendo onde dava da água que não parava de cair, fomos olhando o jardim, que é mesmo debaixo de toda aquela chuva, uma verdadeira obra prima, com estátuas belíssimas, com as quais brincávamos de adivinhar a divindade grega que era representada. As árvores são cortadas de forma a fazer desenhos impossíveis, parece que escolheram a dedo onde plantar e depois fizeram estudos geométricos com elas. Uma beleza! E tem as fontes... que mesmo desligadas (até porque ninguém precisava de mais água) são lindas de morrer...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E foi morrendo de frio que paramos no meio do caminho para os Trianons para almoçar. Escolhemos um dos lugares mais quentes do restaurante (que era caríssimo por causa da localização). Eu estava enxarcada, meus sapatos estavam molhados até a alma, minha calça pingava a partir do meio das coxas (tive até que esvaziar os bolsos por causa disso) e eu tremia quando tirei a capa de chuva e me sentei da mesa. Nem os mapas escaparam, estavam em frangalhos e se desfaziam entre os dedos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aproveitamos o ambiente quentinho o máximo possível, meio que enrolando para comer. E deu certo! Quando terminamos estávamos secos! Com excessão dos sapatos, que estavam além da salvação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Apesar revigorados pelo calor e pela comida, nos desanimamos quando vimos que a chuva continuava. E não estava com cara de que ia dar uma trégua nos próximos anos. Acabamos por desistir de ir até o Trianon e resolvemos voltar devagar, passando pelas partes dos jardins que ainda não tínhamos visto. A idéia também era poupar um pouco as nossas pernas, pois no dia seguinte tínhamos programado de ver o Louvre, o que exigiria muito delas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foi assim que voltamos até o château, onde eu fiquei horas na fila do banheiro enquanto o Caike procurava o lugar onde tinha deixado a mochila. A fila demorou tanto que deu tempo dele voltar e me esperar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pegamos novamente o RER e o metrô, onde eu aproveitei para dormir mais um pouquinho. Passamos na vendinha perto do hotel, onde o vendedor já até conhecia a gente, só faltando nos tratar pelo primeiro nome, compramos mais pão, queijo e presunto du pays (um tipo de presunto cru que eu a-m-e-i). Comemos tudo já na cama, depois de um bom banho quente. Aproveitei que já estava no clima e lavei as roupas dos dias anteriores na pia (para mais 30 dias de viagem, lavar roupa é obrigatório) e pendurei pelo quarto todo, incluindo as portas dos armários e do banheiro. A decoração ficou fantástica rsrsrs&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E finalmente pudemos dormir ouvindo a chuva cair do lado de fora da janela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-78578d5254750bd0" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v10.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3D78578d5254750bd0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D33E0E9E39B15D60F8601D81232E63767A584B1B0.3125F443EA00C417D11C85572827D40740B97E4B%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D78578d5254750bd0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D37ceHYHMhvE9fk8A2z7eJwhk-zo&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v10.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3D78578d5254750bd0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D33E0E9E39B15D60F8601D81232E63767A584B1B0.3125F443EA00C417D11C85572827D40740B97E4B%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D78578d5254750bd0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D37ceHYHMhvE9fk8A2z7eJwhk-zo&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-168942578701288543?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=78578d5254750bd0&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/168942578701288543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=168942578701288543' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/168942578701288543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/168942578701288543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/06/29-de-abril-versailles.html' title='29 de abril - Versailles'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SGA-5PaWn3I/AAAAAAAAABQ/1mNeyUiQPU4/s72-c/30+-+Jardins+de+Versailles.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-3831448217645462705</id><published>2008-06-14T12:00:00.001-03:00</published><updated>2009-06-07T22:49:26.993-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><title type='text'>Dia 28 de abril - o dia das surpresas</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt; &lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SFPozpwHEPI/AAAAAAAAABE/8rwoa0LXJ_c/s1600-h/DSC02513.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211765167876411634" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SFPozpwHEPI/AAAAAAAAABE/8rwoa0LXJ_c/s200/DSC02513.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por conta do dia anterior acordamos mais tarde do que prevíamos, às 7:30h. Resolvemos que o negócio era mesmo tomar café no hotel, não só por causa da inutilidade de sair muito cedo, mas também pelo preço, já que o lugar mais barato para comer nas redondezas era mesmo o Hôtel du Brésil. O "petit déjouner" era bem razoável: pão, croissant gigante, suco de laranja, uma bebida quente escolhida entre café, chocolate quente, café com leite e chá, manteiga, geléia e mel. Dava pra forrar bem o estômago, e fora o pão duro, tudo estava bem gostoso. Especialmente o chocolate quente. Na europa o conceito de chocolate quente é muito diferente daqui... o pó que eles usam para misturar ao leite normalmente é chocolate com mais de 30% de cacao, bem mais forte do que o pó de chocolate em caixa que vende no Brasil e que a gente só usa pra fazer doces adicionando muito açúcar. São iguarias, especialmente o que eu vi na Holanda... mas não vou me adiantar na história.&lt;br /&gt;Terminado o café, como estávamos do lado do Panthéon, resolvemos começar por ele mesmo. Pra variar demos de cara com a porta, ele só abria a partir das 10h. Decidimos então começar pelas igrejas das redondezas, isto é, do quartier latin.&lt;br /&gt;Fomos primeiro a Eglise de Saint-Sulpice, aquela mesma que aparece no romance O Código Da Vinci por conta da linha rosa e de um assassinato de uma freira (no romance! Nenhuma freira foi assassinada lá em episódio famoso algum, apesar de que tenho certeza de que essas coisas deviam acontecer com alguma frequência na idade média ou mesmo durante a revolução ou a comuna).&lt;br /&gt;De qualquer forma, a igreja é estonteante... de uma altura formidável, ela é muito iluminada por dentro por conta dos enormes vitrais, o que dá um aspecto belíssimo em contato com suas pedras enegrecidas pelo tempo... fora a sua estatuária! Era a primeira igreja que víamos com uma estatuária tão rica e variada. Sua construção, pelo menos do prédio atual, contem elementos do século XII até o século XVII quando ela foi aumentada, num trabalho que durou 130 anos para ser "terminado" (a fachada e a torre sul permaneceram inacabadas) e incluem elementos dos estilos clássico e jesuíta. Mas é aquela coisa que sempre se repete na Europa, esse é o prédio atual, existem estudos e pesquisas arqueológicas que comprovam que antes dessa construção havia uma capela e um cemitério no mesmo lugar que datam de um período bem anterior. Coisa de europeu mesmo, que resolve fazer uma obra pra melhorar o sistema de esgoto e descobre uma ruína romana.&lt;br /&gt;Além disso tudo, a igreja possui um famoso gnômon que marca a data do equinócio de março! O tal que é mencionado como marcando a linha rosa no romance de Dan Brown, e por causa dele ao lado do obelisco do gnômon tem um grande quadro explicativo, colocado ali pela paróquia, sobre como o Código da Vinci deve ser evitado porque gera dúvidas quanto aos dogmas da igreja e quanto a fé, que isso é prejudicial e desnecessário porque a igreja nunca teve o objetivo de enganar ou esconder nada de ninguém e mais um monte de blablablá. Uma leitura muito curiosa e, sinceramente, hilária!&lt;br /&gt;Como se não fosse suficiente, tem o órgão, um dos maiores da Europa, que data do século XVIII. E aí entra outro detalhe especial: em muitas igrejas o órgão é tocado durante várias horas do dia como forma de pedir doações para sua manutenção. Eu nunca tinha escutado um órgão daquele tamanho funcionando, é algo realmente impressionante, cria uma atmosfera fantástica, a sensação é mesmo que a música envolve todo o seu corpo e ocupa todo o espaço da igreja. Deixa a visita muito mais emocionante.&lt;br /&gt;Daí fomos para o próxima igreja do dia: Saint-Germain-de-Prés, que tínhamos tentado em vão ver no dia anterior. Essa igreja é considerada a mais antiga de Paris, sua primeira versão, merovíngea, data do século VI, e o prédio atual é do século XI misturando diversos estilos: colunas ainda do século VI, arcos de estilo romano e abóbadas góticas. Ela foi quase totalmente destruída durante a revolução: apenas uma das suas 3 torres originais permanece de pé e ainda tem um daqueles episódios de massacre de todos os religiosos por uma multidão enfurecida mais comuns do que se imagina nesse período.&lt;br /&gt;Apesar da história tumultuada, a igreja é de uma beleza singular. Muito escura e sombria por conta dos seus arcos romanos e vitrais consequentemente diminutos, ela tem um clima muito diferente, sua estatuária é visivelmente mais antiga, e seus afrescos ainda estão razoavelmente conservados, escurecendo ainda mais o ambiente. Algumas capelas são tão antigas que é possível ver várias mudanças feitas ao longo dos anos, como portas e janelas que deixaram de existir, nichos abandonados e um certo ar de ruína arqueológica. Se você gosta de simbologia e entende um mínimo do assunto, visitar as igrejas na Europa é um prato cheio de coisas interessantes e aparentemente fora do lugar (pra quem conhece muito não deve parecer tão deslocado, como meus conhecimentos são muito limitados pra mim é tudo um samba do crioulo doido). Um dos vitrais dessa igreja, por exemplo, possui um símbolo maçônico muito conhecido: uma pirâmide com raios de sol saindo por trás (que também está presente na nota de um dólar), algo realmente inesperado.&lt;br /&gt;Descobrimos também, para minha alegria como profissional de ciências exatas, que Descartes está enterrado nessa igreja com direito a epitáfio e tudo: "O primeiro que, depois do renascimento das Letras na Europa, reivindicou e assegurou os direitos da razão humana" numa tradução meio porca e incompleta, mas ainda assim válida.&lt;br /&gt;Depois, para poupar tempo, porque a programação era bastante extensa, pegamos o metrô e fomos direto para o coração da cidade, a Île de la Cité! Que tem um dos cartões postais mais famosos do mundo: a Notre Dame.&lt;br /&gt;Mas antes de ir para a igreja considerada uma das obras primas da arte religiosa, fomos a uma igrejinha de proporções bem mais modestas, mas de importância quase inestimável para a arquitetura gótica: a Sainte Chapelle.&lt;br /&gt;Quando chegamos tinha uma fila monstruosa do lado de fora pra entrar. Olhamos desanimados... mas lembramos que nosso Museum Pass incluía a capela! Tentamos dar aquela carteirada mas fomos barrados: ali, por ser prédio do governo (é o atual palácio da justiça) não tinha distinção entre os turistas, a fila era única. Não tinha remédio, entramos na fila e ficamos esperando, ainda bem que tínhamos vindo de metrô trocamos a caminhada pela espera. Ela até andava, mas muito devagar, comecei a ficar preocupada, será que conseguiríamos ver os famosos vitrais com a capela tão lotada do jeito que aparentava estar?&lt;br /&gt;Depois de um pouco mais de meia hora chegou a nossa vez de entrar, e descobrimos a razão daquela confusão: mais detectores de metal. Eu passei fácil, mas o Caike trazia na mochila um conjunto de talheres de acampamento, daqueles sem fio nenhum de colher, faca e garfo que se encaixam uns nos outros. Não ter fio não era importante. Barraram o conjunto. O Caike teve que assinar um termo que descrevia o material e deixá-lo ali na portaria para buscar na saída.&lt;br /&gt;Finalmente entramos no prédio, que na verdade é um grande complexo, com pátios internos e tudo. Passamos por um desses pátios, seguindo as placas indicativas da capela e a procura de um banheiro, que era unisex e a porta não trancava. Uma delícia. Como éramos dois, um vigiou a porta pro outro e dali fomos para a capela, que quase não se vê do lado de fora. É uma construção bem baixinha, com dois andares. Na verdade são duas capelas, construídas a mando de São Luís para abrigar a Santa Coroa, uma relíquia da coroa de espinhos e mais algumas outras relíquias. A capela de baixo tem o teto bastante rebaixado e é toda decorada de afrescos de fundo azul profundo com milhares de flores de lis, símbolo da realeza francesa. Essa capela de uso para as pessoas comuns (que não fossem da corte) era dedicada a Virgem e não possuía nenhuma passagem que desse para o segundo andar, exclusivo para a realeza, hoje tem uma lojinha de souvenirs que começa a te mostrar como os franceses sobrevivem do turismo: tem de tudo que você puder imaginar, livros sobre todos os temas medievais e religiosos (apenas cristãos, claro), miniaturas medievais, tapetes, almofadas e toalhas de mesa imitando as famosas tapeçarias de época e muitas inutilidades que você fica morrendo de vontade de comprar.&lt;br /&gt;Dali, você sobe para a capela de cima por uma escada em espiral bem estreita, que apesar de moderna se encaixa tão bem com o lugar que nem dá pra perceber que ela é posterior à construção. Quando se chega na capela superior, você simplesmente perde o ar. Não tem paredes! Apenas vitrais! Compridos e finos, absurdamente coloridos e estonteantes. Todos os detalhes em pedra são pintados, tudo tem um detalhe diferente pra você ver, é uma loucura tão grande que você não sabe pra que lado olhar. E tem os vitais coloridíssimos, com predominância de vermelho e azul, que contem círculos com cenas religiosas, organizadas de forma a seguir os livros da bíblia e também de acordo com o lugar que os personagens reais ficavam dentro da capela durante os ofícios.&lt;br /&gt;Pra melhorar a situação, colocaram pendendo do teto de quase 14 metros de altura diversos candelabros, que quando acesos (hoje por lâmpadas imitando chamas de vela) deixam o ambiente ainda mais impressionante pois ressaltam os dourados das pedras e das paredes. Você sai de lá meio tonto de tão bonito que é.&lt;br /&gt;E foi assim, com dificuldade de andar em linha reta e sem conseguir prestar atenção direito nas coisas e saímos de lá e fomos para A igreja de Paris: Notre Dame.&lt;br /&gt;A catedral te enfeitiça no momento que você a vê: o número de detalhes na sua fachada oeste (a mais conhecida, que tem o portão principal) é tão impressionante, e tudo está tão conservado que é difícil você se lembrar de entrar na igreja. Mas nem sempre foi assim, construída no estilo gótico durante os séculos XII e XIII, e sendo aperfeiçoada até metade do século XIV, ela quase foi demolida em diversas ocasiões: primeiro, no século XVIII, a desculpa era que o estilo gótico era considerado bárbaro e sombrio demais, porém não havia dinheiro para uma nova catedral (os nobres estavam ocupados construindo seus suntuosos chatêaux e não queriam gastar com a igreja), então os franceses se contentaram em mudar toda a estatuária interna e fazer pequenas demolições também internas para tentar modernizar a catedral, além disso destruíram grande parte dos vitrais e substituíram por vidros brancos a fim de aumentar a luminosidade, e também destruíram parte do tímpano central da entrada principal para facilitar a passagem das procissões. Depois, durante a revolução muitas estátuas foram decapitadas por serem julgadas como representações dos reis da França (na verdade representavam os reis de Judá, mas os revolucionários também não são conhecidos por seu profundo conhecimento religioso, não é mesmo?), e muitas outras mais acabaram sendo destruídas também para se utilizar as pedras.&lt;br /&gt;Após a revolução, fizeram pequenas obras de urgência no edifício apenas para poder sacrar Napoleão como imperador. Mas o estado geral era tão lastimável que logo logo já estavam novamente pensando em destruir tudo, pois não havia razão para manter aqueles escombros de pé. Foi nessa época que Victor Hugo escreveu o célebre romance "Notre Dame de Paris" (O Corcunda de Notre Dame), o que fez reviver o gosto dos parisienses pela construção e em pouco tempo surgiu uma campanha pela sua restauração. Após muitas confusões com o dinheiro e os valores para tal empreitada, a catedral foi restaurada, porém com muitas modificações, já que havia poucos registros intactos dos seus detalhes originais, e outras catedrais acabaram sendo usadas como inspiração pelos restauradores.&lt;br /&gt;De qualquer forma, a construção impressiona muitíssimo por fora, e é difícil se concentrar e entrar na fila para adentrar a Catedral. Uma vez do lado de dentro, o seu tamanho é realmente fora de série, você fica imaginando como devia ser estarrecedor estar ali na idade média, devia ser mesmo considerada a morada de deus, pois homem nenhum poderia ser capaz de construir tal coisa. Os vitrais restaurados das rosáceas são realmente muito bonitos e dão um ar todo especial. Mas fora isso, a catedral não me tocou tanto. Não sei se foi o excesso de gente (mal dá pra andar e não é possível observar direito as paredes e as capelas), a impressão forte que as outras igrejas que tínhamos visto até aqui haviam deixado, ou simplesmente cansaço e fome, ou mesmo um pouco disso tudo. Só sei que saí da catedral meio decepcionada, com o exterior tão fantástico o interior deixou muito a desejar.&lt;br /&gt;Por conta disso ficamos pouco tempo dentro da igreja e resolvemos passear do lado de fora mesmo, tomando bastante tempo para ver e fotografar seus arcos botantes e gárgulas. Em volta (na verdade ao lado direito da fachada) e atrás da catedral há um jardim muito agradável e a observação fica muito mais interessante, e calma, diga-se de passagem, porque a maioria dos turistas olha apenas a fachada e a parte interna, deixando os jardins bem mais civilizados. Tentamos também visitar a cripta, que tem um museu com fundações antigas, ainda de Lutécia (nome romano de Paris para os desavisados ou aqueles que não leram Asterix), mas ela estava fechada naquele dia, e eu tentei convencer o Caike a subir a torre, mas a fila e o medo de altura dele foram mais fortes que os meus argumentos.&lt;br /&gt;Dessa forma, depois de saciados, atravessamos a ponte que liga a Île de la Cité à Île de Saint Louis a procura do famoso sorvete Bertillon. O toldo verde escuro é facílimo de achar e ao olhar os sabores dos sorvetes percebemos que estávamos mesmo era com fome, e acabamos trocando os sorvetes pelo menu completo com direito a vista para a catedral. Foi uma das melhores refeições que fiz na França, pedimos de entrada scargots ao pesto e uma espécie de sopa de legumes (d-i-v-i-n-a), de prato principal pedimos (nós dois, então eram dois pratos) fígado de vitela ao porto, e de sobremesa o Caike escolheu uma salada de fruta que eu juro que é a mais bonita que eu já vi e eu optei por um bolo de chocolate com menta. Tudo regado a cerveja Leffe para ele e vinho quente pra mim. Uma maravilha gastronômica.&lt;br /&gt;Restaurados pela divina culinária francesa, fomos dar uma volta pela ilha e demos de cara na porta da igreja Saint Louis (não seria a única vez), dali pegamos a ponte que leva para perto do instituto árabe e resolvemos fazer um caminho alternativo. Estávamos mesmo inspirados, pois esse caminho se revelou fantástico.&lt;br /&gt;Primeiro, logo depois de passarmos em frente ao instituto, o que já é muito interessante de ver com sua arquitetura moderna, encontramos diversas livrarias maravilhosas especializadas em cultura árabe, com a maior parte dos títulos escritos em árabe mesmo. O Caike teve a paciência de entrar comigo em todas elas pra procurar livros sobre dança do ventre... o que foi muito irônico, pois em todas elas o único livro disponível era de uma americana traduzido para o francês. Quem diria? Mas uma dessas livrarias vendia também cds! Originais e a preço de banana. Eles eram tão originais que eu precisei da ajuda do vendedor para escolher, afinal eu ainda não leio árabe. O rapaz foi muitíssimo atencioso, separou pra mim os títulos que davam pra dançar e aqueles da Oum Kalthoum, e ainda me disse qual cd dela tinha a música que eu estava procurando. Saí de lá muito mais carregada do que eu estava planejando, mas feliz (eu ainda não sabia o quão carregada eu estaria no final daquela semana).&lt;br /&gt;Continuamos nosso caminho improvisado e acabamos por passar por um resquício de um muro do século XII, que era uma das muralhas que protegiam a cidade medieval, a "enceite Philippe Auguste", coisa que eu nem sabia que existia ainda em Paris, e que fica bem no meio de duas casas, fazendo parte de uma das paredes de uma delas.&lt;br /&gt;Impressionados com esse tesouro arqueológico encravado no meio da rua, continuamos a andar e passamos em frente a uma ex-igreja, a antiga Eglise Sainte Genoviève, que hoje é um liceu, bom, na verdade, o que sobrou da igreja foi usado para construir a escola, mas a localização é a mesma. Do lado fica a Eglise Saint Étienne du Mont. Resolvemos entrar. E descobrimos um tesouro!&lt;br /&gt;Originária da antiga igreja de Santa Genoveva (padroeira de Paris), a igreja foi construída para aumentar a capacidade de receber fiéis da primeira, porém foi dedicada a Saint Étienne porque a catedral da cidade já não era mais dedicada a esse santo. Sua construção começou no século XV e ela só foi terminada em meados do século XVII. Por conta disso ela mistura diversos estilos.&lt;br /&gt;Ela é extremamente iluminada por dentro, contando com a ajuda da cor das pedras utilizadas que são branquíssimas, possui duas escadas em espiral mais ou menos na altura do transepto que são de uma beleza ímpar, e ainda guarda dentro dela os túmulos de Pascal e Racine. Como se não fosse suficiente, é também dentro dela que está depositada a urna funerária da Santa Genoveva, que é uma obra de arte belíssima.&lt;br /&gt;Sua impressão é tão forte em mim que tenho até dificuldade de escrever sobre ela. Tem que estar lá pra sentir isso, não dá pra descrever em palavras.&lt;br /&gt;Dali, extasiados pela surpresa, fomos ao Panteão. Estava chovendo, e por isso corremos para não nos molharmos e entramos meio aos trancos e barrancos na construção que era para ser a nova igreja de Santa Genoveva, mas acabou virando um monumento republicano para servir de homenagem a grandes figuras da história da França.&lt;br /&gt;O Panteão é uma parada obrigatória em Paris, não só por sua importância arquitetônica e histórica, mas principalmente por sua beleza. O lugar é lindo de morrer, todas as paredes possuem afrescos da vida de Joana D'Arc ou de Santa Genoveva, incluindo pinturas famosas da "pucelle d'Orléans", não tem um pedacinho do teto que também não seja pintado, e por sua construção ser do século XVIII ela é muito iluminada. Pra quem gosta de ciência é nele também que se encontra um dos experimentos mais famosos do mundo: o pêndulo de Foucault. Enfim, é um prato cheio pra turista algum botar defeito. Dá pra ficar horas observando as paredes e os tetos do lugar, mas já estávamos cansados e fomos bem mais modestos, ficamos só uns 45 minutos. Depois fomos a cripta.&lt;br /&gt;Ah, sim, por ser originalmente uma igreja, tem uma cripta. Enorme. Enorme mesmo! E é nela que se pode fazer homenagem a diversos personagens ilustres: Voltaire, Jean-Jacques Rousseau, Lagrange (o famoso matemático), Victor Hugo, Émile Zola, Louis Braille (que criou o braille...), Pierre e Marie Currie (prêmios Nobel da física) e Alexandre Dumas (que não respondeu porque os 3 mosqueteiros são 4...), e mais um monte de gente importante mas que eu não sei quem são por puro desconhecimento histórico. Enfim, é imperdível.&lt;br /&gt;Quando saímos, olhamos para o céu ainda claro e chegamos a conclusão de que a noite era uma criança. Pegamos o metrô e fomos direto para o Arco do Triunfo. Após uma pequena confusão com a saída certa e a forma de chegar ao Arco (só tem passagem subterrânea, tentar atravessar aquela rua é suicídio), estávamos aos pés daquele colosso. Parece muito maior de perto do que de longe, e estava a maior confusão. Um monte de guardas e cordões de isolamento protegiam algumas pessoas que estavam visitando o túmulo do soldado desconhecido. Enquanto o Caike via perfeitamente o que estava acontecendo, eu tive que esticar o pescoço e me esgueirar no meio das pessoas pra ver quem estava lá. Nem ele nem eu reconhemos nenhuma delas (um senhor uniformizado parecendo militar e uma mulher mais jovem, que não era a nova senhora Sarkozy apesar de aparentar a mesma idade). Com aquele monte de gente esperando os ilustres terminarem a sua visita para começar as suas próprias, achamos que era mais produtivo subir para ver a vista.&lt;br /&gt;Agradeço muito por aquela confusão, acho que se não fosse por ela (e pelo museum pass) o Caike não tinha topado subir as escadas. Ah, sim, são 50 metros de altura sem elevador numa escada em espiral de te deixar tonto.&lt;br /&gt;Chegando lá em cima, tem um espaço que mais parece um museu, onde você pode aproveitar para conhecer os detalhes dos relevos do Arco enquanto espera os seus pulmões chegarem. Para isso tem um brinquedo muitíssimo interessante: é uma miniatura do arco do triunfo presa à uma mesa que você pode girar 360° e uns botões que você usa para escolher a altura. Conforme você vai girando a peça e escolhendo a altura, as imagens dos relevos correnpondentes à região escolhida do arco são projetadas num telão com direito a explicações históricas. Divertidíssimo!&lt;br /&gt;Após a pausa pra descanso, são poucas as escadas a subir para o topo da construção e ter uma vista sensacional! Bom, o Caike não achou tão sensacional assim, pois mal conseguia chegar perto da grade e foi difícil tirarmos uma foto com Paris ao fundo... mas ele se superou e conseguimos! Fiquei felicíssima! E a foto ficou linda! Também, com aquela paisagem não tem como errar. Depois dessa, o Caike começou a se sentir mais à vontade e pudemos ver a distância que havíamos percorrido nos dois dias anteriores... fiquei impressionada comigo mesma, e comecei a acreditar que realmente aguentaria aquela viagem até o fim, pois meus planos incluíam muita, mas muita caminhada.&lt;br /&gt;Pudemos então descer felizes, eu por ter tirado fotos maravilhosas de Paris, o Caike por estar voltando ao chão. Aproveitamos que a confusão havia acabado e pudemos observar o túmulo do soldado desconhecido, onde há uma chama eterna.&lt;br /&gt;Depois de satisfeitos e confiantes por termos sobrevivido àquela escada monstruosa, achamos que conseguiríamos caminhar pela Champs Elysées até a Place de la Concorde, para vermos o obelisco. Apesar de uma chuva chata e fina fomos caminhando e procurando lojas de eletrônicos, onde o Caike procurava um jogo que estava para ser lançado e um hd externo, além de livrarias e lojas de música, onde eu procurava livros da Amélie Nothomb e presentes para os meus pais. Chegamos à conclusão de que não há lojas especializadas em eletrônicos, mas a Fnac e a Virgin podem subtituir quase qualquer loja, encontramos tudo o que procurávamos nelas, desde jogos e produtos eletrônicos até cds de dança oriental baratíssimos, além de uns 10 pocket books da minha escritora belga favorita, um livro de dança do ventre, e claro, os presentes dos meus pais.&lt;br /&gt;Chegamos à praça carregadíssimos e pensando que tínhamos exagerado ao acharmos que sobreviveríamos àquela caminhada. Estávamos tão cansados e com tanto frio que mal conseguimos admirar o obelisco, que veio de Luxor, no Egito, em 1836, oferecido pelo governo egípcio mesmo, em agradecimento e homenagem a Champolliom, o francês que foi o primeiro a traduzir os hieróglifos. E olha que aquele gigante é lindo de morrer, coberto de hieróglifos que celebram a glória de Ramsés II. Nos contentamos com o esforço de tirar fotos enquanto tremíamos e depois fomos catar o metrô mais próximo. O que, diga-se de passagem, foi difícil de encontrar devido à nossa cegueira pelo cansaço. Demos uma olhada rápida na Madeleine antes de nos enfiarmos debaixo do solo, e fomos direto para o hotel, aproveitando apenas para passar numa vendinha e nos abastecermos de pão, queijos e salame para o meu jantar. O Caike resolveu comprar um sanduíche no Quick, uma loja no estilo do McDonald's, só que francesa. Ele até tentou tirar uma foto do cardápio da multinacional e onipresente rede americana que havia ali perto, mas era proibido. Ele só queria poder provar que o quarteirão com queijo na França se chama mesmo Royale.&lt;br /&gt;Chegando no hotel, foi só comer, lavar roupa e dormir feito pedra. O dia seguinte prometia chuva e mais caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-6ad640295d1f4626" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v10.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D6ad640295d1f4626%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6BA8D9715EF53726D36882F939FB60AEE08A1E72.1A27873664EB69A51582D92290C3BAAF6625047A%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D6ad640295d1f4626%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DFhzp0fgSaObVdYG77caUbUCfWjQ&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v10.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D6ad640295d1f4626%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6BA8D9715EF53726D36882F939FB60AEE08A1E72.1A27873664EB69A51582D92290C3BAAF6625047A%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D6ad640295d1f4626%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DFhzp0fgSaObVdYG77caUbUCfWjQ&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-3831448217645462705?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=6ad640295d1f4626&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/3831448217645462705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=3831448217645462705' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/3831448217645462705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/3831448217645462705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/06/dia-28-de-abril-o-dia-das-surpresas.html' title='Dia 28 de abril - o dia das surpresas'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SFPozpwHEPI/AAAAAAAAABE/8rwoa0LXJ_c/s72-c/DSC02513.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-4271904776168046027</id><published>2008-06-06T03:09:00.001-03:00</published><updated>2009-06-07T20:18:51.639-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Museu'/><title type='text'>27 de abril - Museus e Monumentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SFPf60CxuZI/AAAAAAAAAA8/97WRa1_cQho/s1600-h/DSC02340.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211755395293493650" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SFPf60CxuZI/AAAAAAAAAA8/97WRa1_cQho/s200/DSC02340.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;O dia começou cedo, bem cedo, porque queríamos tomar café na rua mesmo, antes de começar o café do hotel, pra começarmos a ver coisas o mais rápido possível a aproveitar o máximo do dia.&lt;br /&gt;Ledo engano. Paris (mais tarde descobri que toda a França) não acorda cedo. Era mais de 7h da manhã e não tinha nada aberto. Nada, nadinha. Nem uma padaria, nem um bistrô, nem uma venda de produtos gerais de alimentação (é mais ou menos essa a tradução pra esse tipo de loja, "alimentation generale", coisa de francês). Tudo abriria a partir das 9h.&lt;br /&gt;Andamos pelas ruas morrendo de fome, procurando algum lugar, qualquer um, que tivesse comida de alguma espécie, pensando que não era possível uma cidade grande como Paris não ter nada aberto aquela hora. E, acredite, é possível, não tem mesmo.&lt;br /&gt;Só fomos achar alguma coisa quando bateu 8h e já estávamos em frente ao nosso primeiro objetivo do dia, a igreja Saint Germain de Près, que como todo bom monumento/igreja/museu da França só abre a partir das 9h. Isso quando eles abrem cedo, pra garantir não ficar esperando não chegue antes das 10h caso você não saiba o horário de abertura.&lt;br /&gt;Bom, estávamos famintos e decepcionados com a porta fechada. Porém em frente tinha um lindo bistrô aberto, tinha até umas 2 mesas já ocupadas por pessoas tomando lindos desjejuns, com pães suculentos, chá, café, chocolate... fomos até lá determinados a comer independentemente do preço. Quando vimos o valor estampado no menu quase desistimos... mas nossos estômagos fizeram birra e tentamos contornar um pouco a situação dando uma de brasileiros, perguntamos se não podíamos pedir um café da manhã para nós 2 dividirmos e uma bebida quente extra. O garçom aceitou. Menos mal. Sentamos, dividimos o café da manhã que pareceu muito menor e menos variado que nas outras mesas (provavelmente porque pedimos o mais barato que tinha no cardápio e os outros deviam ter orçamentos muito melhores do que o nosso). De qualquer forma, enquanto estávamos lá, saquei meu guia de Paris da mochila pra ver o horário da Igreja, coisa que eu não tinha feito anteriormente, e pude constatar que realmente nosso plano inicial de madrugar não daria em nada além de fome e portas fechadas. Mas, também descobri que estávamos sentados num café muitíssimo famoso, o Deux Magots, onde outrara filósofos como Sartre se reuniam para discutir, quer dizer, para beber e, obviamente, filosofar. Agora eu entendia a razão do preço absurdo daquele lugar, a fama e a folosofia podem ser muito caras.&lt;br /&gt;Depois do café, desistimos de esperar a Igreja abrir e resolvemos caminhar direto para o nosso objetivo seguinte: Museu D'Orsay. Apesar de chegarmos meia hora antes do dito cujo abrir, já tinha fila, e ela não era pequena. Conforme tentávamos descobrir em qual fila devíamos entrar (tinham duas, mas as sinalizações ao invés de ajudar atrapalhavam), mais gente ia chegando, nos deixando agoniados. Um cara de terno, que era uma espécie de segurança do museu (esses trabalham 24h aparentemente) nos ajudou e finalmente entramos na fila certa. Esperamos um bom tempo no frio da manhã nublada, não só até o museu abrir, mas depois também, porque além da porta giratória só permitir que poucas pessoas passem de cada vez para dentro do prédio, assim que você entra tem de passar por um detector de metais e mais uns guardinhas que pedem pra ver dentro da sua bolsa ou mochila (procedimento de praxe em todo museu europeu, vou logo avisando).&lt;br /&gt;Finalmente chegou a nossa vez, passamos pelo detector, que ficou bem quietinho, e fomos comprar a melhor coisa de Paris pra quem gosta de museu: o Museum Pass! Pegamos o que valia pelo maior número de dias, seis, pagamos caro, porém não gastaríamos mais nada com entradas em praticamente toda a viagem, com a grande vantagem de ter o poder de furar fila porque sim. Se você for entrar em mais de 5 museus e mais uns 4 monumentos listados no passe, já está valendo. Como nossa lista era grande, nem pensamos duas vezes.&lt;br /&gt;Até porque, como desconfiávamos, esse passe é a glória nos momentos de filas gigantescas, você se sente muito importante passando por todas aquelas pessoas esperando em pé até chegar na entrada especial que a maioria dos monumentos e museus de Paris tem para quem comprou o passe.&lt;br /&gt;Mas voltando pro museu onde estávamos, compramos nossos tiquetes pro paraíso e fomos logo alertados de que tínhamos que deixar nossas mochilas no guarda-volume. Outra praxe chatíssima na europa: bolsas grandes e mochilas (pra essas o tamanho não importa, basta ser mochila) não podem entrar nas exposições. Eu resolvi me safar de deixar minhas coisas pra trás aproveitando que a minha mochila virava casaco e dei logo um jeito no problema. Já o Caike não teve opção... chegamos no guarda-volumes e fomos atendidos por um português muito simpático, que nos lembrou que pelo menos podíamos tirar fotos (sem flash!, claro).&lt;br /&gt;Bom, quanto ao museu, por onde começar? O Museu D'Orsay era antigamente uma estação de trem, que inclusive foi muito usada pra receber refugiados na segunda guerra mundial. Depois de desativada na década de 70, foi reformada e transformada num museu simplesmente maravilhoso, inaugurado em 1986. Sério, é um museu que você não sabe se olha em volta ou pras obras, em sua maioria impressionistas. Lindo de morrer. Logo logo esquecemos da fome que passamos pela manhã e ficamos embevecidos com o nosso primeiro museu: Monet, Rodin, Manet, Van Gogh, Courbet... tudo tão lindo... não tem nem muito o que dizer, é o tipo de experiência que só vivendo mesmo. Cada um sente uma coisa diferente diante daquelas obras.&lt;br /&gt;Depois de umas 3h de arte saímos de lá meio embriagados de cores, texturas, curvas e beleza. Já era hora do almoço... e a fome deu novamente o ar de sua graça. Fomos procurar um bistrô legal a caminho dos Invalides, um monumento que mistura museu, igreja e túmulos. Mas já vamos chegar lá.&lt;br /&gt;Achamos um muito simpático, numa rua bem estreita e calma, o Sud Café. Aliás, recomendo. Comemos um macarrão muito bem feito, com carne e um vinho do Rhône fabuloso (aliás, mesmo o vinho mais barato na França é fabuloso, é impossível errar). Tudo com muito, muito açúcar, por conta da música romântica no fundo, pra fazer o clima do nosso aniversário de 2 anos de namoro. O dia que tinha começado meio esquisito já tinha ficado perfeito.&lt;br /&gt;Depois fomos ao Invalides, que tem origem na vontade muito nobre do rei Luís XIV de criar um lugar que desse apoio aos inválidos do exército francês. Daí a origem do nome e toda a sua ligação com os militares durante toda a sua existência. Tanto que no complexo hoje existe o museu militar da França, com 2 exposições que nós decidimos não visitar por pura falta de tempo e por questões de prioridade entre os museus: uma de armas através da história e outra da segunda guerra. Mas fomos direto ver a Catedral de Saint-Louis-des-Invalides, que é de-tirar-o-fôlego... e atrás da catedral fica o famoso Dôme, onde está suntuosamente enterrado Napoleão e mais um monte de generais importantes. É intrigante ver como um homem tão pequeno deu origem a um túmulo tão grande... e mesmo assim, tenho certeza de que o ego dele não caberia ali.&lt;br /&gt;Todo o Dôme é uma ode ao que Bonaparte fez em vida, com altos relevos por todas as paredes, trazendo-o como César, e com descrições de conquistas ou de decisões importantes e revolucionárias que ele tomou (como tornar a escola primária pública e universal). Muito bonito, vale a pena visitar, e se você souber francês, é uma atração a parte ler os feitos napoleônicos. Deixa também você imaginando como não deveria ser na época em que aquela imensa cúpula dourada era mesmo revestida de ouro, que quantidade absurda do valioso metal não deveria ser necessária pra cobrir aquela coisa imensa... hoje é só tinta dourada, mas continua espantoso.&lt;br /&gt;Saímos de lá animados para a próxima atração do dia: o museu Rodin.&lt;br /&gt;Não é um museu grande, mas de todos os museus de Paris é o mais agradável de visitar, ainda mais num dia bonito como aquele, com sol mas algumas nuvens pra deixar mais ameno. É simplesmente o clima perfeito pra visitar esse museu-jardim. A concepção é genial: as grandes obras de Rodin estão expostas ao ar livre, no jardim da casa que abriga o museu, no meio das flores e de muito verde.&lt;br /&gt;As obras de menor dimensão ficam dentro da casa, o antigo Hôtel Biron, do século XVIII, onde Rodin viveu no início do século XX e que deixou para o estado juntamente com sua coleção pessoal de esculturas, além de quadros de Van Gogh e Renoir, com a condição de que a casa fosse transformada num museu que levasse o seu nome e abrigasse suas obras (espertinho ele, não?).&lt;br /&gt;Eu que sou fã de Rodin fiquei maluca com aquilo... é mesmo muito bonito, e toda aquela genialidade dele junta é de matar do coração... tiramos fotos de quase todas as obras expostas (impossível de segurar o dedo na máquina digital), e de quebra ainda tiramos um rápido cochilo num dos bancos do jardim, que foi feito mesmo pra ser aproveitado, cheio de bancos bem espaçosos e espreguiçadeiras. Simplesmente uma delícia.&lt;br /&gt;Depois de algum esforço pra deixar aquele pedaço do céu na terra, fomos andando até o Campo de Marte, o gramado enorme que fica em frente a Torre Eiffel. E no caminho compramos uma enorme baquete, salaminho, queijo e suco de laranja. Fizemos o que os parisienses adoram fazer: um piquenique ao ar livre! Observando nada menos que a Torre, e os diversos franceses e turistas (em menor número, a maioria dos turistas não pára ali, está apenas de passagem para visitar a torre), todos aproveitando o restinho de sol (já era umas 18h, mas ainda faltava umas 3 horas pro pôr do sol). Aí que comecei a perceber que os parisienses realmente usam os espaços públicos! A quantidade de pessoas reunidas ali depois do expediente para tomar vinho e comer alguma coisa era espantosa! Fora as famílias com suas crianças e/ou cachorros todos brincando de bola, peteca, ou algo do gênero. Fora as pessoas sozinhas, com suas garrafas de vinho e seus livros (como se lê em Paris!)... e todo mundo usa canga pra se sentar no gramado! Se fosse areia, seria que nem a praia de Copacabana no verão, só que com pessoas vestidas, silenciosas (apesar de muito animadas!), educadas, sem pivete, e nem guarda-sol.&lt;br /&gt;Ficamos ali matando tempo e descansando os pés por uma hora, pois pela nossa programação o dia ainda ia render muito. Quando cansamos de ficar parados, nos levantamos e fomos conferir a torre de perto, passamos por baixo dela, nos horrorizamos com os tamanhos das filas e fomos ver como era a vista dela do outro lado do rio, do Trocadéro.&lt;br /&gt;Bom, vou só dizer uma coisa: é uma farofada só. Se já tem camelô debaixo da torre (e eles são raros na cidade, e inexistentes no resto do país), o Trocadéro parece ser o seu habitat natural. São muitos! Um do lado do outro, fora os que ficam circulando, oferencendo na maior parte das vezes chaveirinhos com miniaturas da torre, por um preço ridículo se comparado com qualquer loja de souvenirs (fica a dica!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa pra reflexão: para um país famoso por sua predileção por cachorros à crianças, os franceses adoram mimar seus filhos com carrosséis... só perto da Torre Eiffel tem uns 2!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitamos para tirar mais fotos ainda e descansamos mais um pouco. Quando vimos que nosso horário estava folgado, pois nosso piquenique era também o nosso jantar, resolvemos aproveitar e acrescentar mais um ponto turístico no nosso roteiro: a praça Vendôme! Pegamos o metrô e chegamos bem rapidinho.&lt;br /&gt;Essa praça é conhecida por sua coluna de bronze (totalmente esverdeado pela exposição ao ar livre) e por suas lojas chiquésimas. Por conta da hora, parecia que ela era só nossa, pois estava completamente vazia! Pudemos admirar com toda a calma a coluna, que conta com 280 metros de descrição de cenas de batalhas numa espiral que vai subindo até o topo da coluna, onde tem uma estátua de Bonaparte, de data posterior ao resto da coluna. Dizem que o seu bronze provem de 1200 canhões russos e austríacos, tomados durante guerras, porém os especialistas acham que foram apenas uns 130 tomados em Austerlitz. Nada como a propaganda governista. Aliás, essa coluna é também protagonista de um episódio muito interessante, envolvendo um artista e a comuna de Paris (episódio muito importante na história da cidade, e ao qual voltarei a falar em outro dia desse diário).&lt;br /&gt;Antes do estouro da comuna, o famoso pintor Gustave Courbet (aquele que pintou uma vagina bem no meio de um quadro e denominou-o "Origem do Mundo"), que era bem chegado a uma opinião política forte e socialista, fez uma petição ao governo pedindo a destruição do monumento. Obviamente que o episódio criou um grande frisson e o artista foi duramente criticado, inclusive isso acabou afetando e muito o seu trabalho na época, que deixou de ser aceito nos salões. Depois de um tempo, a poeira baixou. O problema, é que quando se iniciou a comuna, em 1871, ele participou ativamente, claro, e os dirigentes dessa, apesar dos apelos do pintor, resolveu mesmo derrubar a dita cuja, proclamando que "A Comuna de Paris considera que a coluna imperial da Praça Vendôme (na época e estátua que existia no topo era de Louis XIV) é um monumento à barbárie, um símbolo da força bruta e da falsa glória, uma afirmação do militarismo, uma negação do direito internacional, um insulto permanente aos vencedores e vencidos, um atentado perpétuo a um dos três grandes princípios da República: a Fraternidade!" Eles eram avançados demais pra sua época, né? Não é a toa que foram exterminados, mas isso é outra história.&lt;br /&gt;Depois de extinta a comuna, Courbet ficou eternamente manchado com a culpa colocada em suas costas como o grande autor e responsável pela idéia de derrubar a tal coluna, que obviamente foi devidamente recolocada no lugar, e a estátua em seu topo (que foi a única peça realmente partida em pedacinhos) substituída pela atual. Ah, e o preço dessa recolocação e restauração foi cobrado inteiramente do artista, uns 323 mil francos na época, uma fortuna que o arruinou financeiramente, pois ele não tinha todo esse dinheiro. Resumo da ópera: confiscaram absolutamente tudo que ele tinha por conta da comuna e ainda exigiram esse pagamento, depois de refugiado na Suíça, ele consegue um acordo para pagar o valor em prestações de 10 mil francos por ano por 33 anos. Mas isso tudo foi demais pra ele, e Courbet acabou falecendo antes mesmo de pagar a primeira parcela.&lt;br /&gt;Acabada a pequena aula de história e voltando ao nosso passeio, dali fomos para a agência de turismo francesa onde tínhamos comprado pela internet um pacote de city-tour noturno (para ver os monumentos iluminados), seguido de um show no Moulin Rouge!&lt;br /&gt;Como eu estava morta de cansada de ter acordado cedo e passado o dia inteiro andando, somando-se ao fato de que eu já tinha visto quase todos os monumentos mostrados no tour, fiquei batendo cabeça no ônibus o tempo inteiro... mesmo assim, posso fazer a seguinte afirmação: Paris é mesmo a cidade luz! Mas você precisa rever o seu conceito de iluminação antes de concordar... esqueça as luzes ostensivas das grandes metrópoles poluídas por neon e tvs gigantescas. Paris tem classe. Sua iluminação é aquela escolhida pelos arquitetos, serve para preencher e valorizar os espaços e a arquitetura dos prédios, não para deixa-los chapados como a cara de uma pessoa perto demais do flash. Portanto, ela é mais sutil e indireta, e deixa alguns lugares na penumbra para valorizar outros. E ela é incrivelmente coerente pela cidade inteira. Até mesmo a Torre Eiffel com aqueles pisca-piscas todos, que eu achava muito brega, combina perfeitamente com o conjunto de monumentos iluminados e fica espetacular. Pena que com o ônibus em movimento não dá pra tirar fotos. Resumindo, é realmente um tour bonito de ver, e mais impressionante ainda se você vir as coisas iluminadas antes de vê-las durante o dia.&lt;br /&gt;Depois fomos levados até o Moulin Rouge para o espetáculo Férie (em tradução livre minha "feérico"). O que dizer do show? É um tanto quanto perturbador: nunca imaginei que mulheres semi-nuas pudessem se transformar em algo tão GAY. Esqueça o cabaret do século XIX e o filme, o show é GAY, muito GAY. Logo se percebe que o produtor daquilo é viado, o coreógrafo é tão gay que não sabe o que é sensual na mulher, o compositor solta purpurina pelos poros e o estilista, bom, melhor nem comentar, é uma "queen". Você ri muito durante o espetáculo, pelo completo non-sense e impossibilidade estética e teórica do que está assistindo. O show conta pequenas histórias, que as vezes se conectam, com direito a um casal oriental que se apaixona mas é obrigado a se separar, aí a mocinha é seduzida por um europeu, que a joga entre cobras! Literalmente. Juro que sobe do chão uma piscina de vidro (de forma que você vê tudo debaixo d'água) onde a mulher é jogada, no meio de cobras de verdade que nadam no meio das águas, não antes da atriz gritar estericamente. Claro que no final, o casal se reencontra, só que à moda Peter Pan, sobrevoando a platéia, iluminados por luz negra e por uma lanterninha que os próprios atores seguram para iluminar os seus rostos. É engraçadíssimo!&lt;br /&gt;Aí você pensa, bom, realmente engraçado, mas não pode ficar pior do que isso. Ledo engano, o elenco todo ainda canta "I will survive". Aí você pensa, é o fundo do poço! Ledo engano. Você ainda vai ver todo o elenco, incluindo os homens (tem homens!!!! Só que eles estão sempre devidamente cobertos, quer dizer, quase sempre) entrar no palco por uma escada que desce do teto cobertos dos pés à cabeça de cor-de-rosa-choque e plumas, muitas plumas, em trajes iluminados (literalmente! com lâmpadas e tudo!)&lt;br /&gt;Só não piora mais ainda porque o espetáculo acaba, e você está com dor de barriga de tanto rir. Meninas, não tentem assistir ao show de maquiagem pesada, ela não vai resistir.&lt;br /&gt;Além de tudo isso, o show possui pequenos intervalos para as bailarinas e bailarinos trocarem de roupa (as mulheres trocam apenas os fios dentais, saltos agulha e fios que ressaltam que estão com os seios de fora), que são ocupados por números circenses, esses muito bons, não tem onde pôr defeito.&lt;br /&gt;Todo o show tem apenas 5 minutos do que realmente queríamos ver: cancan. Mas são belos 5 minutos que fazem a platéia vibrar! É emocionante! E você consegue vislumbrar o quê que é o cabaret original, e a razão das bailarinas não serem tão boas nas outras coreografias: elas sabem mesmo é dançar cancan!&lt;br /&gt;Acabado o espetáculo, estávamos nós também acabados. Graças a Deus a companhia de turismo providencia o transporte até o seu hotel, senão estávamos fritos, porque o show acaba depois de 1h da manhã, quando o metrô já fechou.&lt;br /&gt;Voltamos ao hotel com fome por causa da hora, mas estávamos tão cansados que só queríamos dormir. Chegamos lá, e o cara da recepção estava deitado numa cama estendida no micro salão usado para o café da manhã. Ele nos indicou que a nossa chave estava no balcão e só se preocupou quando eu entendi que ela estava nos lugares onde se guardam as chaves dos quartos, do outro lado do balcão. A chave estava do lado de fora, em cima da mesa mesmo. Como eu iria ver naquela escuridão que elas estavam ali? Mas enfim, conseguimos subir e capotamos. Mesmo. O dia seguinte também seria cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-5a8f6ac98a076719" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v17.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D5a8f6ac98a076719%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6F307D7178CACAE6EC23ABDA395C97EA7E81342C.1522BF5E51CFA5C95E9C5327B9F50D6F33A3E0F2%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D5a8f6ac98a076719%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D5vJfNvAx5jwLPhPqYhjVMWyt4Sw&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v17.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D5a8f6ac98a076719%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6F307D7178CACAE6EC23ABDA395C97EA7E81342C.1522BF5E51CFA5C95E9C5327B9F50D6F33A3E0F2%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D5a8f6ac98a076719%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D5vJfNvAx5jwLPhPqYhjVMWyt4Sw&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-4271904776168046027?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=5a8f6ac98a076719&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/4271904776168046027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=4271904776168046027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/4271904776168046027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/4271904776168046027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/06/27-de-abril-museus-e-monumentos.html' title='27 de abril - Museus e Monumentos'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SFPf60CxuZI/AAAAAAAAAA8/97WRa1_cQho/s72-c/DSC02340.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3874996062810615067.post-2847072696276524198</id><published>2008-06-04T02:00:00.001-03:00</published><updated>2009-06-07T19:41:10.615-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><title type='text'>25/26 de abril - A CHEGADA</title><content type='html'>&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SFPdV-KyYuI/AAAAAAAAAA0/lLLTzbF_umo/s1600-h/DSC02200.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211752563333030626" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SFPdV-KyYuI/AAAAAAAAAA0/lLLTzbF_umo/s200/DSC02200.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Chegamos na Europa por Madrid, num vôo muito tranquilo da Ibéria, onde já fomos logo começando a degustação de vinhos. Eu pedi um branco e o Caike um tinto, ambos espanhóis, mas muito bonzinhos (naquele momento eu os classifiquei como muito bons, mas meu nível subiu depois de 30 dias na França, fazer o quê?). Bom, troca de copos pra lá, garrafas miniatura pra cá, os vinhos resultaram num sono maravilhoso... nada como álcool em quem não bebe pra fazer dormir. Era tudo que eu precisava pra começar as minhas férias.&lt;br /&gt;Chegamos na migração espanhola mortos de medo por conta da novela das autoridades espanholas com os turistas brasileiros. Não sei se foi por causa das nossas caras de turistas inocentes e que voltariam pra casa, nossos passaportes já carimbados (o meu com o Japão, o do Caike com visto americano e uma entrada na Espanha no ano anterior, a caminho da Inglaterra), simplesmente sorte ou se as coisas realmente mudaram, só sei que não pediram nada, nem reserva de hotel, nem passagem de volta (pra mim, pelo menos), nem quantia de dinheiro sendo levada, fizeram uma meia dúzia de perguntas apenas pro Caike (a última foi "Ah, você esteve aqui ano passado?") e carimbaram tudo. Muito mais fácil do que eu imaginava (estava tão preocupada que levei tudo: carteira de trabalho assinada, contra-cheque...).&lt;br /&gt;Beleza, agora só faltava achar o terminal da nossa conexão para Paris. Sério, como o aeroporto de Barajas é grande! Tomamos um trem (é sério, parece mesmo um metrô) que demora uns 3 ou 4 minutos se deslocando dentro do aeroporto e andamos, andamos e andamos para conseguir chegar no local indicado no bilhete. Só para descobrirmos que o vôo tinha mudado de portão e sairia de onde chegamos. Palhaçada. Mas estávamos a caminho de Paris! Fazer o quê? Andar, andar, andar, pegar trem, andar, andar e andar. Ainda bem que nossas malas iam direto.&lt;br /&gt;Já era meio dia quando finalmente embarcamos, após um lanchinho rápido mas muito providencial numa lanchonete em frente ao portão de embarque, e que, por sinal, foi a salvação, já que nos vôos dentro da Europa (pelo menos nos da Ibéria Madrid - Paris) bebida e comida são pagos a parte, e no cartão de crédito. Um absurdo, na minha opinião, mas fala sério, eu tava mais era querendo chegar logo a Paris!&lt;br /&gt;Chegamos bem mais cedo do que esperávamos, o que foi ótimo! Nossas bagagens não se perderam e logo achamos nosso translado! Dica: não paguem translado do aeroporto de Orly para Paris, a não ser que o horário do seu vôo de volta ou horário de chegada seja bizarro (entre 1h e 5h da manhã), não vale a pena o preço. Mas pelo menos o nosso motorista era muito simpático, um brasileiro mulatão que morava há sei lá quanto tempo na França. A vantagem é que ele nos deu muitas dicas sobre metrô e ônibus, além de um mapa da cidade (eu já tinha um, mas éramos 2, melhor ter um pra cada, né?). A desvantagem é que nem ele sabia direito como chegar no nosso hotel, que apesar do nome (Hôtel du Brésil) não é muito conhecido pelos brasileiros, que ficava numa ruazinha tão obscura que nem nos mapas mais detalhados de Paris aparecia.&lt;br /&gt;Finalmente chegamos no hotel, pegamos a chave do quarto, eu subi com minha mala pelo elevador/caixão (sério, cabiam só 3 de mim dentro dele, e uma do lado da outra) enquanto o Caike subia de escada os 3 andares. Largamos tudo lá e resolvemos que, pela hora, dava pra visitar a galeria Lafayette mais famosa e mais distante do hotel. Saímos, tivemos nossa primeira experiência com o crepe francês pedindo um na porta do metrô (um cara muito grosso que brigou com um pedestre, ou com a gente, eu não sei dizer), entramos no metro e lá fomos nós!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa para 2 momentos de reflexão:&lt;br /&gt;Primeiro: jamais peça comida na rua em Paris e observe como a pessoa prepara a comida. A não ser que você não queira comer.&lt;br /&gt;Segundo: o metrô de Paris pode ser fantástico na sua rapidez e na sua extensão, mas é feio, muito feio, e dependendo da estação fede muito a mijo. Não crie expectativas positivas quanto a isso, se prepare para a sujeira, pedintes e franceses suados e malcheirosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não dava muito coisa pra essa galeria antes de conhece-la, mas, falando sério, vale a pena. Ela é linda! Tem uma cúpula belíssima vista de dentro... muito legal mesmo. Isso quando se acha o prédio certo, porque as galerias Lafaytte são, na verdade, um conjunto de prédios, um só de coisas de casa, outro só de roupas masculinas (o homem francês é absurdamente vaidoso) e as famosas galerias com a tal cúpula art noveau de 1912. Essas em especial, são interessantes de visitar, pois são uns 5 ou 6 andares com lojas espalhadas do tipo estande, mas só de marcas "alto nível" - Chanel, Dior, Yves Saint Laurent e por aí vai - pra quem gosta de fazer compras, principalmente de grife, é o céu na terra. Depois de ver o primeiro andar, só de perfumes e maquiagem, onde se tem a melhor vista da cúpula, e de onde assistimos meio pasmos a um show bizarríssimo que era pra ser uma demostração da cultura japonesa (o Japão era o tema das galerias nessa estação) mas com com modelos usando roupas e cabelos nada japoneses e uma mulher fazendo malabarismo com tecidos, resolvemos ver os andares de cima, pra ver se tinha alguma lembrancinha por um preço em conta. Mais uma dica: visite a galeria e procure coisas de marca pra comprar por um preço muito mais amigável (ainda caríssimo, mas muito menores do que em qualquer outro lugar...) e deixe as lembrancinhas pra rua Rivoli ou pra rua Mouffetard, não compre lá.&lt;br /&gt;De qualquer forma fomos subindo, até chegarmos na lanchonete. Resolvemos parar, beber alguma coisa e dar uma descansadinha. Eu comprei um chá, só pra descobrir que europeus não são japoneses e o tal chá era açúcar puro... mas, enquanto estávamos sentados conversando sobre a possibilidade de na verdade ser tudo um sonho, eis que a vejo pela janela: a torre Eiffel! Sério, a tal lanchonete tem uma vista fantástica: a torre e l'Ópera! Finalmente damos umas de turistas, tiramos fotos, rimos, fizemos pose da janela... esses micos que todo turista que se preze faz. Acabada a farra, continuamos a subir, até o terraço, no sétimo andar. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! E começa tudo de novo, fotos, risos, poses, micos...&lt;br /&gt;Descemos felizes, 2 horas depois de ter chegado, não era nem 7h e o pôr do sol ainda estava longe...fomos ver o l'Ópera de perto, o que não estava no nosso roteiro, mas ir até aquela galeria também não, e daí? Bom, só ganhamos!&lt;br /&gt;Depois, descemos uma rua principal, que segundo o nosso mapa dava no Louvre, e no caminho entramos numa cave (loja especializada em vinhos) e compramos 2 garrafas, uma grande de um tinto da região do Rhône (no sul da França) e um rosê numa garrafa pequena, porque o Caike não sabia se gostava de vinho rosê.&lt;br /&gt;Continuamos andando até dar numa espécie de portão, parecia importante, mas não sabíamos bem o que era... passamos pelos arcos e era o próprio, o Louvre! O prédio é lindo demais, não dá nem pra descrever... fiquei emocionada e não sabia pra onde olhar primeiro... a pirâmide, o prédio em si, o arco do triunfo... e aquela luz linda do sol se pondo atrás do arco não ajudava a escolher... sério, cena de filme, mesmo.&lt;br /&gt;Dali, extasiados, fomos para as margens do rio Sena, e animados com tudo o que tínhamos visto até então e pelos parisienses fazendo piquenique em grandes grupos, resolvemos abrir o vinho rosê ali mesmo, sentados, vendo o pôr do sol e observando o rio, com seus navios abarrotados de turistas passando e acenando para a gente. Fora a vista fenomenal, o tal vinho, de 5 euros, era esplêndido!&lt;br /&gt;Como minha última refeição tinha sido em Madrid, antes da conexão para Paris, o vinho subiu rápido, rápido demais, fiquei zonzinha, e foi vendo tudo meio torto que chegamos a Île de la Cité. Tudo é lindo, descobrimos uma pracinha muito graciosa, bem intimista, com um monte de parisienses jogando bocha... e fomos andando (eu estava mais cambaleando, mas tudo bem) até a Notre-Dame... que pela hora, já estava fechada, mas imponente e linda de morrer.&lt;br /&gt;Nesse ponto, o meu nível alcoólico estava bem além do aceitável, e fomos jantar num bistrô já do outro lado do rio, mas em frente a catedral. Um jantar delicioso, apesar da confusão com as carnes: pedimos 2 pratos diferentes, mas os 2 ao ponto. Um veio mal passado e o outro bem passado. Nunca vou entender isso... apesar de ter chegado a conclusão que os franceses não se dão bem cozinhando carne bovina.&lt;br /&gt;Depois de recuperados, fomos para a aventura seguinte: achar novamente o nosso hotel.&lt;br /&gt;Foi uma confusão: eu sou muito boa de mapa, o problema surge quando eu acho que o nosso hotel fica num lugar mas na verdade ele fica em outro. Ficamos dando voltas e voltas, fomos pra um lado, andamos até cansar e chegamos a conclusão que era o lado errado. Voltamos, demos mais volta, pra finalmente nos acharmos. E percebermos que estávamos rodando que nem peru tonto em volta do hotel. Faz parte. Claro que o fato de tudo ser lindo em Paris e você querer parar a cada 2 passos pra olhar alguma coisa não ajudou. Mas deu um tempero especial.&lt;br /&gt;Depois disso tudo, só mesmo banho e cama para nos preparamos para o que nos aguardava no dia seguinte.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-64e032813b9a4e9e" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v16.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D64e032813b9a4e9e%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3A349805B6F24C68A7471BD129CC008B02C2E240.3537B414EDD63B9235EEE76257D5DB3C75773EED%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D64e032813b9a4e9e%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DY_vqzbR51Zyk7ezm4CxAU1lr9ys&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v16.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D64e032813b9a4e9e%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330151205%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3A349805B6F24C68A7471BD129CC008B02C2E240.3537B414EDD63B9235EEE76257D5DB3C75773EED%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D64e032813b9a4e9e%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DY_vqzbR51Zyk7ezm4CxAU1lr9ys&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3874996062810615067-2847072696276524198?l=viagensdelaura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=64e032813b9a4e9e&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/feeds/2847072696276524198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3874996062810615067&amp;postID=2847072696276524198' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/2847072696276524198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3874996062810615067/posts/default/2847072696276524198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensdelaura.blogspot.com/2008/04/2526-de-abril-chegada.html' title='25/26 de abril - A CHEGADA'/><author><name>Laura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03558424999394278611</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WJizrawbGtg/SFPdV-KyYuI/AAAAAAAAAA0/lLLTzbF_umo/s72-c/DSC02200.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
